Olá, pessoal!
Eu sinto como se não escrevesse nada há uns 4 meses, o que de fato é o que aconteceu, me lembro de ter escrito em alguma postagem em janeiro "que tentaria postar regularmente no blog", o que eu já quebrei completamente, por várias razões pessoais, mas agora voltei pra algumas postagens novas, tenho várias ideias para os próximos meses e vou focar mais aqui.
Com isso dito, assisti três filmes dos quais estava esperando bastante nesse ano, o primeiro foi Dunkirk, seguido de Em Ritmo de Fuga e por último o terceiro Planeta dos Macacos (dessa nova trilogia).
Então, sem muitas delongas, vamos as resenhas:
Dunkirk (2017)
Dirigido por Christopher Nolan
É engraçado ler meu artigo sobre a carreira de Christopher Nolan lá em 2014 quando Interestelar foi lançado, era o inicio do blog, com um autor bem mais inexperiente e exageradamente otimista, tem coisas bem pretensiosas e que já não me identifico mais escritas lá, mas é um bom lembrete de como eu amadureci durante esse anos.
Minhas opiniões sobre alguns filmes mudaram bastante, A Origem era meu filme favorito dele até então, mas hoje em dia mudei para O Grande Truque, após analisar mais objetivamente, o filme dos mágicos parece bem melhor construído, com uma mensagem que me toca muito mais que o filme dos sonhos.
Minha opinião sobre Interestelar continua a mesma, é um filme decente, não é tão maravilhoso quanto alguns dizem e não chega nem perto de ser tão ruim quanto outros apontam, é bem dirigido, atuado e escrito pela maior parte, mas tem erros bem visíveis e não tão fáceis de ignorar.
Agora com Dunkirk, Nolan mostra o filme mais diferente de sua carreira, sem plot twists, quase nada de exposição, apenas um espetáculo de imagem e som sobre um dos momentos mais tensos da Segunda Guerra Mundial, e sinceramente, eu não gostei tanto quanto eu gostaria.
Tecnicamente falando, Dunkirk é ótimo, e irá definitivamente apanhar alguns prêmios Oscar esse ano, a direção é espetacular, o som e efeitos visuais (na maioria práticos) são alguns dos melhores que já vi, as atuações são decentes, com veteranos como Mark Rylance e Kenneth Brannagh e novatos como Fionn Whitehead e Harry Stiles sendo sutis e expressivos ao mesmo tempo, mas eu quase não me senti apegado ao filme. É um ótimo exercício em tensão e suspense, mas a única parte que me emocionou foi o final.
A trilha sonora de Hans Zimmer é bem efetiva e foi feita sob medida para o filme, sendo bem tensa e tendo um enorme senso de urgência, mas é bem comum em comparação com outras trilhas do compositor.
A narrativa não-linear não fez muito sentido pra mim, até parece que a edição é confusa apenas pra ser, eu ouvi argumentos dizendo que era para o espectador se sentir tão desnorteado quanto os personagens do filme, mas acho que não era realmente necessário, mesmo que fosse em ordem, as revelações da história continuariam as mesmas, não é como em Amnésia onde faz todo sentido a trama ser fora de ordem.
Dunkirk é um filme centrado no evento, e não nos personagens por trás do acontecimento, me lembrou bastante de filmes como Gravidade e até mesmo Mad Max: Estrada da Fúria, mais pela questão de ter poucos diálogos e por maior parte da história ser contada através das cenas de ação.
Vendo por esse lado, eu provavelmente deveria gostar de Dunkirk, mas o filme simplesmente não me pegou. Eu ainda recomendo por ser um ótimo espetáculo visual e acredito que muitos irão amar o filme (como já estão), mas eu pessoalmente sai um pouco decepcionado do cinema.
Nota: 6,5/10
Em Ritmo de Fuga (2017)
Dirigido por Edgar Wright
Um filme bem diferente do resenhado acima, se Dunkirk é extremamente tenso, Em Ritmo de Fuga é extremamente divertido, o que já é de se esperar do diretor Egdar Wright, o mesmo de Chumbo Grosso e Scott Pilgrim Vs. O Mundo.
Na trama, Baby (Alsel Elgort) é um jovem motorista de fugas com um problema auditivo que o faz ouvir um zunido, então ele ouve música o tempo todo para abafar o zunido, ele se apaixona pela garçonete Debora (Lily James) e decide abandonar a vida criminosa, mas isso não será tão fácil quanto ele pensa, pois seu grupo tem planos diferentes pra ele.
O filme é quase um musical de certa forma, incorporando as batidas e letras da música com o cenário, nenhuma música está apenas jogada ali, todas elas fazem sentido no contexto, para dar alguns exemplos, há um cena onde Baby está caminhando até um lugar e a letra da música aparece pichada na parede, em outra cena acontece um tiroteio onde todos os tiros estão no ritmo da bateria, a direção e a edição são ótimas e usam esse estilo de formas bem criativas.
O elenco é muito bom, apesar de todos estarem fazendo papéis bem comuns de suas carreiras, Alsel Elgort é o protagonista bonitinho, Lily James é o par romântico, Kevin Spacey é o chefe criminoso, Jamie Foxx é um bandido maluco, Jon Hamm é um ex-empresário de Wall Street e Eiza Gónzalez é uma mexicana linda, ou seja, todos já fizeram esses papéis antes, o que dá certa naturalidade e familiaridade pro expectador.
As cenas de ação são muito boas (algo que o diretor já havia provado com Chumbo Grosso), usando muitas manobras reais nas perseguições, apesar de ser bem estiloso e exagerado, ele não chega no mesmo nível de exagero de um Velozes e Furiosos da vida, o que eu acho ótimo.
A trilha sonora é bem variada, raramente há um segundo de silêncio no filme, certamente vale a pena procurar todas as bandas e artistas que estão na trilha do filme, pois com algumas exceções, são canções bem obscuras, admito que reconheci poucas, minha favorita das que eu reconheci é Hocus Pocus da banda Focus, que toca em um momento bem climático do filme.
Algo que gostei foi que apesar de o roteiro não ter nada demais, era difícil prever para onde ele iria, tem muitos filmes em que dá para adivinhar toda a trama na metade, e esse tem reviravoltas inesperadas do meio pro final, essa imprevisibilidade foi um ponto bem positivo.
Os únicos pontos negativos é que o romance entre Baby e Debora é muito rápido, os dois atores tem química, mas há pouco desenvolvimento pra você acreditar que eles iriam seguir um ao outro independente do perigo, outro é que o roteiro pega muita coisa emprestada de outros filmes modernos, toda a parte de Baby ter fitas gravadas e um trauma de infância relacionado a mãe é muito semelhante a história de Starlord em Guardiões da Galáxia, e praticamente toda a plot é similar a de Drive, um garoto silencioso que é motorista de fugas e se apaixona por uma garçonete, e acaba envolvendo ela na vida de crime, é claro que o tom de ambos os filmes são bem diferentes (Drive é um suspense), mas as semelhanças são bem fortes.
Mas tirando isso, Em Ritmo de Fuga é estiloso, divertido e muito bem executado, apesar de não ser exatamente o novo clássico que alguns estão dizendo ser, ainda vale muito a pena assisti-lo.
Nota: 8/10
Planeta dos Macacos: A Guerra
Dirigido por Matt Reeves
Quando Planeta dos Macacos: A Origem foi anunciado anos atrás, pouquíssimos acreditavam que algo bom sairia (eu incluso), o marketing era bem duvidoso e tinha poucas expectativas para o filme, até que foi lançado e as criticas foram bem positivas, decidi assistir e gostei muito, mas ainda parecia faltar algo, aquela metáfora forte do filme original ainda não estava bem representada.
Então o segundo filme chegou em 2014, e foi melhor ainda, com uma mensagem mais forte e uma trama bem executada, mas ainda havia alguns problemas pequenos, e agora o terceiro filme da nova trilogia finalmente chegou aos cinemas, e como ele se sai em comparação aos anteriores?
Eu diria que Planeta dos Macacos: A Guerra é um dos melhores filmes que vi esse ano e teve um impacto muito forte em mim, algo que poucos fizeram esse ano em 2017 (Logan também está na lista).
Após o conflito do filme anterior, César e seu grupo são constantemente atacados por um exercito comandado por um coronel cruel, depois de algumas perdas fatais, César vai em busca de vingança contra os humanos, mas teme se tornar tão ruim quanto seus inimigos.
Vou começar já afirmando que esse é um dos blockbusters mais sombrios que já vi, apesar de ter a classificação 14 anos, eu não o recomendo para nenhuma criança, apesar de que foi hilário ver todas as crianças saindo traumatizadas da sessão.
O marketing do filme infelizmente não foi muito fiel ao material, o último Planeta dos Macacos não é exatamente um filme de ação, mas um drama de guerra, é praticamente um filme de holocausto, boa parte de sua duração se passa em um tipo de campo de concentração, então não vá assistir esperando uma batalha épica entre macacos e humanos, a guerra aqui se refere mais a miséria e destruição do que um combate direto.
Andy Serkis faz seu melhor trabalho como o símio líder César, e certamente deveria ser indicado a um Oscar de melhor ator, nem precisa fazer uma nova categoria para personagens digitais, o nível de expressão e drama do ator aqui já é suficiente para ser considerado em um dos prêmios principais.
É interessante ver a evolução do personagem até aqui, começando como um animal normal e lentamente ganhando consciência até chegar a figura messiânica adorada nos filmes antigos, Woody Harrelson também está ótimo como o vilão humano do filme, muito inspirado em General Kurtz de Apocalypse Now, seu personagem é odioso, mas é compreensível ao mesmo tempo.
A maior parte da trama é no ponto de vista dos macacos, o que eu achei ótimo, pois já desejava que o filme anterior fosse dessa forma, desde Westworld ano passado eu não via uma peça de ficção tão misantrópica desse jeito, e isso é um mega elogio.
Apesar disso, a trama não é tão maniqueísta quanto parece, fica claro durante a trilogia que ambos macacos e humanos podem ser bons e maus, mas no geral, os humanos são os vilões do filme, com exceção da personagem Nova, que é mostrada como uma representação da esperança, ela é naturalmente gentil e muito diferente do restante da humanidade.
Outro ponto positivo é a trilha sonora de Michael Giacchino, bem similar a trilha de Lost (que ele também compôs), as faixas são tristes, inspiradoras e emocionantes, e na minha opinião, também merecia uma indicação ao Oscar.
Minha única reclamação é que próximo do final, o filme tem algumas decisões de roteiro que achei um pouco preguiçosas, e as analogias são um pouco óbvias, só digamos que o vilão quer construir um muro e obriga os símios a fazer, não que eu discorde do ponto de vista do filme, mas eu queria algo um pouco mais sútil.
Mas isso é algo mínimo, Planeta dos Macacos: A Guerra é um ótimo filme que fecha a trilogia magistralmente, até então é meu filme favorito do ano, só se prepare para levar alguns lenços para o caso de você chorar, o que vai ser bem provável.
Nota: 10/10




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