quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Rumo à Surdez: Discografias Comentadas
Banda da Vez: Foo Fighters
Parte 2

One by One
Data de Lançamento: 22 de outubro de 2002.
Duração: 55:11 mins.



Se a banda tinha achado paz e conforto no trabalho anterior, logo essa paz acabou nas gravações de One by One, o álbum passou por diversas regravações e criou tensões entre os membros da banda, Dave estava cheio de trabalho com sua participação como baterista em Songs for The Deaf da banda Queens of The Stone Age, e um novo guitarrista entrou no Foo Fighters durante o tour de There is Nothing Left to Lose, chamado Chris Schiflett.

Por conta dessa época mais conturbada, o som de One by One é bem mais pesado que seu antecessor, e vemos isso muito bem quando All my Life começa a tocar, com vocais leves na introdução, logo a música explode num riff pesado e vocais rasgantes.


Sem perder o folego já somos atirados ao riff violento de Low, os Foo's não são geralmente conhecidos por falar sobre sexo, mas esse é o exato tema dessa faixa, ou vai me dizer que um trecho como "Screws inside, Turns so tight, Turning on you" não é nem um pouco sugestivo? fazendo dessa uma das músicas mais pesadas para um striptease.
Também tem aquele clipe que pode causar pesadelos aos mais fracos do coração, com Dave Grohl e Jack Black se travestindo num motel.


Have it All tem uma boa dinâmica musical e um refrão divertido, Times like These é uma queridinha entre os fãs, outro grande hit da banda, você provavelmente já ouviu "It's times like these you learn to live again, It's times like these you give and give again" alguma vez, mesmo que não intencionalmente , quem não lembra da clássica propaganda da Claro convite?

                                              Foi usada a versão acústica

O single foi este:


Disenchanted Lullaby tem um ótimo refrão, mas nada de muito interessante instrumentalmente, Tired of You é uma interessante música super triste com participação de Brian May, o guitarrista do Queen, sim, aquele Queen, do Freddy Mercury.

Agora começa meu problema com esse álbum, Halo, Lonely as You, Overdrive e Burn Away são todas okay, é isso, nada demais, bons refrões e bom som, mas absolutamente nada de especial, nada de diferente, são um tanto dispensáveis.

Come Back por outro lado, é uma pérola esquecida da banda, com a duração de 7 minutos e 50 segundos, uma das faixas mais longas da banda, com um refrão épico e variações na sonoridade, fecha o álbum muito bem.



One by One teve muito material jogado para os F-sides, em destaque temos: Walking a Line, Normal, The One (da trilha de Orange County), essas três poderiam muito bem estar no álbum, também tem uma uma cacetada de covers e versões ao vivo.


One by One ficou um tanto dividido entre críticos e fãs, muitos apreciaram o som mais pesado, mas reclamaram da mesmice e falta de criatividade em algumas músicas, até a própria banda já revelou que este é o álbum que menos gostam, Dave diz que tem apreço apenas por quatro músicas (das quais ele não revelou). Mesmo assim o disco ganhou Grammy de melhor álbum de rock em 2003.

Pontos Fortes: All my Life, Low, Times like These e Come Back.
Pontos Fracos: Burn Away, Lonely as You, Halo.
Nota Final: 7,5/10

In Your Honour
Data de Lançamento: 15 de junho de 2005
Duração: 83:17 mins.


In Your Honour foi a álbum mais ambicioso dos Foo's na época, com dois discos, um com músicas pesadas e outro com músicas acústicas, tendo 83 minutos de duração no total. o trabalho foi bastante influenciado pelo suporte que estavam dando ao politico John Kerry nas eleições de 2004 nos Estados Unidos, o que sinceramente me parece apenas uma vingança contra George W. Bush, que usou sem permissão Times like These como música-tema de sua campanha.

Este é o álbum mais complicado pra mim escrever, por muito tempo foi o único álbum dos Foo's que eu tinha pouco apreço, enquanto ouvi os outros álbuns inteiros incontáveis vezes, este eu só lembro de ter ouvido umas três vezes, então essa seria a quarta vez que o escuto inteiro, incluindo o álbum acústico.

O álbum começa com In your Honour e ela é perfeita pra abrir um show, ela é curta e dá um gosto do que vem em frente.

No Way Back foi feita com a intensão de ser tocada em estádios, o riff e o refrão são muito animadores e consigo muito bem imaginar milhares de pessoas pulando junto em um Wembley da vida. Peraí, isso realmente aconteceu!


Tem absolutamente zero chances de você nunca ter ouvido Best of You alguma vez na sua vida, essa música esteve em tudo, filmes, séries, comerciais, na casa da sua vó, em trabalhos escolares, até em igrejas (sim, eu ouvi essa música numa igreja uma vez). É bem óbvio então que esse seja o maior hit da banda, mas o que eu acho dela? pra falar a verdade, eu não gosto muito dela, acho que exatamente porque ela tocou tantas milhares de vezes que ela não me anima mais, ela é a Sweet Child O'Mine da banda, é a única música que tenho memória de ter ouvido na época ainda, há dez anos atrás, em 2005, quando tinha nove anos de idade, naquela época eu devia ouvir algum sertanejo brega que meus pais me obrigavam a ouvir (e achava a melhor coisa do mundo), então ela não me chamou muita atenção.

                             Escute aqui pela trilhésima vez

Eu gosto bastante de D.O.A, com um riff animal, parece algo que toca durante esportes radicais, eu consigo imaginar muito bem essa música tocando durante um skydiving, sei lá, em Dubai.

Vamos fazer um teste, coloque essa música


Junto com esse vídeo (clique no mute pra tirar esse remixes zuados) a diversão começa em 2:36 de vídeo


Hell é uma música assustadoramente animada sobre o inferno, ela me lembra In your honour, seria uma boa introdução, mas aqui no meio ela soa meio estranha.

The Last Song é bem animada, algo ótimo para um estádio, estou começando a ver um padrão aqui.

Free Me é uma música que os fãs imploram para a banda tocarem no show, e eles nunca tocam, chame de um tesouro esquecido, Free Me é enérgica, pesada e muito divertida, então sabe se lá por que diabos nunca tocam ela nos shows, o publico ia delirar, cair no chão, chorar, morrer se um dia eles terminarem o show com esta.


Resolve me lembra o estilo de Tom Petty, do qual Dave é fã e quase chegou a tocar na bateria quando o Nirvana acabou, é uma música sobre resolver seus problemas pessoais, definitivamente a faixa mais emocional deste primeiro disco.


The Deepest Blues are Black não tem nada de especial, e mesmo assim é uma das minhas favoritas, mas isso é por motivos mais nostálgicos, eu ouvi essa música em um dia bem importante, então ela tem um lugar no meu coração, apesar de que analisar mais friamente ela é bem fraca.

End Over End é sobre nostalgia, eu descobri isso apenas esse ano, e junto com Aurora é uma das melhores músicas sobre nostalgia de todos os tempos, eu acho a letra um primor, um tema recorrente nas músicas é o renascimento, o começar de novo, cair num buraco e escalar de volta, nada vai ser como antes, e nem deveria, senão seria apenas repetição, são ciclos atrás de ciclos, caídas após caídas, fins após fins. Mas também são inícios após inícios, subidas após subidas.



Também tem uma música animal chamada The Sign de bônus, eu nunca tinha a ouvido até escrever esse artigo.

O que posso dizer desse primeiro disco é que ele me agradou muito mais nessa revisitada, acho agora até melhor que One by One, apesar de eu achar que algumas músicas foram feitas sem tanto primor(Hell vem a minha cabeça), ainda é um produto sólido no que se diz em Rock and Roll, e ele foi feito para ser tocado num estádio.

O segundo disco é complicado de avaliar, ele é o exato oposto do primeiro disco, chame esse de o álbum yin yang do Foo Fighters, e eu não estou falando que ele é ruim, mas pra quem curte um rock mais agitado não vai ter nada aqui para ouvir.

É com esse pensamento que se deve ouvir o disco 2, ele é a coisa mais única que a banda já fez.
Still é maravilhosamente fantasmagórica, eu diria que essa música respira, ele tem vida própria, uma grande introdução ao estilo desse disco.



What If I Do é uma bonita composição romântica, destinada a derreter alguns corações.

Miracle não me agrada, mas tenho certeza que muita gente gosta, só não faz muito o meu tipo.

Another Round tem uma ótima composição, e Friend of a Friend fala sobre ele mesmo (Dave) e Kurt Cobain, pras viúvas inconsoláveis do Nirvana, que adoram dizer que todas as músicas dos Foo's são sobre o Kurt, essa é uma das poucas que realmente são.

Over and Out é sufocante, considero esta uma das músicas mais triste da banda, parece alguém fazendo uma chamada dentro do coração, "Você está ai? consegue me ouvir? eu não sinto mais você" diz o refrão.



On The Mend lembra o tema de Resolve, com um riff de violão incrível e vocal suave e emocional.


Virginia Moon é uma carta de amor à cidade de Dave, com inspiração de Bossa Nova (sim, você leu certo) e com participação da talentosa Norah Jones.


Cold Day in The Sun é cantada por Taylor Hawkins (Dave ficou na bateria) e ele não desaponta, com um refrão bem sentimental (Looks like your bleeding heart has already won) e uma sonoridade bem setentista e animada. Tradução do trecho: Parece que seu coração ensanguentado já ganhou.



Razor é um interessante trabalho com o violão, mas ela não me agrada muito como o fechamento do álbum.

Único destaque para a F-sides: Skin and Bones.



O disco 2 de certa forma mostrou o amadurecimento da banda, mostrou que eles podem fazer diversos tipos de som e serem bons nisso.

Minha nota para ambos os discos vai ser separada, por que eles são muito diferentes.

Disco 1
Pontos Fortes: D.O.A, Free Me, No Way Back, Resolve e End Over End.
Pontos Fracos: Hell.
Nota Final: Nessa revisitada, 8,5/10.

Disco 2
Pontos Fortes: Still, Over and Out, On the Mend, Virginia Moon e Cold Day in The Sun.
Pontos Fracos: Miracle e Razor.
Nota Final: No que ele se propôs, 9/10.

In your honour também recebeu criticas divididas, mas foi um sucesso de público, e foi considerado pela banda seu melhor trabalho, o próprio Dave disse ter sido seu trabalho favorito na época. Mantendo a tradição, o álbum ganhou o Grammy de melhor álbum de rock do ano.
Sem falar que aposto que até sua vó já cantarolou Best of You.



Echoes, Silence, Patience & Grace.
Data de Lançamento: 25 de Setembro de 2007.
Duração: 51:12 mins.


Echoes, Silence, Patience & Grace é de certa forma uma sequencia do estilo de In Your Honour, alternando entre músicas de rock tradicional e músicas acústicas, mas diferente de seu antecessor, que fora dividido em dois, este apresenta ambos os estilos em um único disco.

Algumas pessoas reclamaram da estrutura do álbum, o chamando de inconsistente, eu pessoalmente adoro a alternância entre pesado e leve deste trabalho, porque até as músicas acústicas conseguem ganhar um peso, com o maravilhoso trabalho técnico do disco.

The Pretender começa arrebentando tudo, com um som rápido e motivador, virou um hit instantâneo, também entrando no Billboard top 100 de 2007. Essa foi a primeira música dos Foo's que me chamou a atenção, na época eu me classificava metaleiro e considerava Foo Fighters uma banda pop lixo e leve (acho que todo mundo passou por uma época de adolescente imbecil e intolerante), minha concepção mudou quando ouvi essa faixa, e decidi dar uma ouvida nos materiais dos caras, e acabou se tornando minha banda favorita, até me fez mudar de concepções com varias outras coisas, até sentimentos.



Let it Die também é uma das poucas músicas que realmente fazem menção à Kurt Cobain, nesta, Dave descreve sua visão sobre o relacionamento de Kurt com Courtney Love, que todos sabemos ter sido "complicado". A faixa começa leve com um riff espetacular de violão, e logo se torna mais pesada e extremamente emocional.


Apesar de eu não ser um grande fã de Erase/Replace, admito que o trabalho na bateria de Taylor Hawkins é incrível nessa música.

Long Road to Ruin é uma delicia de música (isso soou bem gay), a música mais feliz sobre o rumo ao fracasso de todas, pra mim essa é uma personificação perfeita de como é estar apaixonado, você sabe que tudo vai dar errado, mas mesmo assim vai lá e faz tudo. E o clipe é fantástico:


Come Alive é uma grande acústica com um trabalho excepcional de violão, e que fala sobre tristeza e felicidade.



Stranger Things Have Happened é uma ótima composição de Dave (única música do álbum inteiramente composta por ele), um belo Blues, e o trecho "I'm not alone, Dear loneliness" ficou gravado em minha memoria por muito tempo.

Cheer up Boys, Your Make-up is Running é uma das faixas mais rápidas e animadas da banda, foi feita para os shows, e para ser o grande hit do álbum (apesar de The Pretender ter tido essa honra).


Se você leu meu artigo de verão, deve ter notado que resolvi terminar com  Summer's End, ela soa muito bem (o típico dos Foo's), mas o que me surpreendeu foi o ótimo solo de guitarra em 2:51 da música.



Ballad of The Beaconsfield Miners é uma instrumental poderosa, com um trabalho primoroso com o violão. a história por trás dessa faixa é bem interessante, alguns mineiros em Beaconsfield ficaram soterrados após um desabamento, o pedido de um dos mineiros foi um Ipod com o álbum In Your Honour incluído, após serem resgatados, Dave ofereceu um ingresso ao mineiro para um show da banda, e essa música é uma homenagem a este acontecimento.



Statues é a música mais suave do disco, com vocais leves, piano e até uma gaita (ou um violino, sei lá, nunca fui muito bom em identificar instrumentos), ela é bem relaxante, mas nunca chamou muito minha atenção.
P.S: Acabei de ver que ambos os instrumentos estão na música.

But, Honestly é uma ótima mistura dos estilos do álbum, com o inicio acústico e relaxante, e o final de puro rock, seria uma ótima de acabar o álbum no mesmo nível das outras faixas finais (New Way Home, M.I.A, End over End).



Home é uma versão mais triste de Statues, a letra é inegavelmente linda, mas eu colocaria ela antes de But, Honestly (que seria um fechamento muito mais interessante) se pudesse, ela me soa meio fora de lugar como a faixa final.

Mas peraí, tem Once and For All também, que seria tecnicamente a ultima musica. A razão de eu não considerar ela a ultima faixa é porque ela é um demo, então ela conta mais como uma  faixa-bônus, ela é bem melhor que Home, mas ainda acho que But,Honestly seria o final perfeito para o disco.

Destaque único aos F-sides: Seda.

Novamente as criticas foram variadas, alguns aclamaram o álbum tecnicamente, outros acharam a estrutura do disco (variações entre pesadas e acústicas) inconsistente, o álbum também foi sucesso de público e ganhou adivinha?

Isso mesmo, o Grammy de melhor álbum de rock de 2007, pela quarta vez consecutiva.

Pessoalmente, é um dos meus favoritos da banda, primeiro por ter me introduzido à banda (com the pretender), e segundo por ser o álbum mais emocional desde There is Nothing Left to Lose.

Pontos Fortes: Todas as faixas exceto...
Pontos Fracos: Home e Erase/Replace (pra mim)
Nota Final: 9/10

Gostaria de fazer algumas menções de outros discos e participações nos anos 2000.

Dave Grohl em Songs for The Deaf(2002): É meu álbum favorito de todos os tempos, preciso dizer mais algo?

Sim, seu álbum favorito pode ser de uma banda que não seja sua favorita (respondendo antes que me perguntem).

Probot(2004): supergrupo criado por Dave Grohl com vocal de várias lendas do metal em cada faixa.


Skins and Bones: álbum acústico ao vivo, menção a melhor versão de My Hero da história.


Greatest Hits: O nome diz tudo, os maiores hits da banda, menção a duas inéditas, Wheels e Word Forward, que foram gravadas durante o tour de Echoes, Silence, Patience & Grace.

Wheels: Uma das melhores, se você estiver deprimido, recomendo você ouvir essa música, ela toma novamente o assunto de resolver os problemas e mover em frente.


Word Forward: Dave Grohl é a única pessoa no mundo que consegue dizer fuckin e fazer isso ser emocionante.

                         "They're Just Fucking Words!!!"


Alias, tem um motivo para esse ter artigo ter sido postado em 14 de janeiro, os fãs devem saber que essa é a data de aniversário de Dave Grohl.

Feliz 46 anos de vida, Dave!! (véio pacaralho)












terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Rumo à Surdez: Discografias Comentadas.
Banda da vez: Foo Fighters.
Parte 1

Da esquerda à direita: Pat Smear, Nate Mendel, Dave Grohl, Taylor Hawkins e Chris Schiflet.

Olá Pessoal !!

Nesse artigo no inicio de ano de 2015, comentarei a discografia de uma das melhores bandas de rock nos dias de hoje, já comentei bastante sobre a importâncias dos Foo's em outro artigo, e hoje irei mais à fundo sobre esta que considero minha banda favorita. Resolvi abrir o ano com esse artigo por vários motivos, um deles é porque essa banda foi muito importante na minha adolescência, outro é porque teremos um tour deles aqui no Brasil em Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte agora em janeiro, e achei que seria perfeito escrever este artigo agora.

O artigo será dividido em três partes,e será por década, este primeiro focado nos anos 90, os outros dois em 2000-2010 e 2011-2014, respectivamente. 

Foo Fighters foi fundado em Seattle por Dave Grohl, ex-baterista da lendária banda Nirvana, após o suicídio do vocalista Kurt Cobain. Inicialmente, a banda seria um projeto solo, Dave era o único nome creditado no primeiro álbum, pois tocou a maioria das músicas sozinho, com a ajuda de outros parceiros nos shows.

O nome da banda é uma referência a fenômenos com UFOS na segunda guerra mundial, os pilotos que presenciaram esses fenômenos eram chamados Foo Fighters. Dave já brincou dizendo que "é o nome mais idiota de todos os tempos".

Dave logo formou a banda inteira no segundo álbum de estúdio, e se tornou um grande sucesso quase tão grande quanto o Nirvana. com oito discos até agora e bastante reconhecimento não só dos fãs de rock como o mainstream (geralmente dominado por pop music).

E sem mais delongas, a discografia comentada:

Foo Fighters (álbum homônimo)
Data de Lançamento: 4 de julho de 1995.
Duração: 44:06 mins.


A até então predominante cena Grunge estava decaindo aos poucos dos olhos do Mainstream, com a morte de Kurt Cobain, o gênero estava à caminho da cova, outras bandas de Grunge tinham mudado seu som consideravelmente, diria que o Debut do Foo Fighters foi o último suspiro do True Grunge, guitarras com som sujo, influência de punk rock e letras melancólicas de adolescentes confusos com a vida, com toda a pintada de esquisitice que só os anos 90 podiam oferecer. 

Muitos comparam Foo Fighters com Nirvana, e essa comparação sempre pareceu idiota ao meu ver, mas eu pensava nos álbuns posteriores a esse, o debut é o único disco dos Foo's que tem similaridades com o som do Nirvana.

Pode ser visto algum amadorismo por parte de Grohl nesse trabalho, principalmente no vocal, mas isso faz parte do charme do som de garagem deste álbum, e ele estava aprendendo ainda.

O disco começa com This is a Call, que mostra de certa forma a tipica estrutura das faixas dos Foo's, as músicas são bem chicletes, mas elas são muito bem construídas, o som é puro rock de garagem noventista, e a letra parece mostrar um pouco do que Grohl passava na época, "isso é uma chamada a todas minhas renuncias passadas", isso me lembra que ele se sentia intimidado a mostrar seu material a uma banda tão grande quanto o Nirvana, com medo de que seria considerado ruim ou medíocre, Kurt era um abençoado no que se diz a composição de letras, e agora que ele tinha ido, tudo que Dave podia fazer era tentar algo, ou ficar preso à memoria gigantesca do Nirvana para sempre.

I'll Stick Around é minha favorita do disco, é difícil não cantar "I don't owe you anything" junto com a banda, o riff é viciante e poderia muito bem estar num álbum do Nirvana sem nenhum problema, a letra é geralmente associada à Courtney Love, esposa maluca de Kurt Cobain, e de acordo com muitos músicos, é uma das personalidade mais odiadas por muita gente. 

A curta e feliz Big Me é mais famosa por seu hilário videoclipe, uma paródia dos comerciais absurdos da Mentos, que no clipe é mostrado como Footos, o clipe foi tão memorável que nos shows costumavam atirar Mentos na banda, o que logo incomodou o grupo, nos depoimentos de Dave, ele dizia que as balas machucavam e atrapalhavam os membros da banda de tocar. Também começou aqui a tradição dos Foo's de fazerem clipes bem humorados.


Alone + Easy Target tem um refrão mega chiclete, e Good Grief tem um ótimo riff,apesar de não muito conhecida, é umas das minhas favoritas.  Floaty também começa outra tradição dos álbuns, músicas acústicas, apesar dessa ter apenas a introdução com o violão, é algo que veríamos muito posteriormente. 



Weenie Beenie é a mais pesada do trabalho, o vocal rasgado de Grohl dá a sensação de puro punk rock underground. Oh, George é meio fraca, depois da tempestade que Weenie Beenie faz, mas é a única música do álbum com um solo de guitarra, que infelizmente não é algo que ouvimos muito nos álbuns dos Foo's, mas quando tem, é sempre muito foda.

For All The Cows é a melhor letra do álbum, fala sobre as armadilhas da fama e a alienação do público, tudo repetido a exaustação tende a ser esquecido depois de um tempo, como diz o trecho "Some time if time allows, everything worn in".

X-Static é a única música que é tocada por outro músico, Gregg Dulli toca a guitarra nesta faixa, Dave brilha na bateria aqui. Wattershed assim como Weenie Beenie mostra as raízes punk rock de Grohl, com um riff animal e rápido. 

E fechando, Exhausted é melancólica e bonita, no estilo Grunge de ser, diria que essa música fala de Cobain de certa forma, Grohl teve que passar um momento negro da vida pego totalmente de surpresa, no trecho "After the bliss has long ended, This caution, This Fault, Give me a breeze that's long winded, accosted, adult, arrested", significaria "Depois da euforia ter passado a muito tempo, esse cuidado, essa culpa, me dê uma brisa que eu possa respirar fundo, abordado, maduro, preso".



O álbum foi sucesso de crítica e público, vendeu 2 milhões de cópias pelo mundo, mas em minha opinião, esse debut ainda meio que viveu na sombra do Nirvana, o som é bem parecido, o que não faz ele ser ruim de modo algum, é um grande disco, ainda mais pensar que Grohl fez quase tudo sozinho. Mas acho que Foo Fighters mostrou ao que veio realmente em seu próximo trabalho.

Menções aos B-sides (ou F-sides, se preferir): Winnebago, How I Miss You, Podunk, Ozone (cover de Ace Frehley).

Pontos Fortes: I'll Stick Around, Big Me, Good Grief, For All The Cows, Exhausted.
Pontos Fracos: Oh, George e X-Static.
Nota Final: 8/10


The Colour and The Shape
Data de Lançamento: 20 de maio de 1997.
Duração: 46:47 mins.


Quando alguém me pergunta “qual o melhor álbum dos foo fighters?”, eu sempre fico em dúvida qual colocar, pois adoro todos quase que igualmente, mas se eu tivesse que escolher o que eu considero o álbum mais icônico e completo, sem dúvidas The Colour and The Shape é o primeiro que vem a minha cabeça.

A produção deste trabalho foi bem difícil, passando por diversas regravações e algumas substituições na banda, Taylor Hawkins, ex-baterista da Alanis Morrisette, entrou na banda e conseguiu manter o mesmo nível de Grohl  no debut. Dave tinha passado por um divórcio, e as letras deste álbum lidam muito com o sentimento de abandono e de voltar à felicidade novamente, nostalgia pode ser visto como um dos temas do álbum também.

Considero este um dos melhores álbuns do final dos anos 90, essa época foi marcada por um rock mais leve e feliz em comparação com a melancolia dos Grunges no inicio da década, The Colour tem músicas leves e músicas pesadas, é uma montanha russa emocional, sem a mediocridade de muitas outras bandas desta época, Se você viveu nessa época, é bem provável que tenha ouvido alguns hits deste disco.

Somos introduzidos com Doll, uma curtíssima baladinha que trata de Grohl passando por algo que ele não desejava, mas que não tinha escolha (o divórcio), no trecho "I wish i had never taken this dare, I wasn't quite prepared".

Após essa leve introdução, começa o furacão de Monkey Wrench, o tema dessa música é insatisfação, ódio e vingança, com um riff viciante, um refrão memorável e um trecho marcante de gritaria que dificilmente consegue ser reproduzido nos shows (2:32 - 3:00). Monkey Wrench é a música perfeita para gritar contra seus inimigos.


                     "One last thing before I quit

                     I never wanted anymore than I could fit into my head

                     I still remember every single word you said
                     And all the shit that somehow came along with it
                     Still there's one thing that comforts me
                     Since I was always chained but now I'm free"
                            Sim, nenhuma vírgula sequer

Hey, Johnny Park fala sobre a nostalgia de infância, o resto da música não é tão impressionante quanto seu riff espetacular, as vezes eu coloco ela só pra ouvir aquele riff.


My Poor Brain, nas palavras de Dave Grohl, é um experimento em dinâmica, que mistura vocais leves com um refrão poderoso, uma mistura de Jackson Five com Black Sabbath, por incrível que pareça, essa mistura funciona muito bem.

Wind Up fala sobre pessoas que amam reclamar de tudo, mas não fazem nada de útil para mudar a situação, como diz o trecho "Farewell, my sweet Paramania", Paramania é o prazer em reclamar de tudo. 

Up in Arms é uma música romântica, tem seu momento leve no inicio, até que a bateria te metralha no meio da música e mantém um ritmo acelerado até o final, eu queria que tivessem mais músicas românticas assim.

Eu realmente tenho que dizer alguma coisa sobre My Hero? um dos maiores hits dos Foo's, colocada em incontáveis filmes e séries, toda a dinâmica da música é perfeitamente executada, Dave disse que queria fazer uma música para as pessoas pularem no show, e fez o riff inspirado nessa ideia. A letra, fala sobre os heróis do dia-a-dia, pessoas comuns que podem ser a inspiração de muita gente. E eu posso dizer que Dave Grohl é meu herói da música, o cara podia simplesmente viver na sombra no Nirvana para sempre, mas ele decidiu levantar a cabeça e continuar fazendo o que ele amava, música. Ele fez algo que muitos fãs das antigas bandas não conseguem fazer, mover em frente, parar de olhar para o passado com tanto glamour e decidir viver o agora e o futuro.


See You é uma pérola meio esquecida da banda, o primeira pura música acústica dos Foo's,  à principio o resto da banda não queria inclui-la no álbum, mas era a música favorita do Dave e ele colocou assim mesmo.

Enough Space é parecida com o estilo do primeiro disco, a mais rock de garagem do trabalho.

February Stars começa com uma linda melodia, e tem um final alto e extremamente emocional. Essa música me lembra o verão de 2012, que considero a melhor época da minha vida até agora (nunca sabe o que o futuro vai trazer), nessa época eu não era lá um grande fã da banda, mas resolvi dar uma ouvida nos álbuns, e sim, foi bem em fevereiro de 2012 que me apaixonei pelo estilo musical do grupo, então acabo assimilando a banda junto com essa época tão querida pra mim.


Aonde começo com Everlong? Bem, ela está no meu top 10 músicas da minha vida, considero ela a Stairway to Heaven da banda, acho ela instrumentalmente perfeita, a letra tem o tipo de lirismo que adoro. A letra não é óbvia, ela pode significar algo diferente para todo mundo, pra mim ela fala sobre sonhos, ou partes da vida tão boas que parecem um sonho do qual você não quer acordar nunca. "E se tudo pudesse ser tão real para sempre? E se tudo pudesse ser tão bom assim novamente?" canta Grohl nessa música, e a fuckin' bateria nessa música é fenomenal, Taylor Hawkins mostra todo seu talento aqui.

Destaque para o clipe insano da música, dirigido pelo gênio Michel Gondry em um dos meus videoclipes favoritos.


Walking After You é um exemplo de baladinha, ela é bem romântica, extremamente romântica. Na verdade, eu costumo odiar músicas excessivamente românticas, ou eu acabo zuando elas, mas essa música me agrada de certa forma, se você já se apaixonou e largou a razão de vez, é esse tipo de som que toca em sua cabeça, é essa vibe. Uma ótima música, apesar da letra meio assustadora "Se você se afastar de mim, eu me aproximo de você", e um clipe mais assustador ainda, ou engraçado dependendo de seu ponto de vista. Destaque para o "Sexy Dave Grohl" do clipe, algo que felizmente nunca mais vimos de novo.
Alias, recomendo você escutar a versão da trilha sonora do Arquivo X, ela é mais completa instrumentalmente e tem bem mais ritmo.

New Way Home fecha o álbum magistralmente, com um refrão marcante (pra mim, pelo menos), é uma música sobre vencer seus medos e mover em frente com sua vida, no refrão "I'm not scared, I felt like this on my way home" mostra que, apesar de todos os problemas, no fim, nada está realmente perdido, é tudo uma catapulta para outro momento, é assim a vida caminha, entre altos e baixos, não há felicidade eterna, o que faz ela tão desejada é o fato dela ser rara, o final feliz depende de onde a história termina, mas também não há tristeza eterna, vivemos numa montanha russa de emoções, tudo que podemos fazer é levantar os braços e apreciar o momento, até a terrível e tensa subida dos trilhos.



Menção aos F-sides: Drive me Wild, Down in The Park (cover de Gary Numan, originalmente gravado para a trilha sonora da série Arquivo X), Baker Street (cover do clássico de Gerry Rafferty), Dear Lover (da trilha sonora de Pânico 2), The Colour and The Shape e a incrível A320 (da trilha de Godzilla de 1998).

Pontos Fortes: todo o álbum.
Pontos Fracos: nenhum
Nota Final: 10/10 ou 20/10.

There is Nothing Left to Lose
Data de Lançamento: 2 de novembro de 1999.
Duração: 46:20 mins.



Apesar do ótimo resultado de The Colour and The Shape, a produção foi cansativa, Dave fez duas demissões durante esse período, para o baterista William Goldsmith que logo foi substituído por Taylor, e o guitarrista Frank Stahl, porque Dave disse não ter achado um lugar para ele neste próximo álbum.


Cansado da pressão das grandes gravadoras e da vida agitada de Los Angeles, Grohl comprou uma casa em Virginia, Alexandria (apesar de não ser nativo, é onde passou boa parte de sua infância), com o objetivo de criar sua própria gravadora, que nomeou Studio 606. O ambiente onde gravou influenciou muito o estilo do álbum, There is Nothing Left to Lose é o álbum mais leve, mas também o mais emocional dos Foo Fighters.

O álbum conta com apenas três integrantes, Dave Grohl nos vocais e guitarra, Nate Mendel no baixo e Taylor Hawkins na bateria.

O disco começa com Stacked Actors, com uma distorção de guitarra incrível (que foi usada posteriormente no supergrupo Them Crooked Vultures, da qual Dave é baterista) e uma letra de puro ódio aos falsos estilos de vida de Hollywood, de onde Grohl chegou a viver por um tempo,

Breakout é de certa forma um pop rock bem divertido, com um refrão chiclete e um som bem mainstream, incluído na trilha de Eu, Eu mesmo, e Irene (titulo mais idiota da história) de Jim Carrey, com um clipe bem humorado com alguns elementos do filme, destaque para a cameo da mãe de Dave Grohl em 1:03 do clipe.

Na verdade, eu tinha muito mais o que falar sobre Breakout, sobre como eu me identifico com ela, mas "i don't wanna look like that" (não quero parecer com isso).

Learn to Fly foi o maior hit da banda na época, chegando a atingir o Billboard  Top 100 de 1999, também foi umas músicas importantes da minha vida, então ela tem um grande valor nostálgico para mim. O clipe é um clássico, com muito humor e participações de Jack Black e Kyle Gass da banda Tenacious D.


Gimme Stitches tem um bom ritmo, com um refrão legal, mas nada de especial. É uma música inofensiva, eu nunca passo ela, mas nunca me animo muito também.

Generator é fantástica, a faixa começa incrivelmente com o uso de uma talk box, e ela tem uma pegada new wave final de anos 70 muito interessante. Eu adoro a letra também, o trecho "Yeah, can't you hear my motored heart? You're the one who started" é um dos meus favoritos. Tradução: Não consegue ouvir meu coração motorizado? foi você quem o iniciou.



Aurora, aurora, aurora ... É nada mais, nada menos que minha favorita de toda a história da banda, ela para mim é a melhor música sobre o sentimento de nostalgia de todos os tempos, aquele som é a perfeita representação de lembrar sobre os bons momentos da vida, "Remember aurora", se lembre do amanhecer.

A primeira vez que ouvi o álbum, ela não chamou minha atenção, foi só no final de 2012 que escutei novamente sem se lembrar sobre ela, nesta época, toda aquela euforia já tinha ido embora, quando ouvi essa música sem querer, ela me lembrou o quão precioso foi esse período, e esse é um sentimento que não consegui recriar até agora, mas espero conseguir um dia.

Também é um dos trabalhos preferidos de Dave Grohl, tanto que ela é comum nos shows da banda, apesar de nunca ter sido lançada como single.


Live-in Skin, apesar de um bom riff, nada de muito memorável, parece filler pra mim.

Por muito tempo, Next Year foi a faixa que menos gostei dos Foo's, sei lá, ela a principio me pareceu um tanto medíocre, muito similar a outras incontáveis músicas do final dos anos 90. Em minha revisitadas à este álbum, ela acabou me agradando mais depois, mas nada acho nada espetacular. Assim como Gimme Stitches, ela é inofensiva, não me agrada, não me incomoda.

Headwires é puro new wave do inicio dos anos 80, muitos não gostam desse estilo mais suave, eu acho que Dave conseguiu evoluir bastante nas conversões de vocais leves para pesados, Headwires soa bem, só posso dizer isso.

Ain't the Life é a faixa mais triste do disco, ela mantém os vocais leves e som soft, até com influências meio country na guitarra. Com um refrão memorável e emocional, já seria uma ótima forma de terminar o álbum.



Assim como New Way Home, só fui descobrir a maravilha que é M.I.A na segunda vez que ouvi, a música se trata de deixar pra trás o que te deixa mal e fazer coisas novas, no caso de Dave, deixar a superficialidade de Hollywood para trás e fazer sua própria liberdade.

There is Nothing Left to Lose recebeu boas críticas e foi um grande sucesso, o trabalho ganhou o Grammy de melhor álbum de Rock em 2001, o que virou uma tendência depois (todos os álbuns posteriores ganharam o mesmo prêmio).

F-sides à mencionar: Não muitos, só Fraternity, que é bem animada, e Have a Cigar (cover de Pink Floyd, incluída na trilha de Missão Impossível 2) com vocais de Taylor Hawkins.

Pontos Fortes: Aurora, Breakout, Learn to Fly, Generator e M.I.A.
Pontos Fracos: Live-in Skin.
Nota Final: Pelo valor emocional, 10/10. 

Por hoje é isso, em breve postarei a parte 2, sobre a década de 2000, que será mais extensa principalmente pelo álbum In Your Honour, que contém dois discos. 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O Trabalho de: Christopher Nolan

Olá Pessoal!

Hoje, começando mais uma nova linha de artigos, eu farei analises sobre o trabalho de algum artista que eu admiro (ou não), hoje escolhi o diretor britânico Christopher Nolan, por conta da estreia do filme Interestelar, que já estreou faz algum tempo, mas resolvi esperar um pouco para analisá-lo até eu ter uma opinião concreta sobre o filme.

Christopher Nolan nasceu em 30 de julho de 1970, em Londres. Seus filmes geralmente apresentam uma narrativa não-linear (Batman Begins, Amnésia, entre outros), os roteiros bem cerebrais e explicativos também são característica do diretor.

Ele começou fazendo filmes independentes, até ser chamado para dirigir a nova trilogia do Batman, onde consegui maior reconhecimento, tendo maiores orçamentos para seus projetos mais pessoais, como A Origem.

O quão bom esse diretor é? Bem, atualmente três filmes dele estão no top 20 do Imdb de maiores notas do site.

E sem mais delongas, o trabalho de Christopher Nolan, em minha visão:

Doodledug (1997)



Apenas um curta de 3 minutos, mas que mostra bastante do estilo e da atmosfera dos filmes do Nolan.

Following (1998)



Following  conta a história de um jovem escritor desempregado (o filme nunca cita seu nome) que segue pessoas aleatoriamente pela rua em busca de material para suas histórias. Um dia, ele é pego por um homem chamado Cobb que nota que está sendo perseguido, mas Cobb também tem costumes estranhos, ele arromba casas e rouba objetos de valor sentimental das pessoas, como retratos, cds de música e diários.

 Os dois acabam se unindo e se envolvem num roubo maior, que acabará causando grandes problemas.

Esse filme já mostra as típicas características do Nolan, a narrativa não linear, o roteiro complexo e diálogos inteligentes e reflexivos, por exemplo: Cobb diz que rouba objetos de valor sentimental porque as pessoas apenas sabem o que tinham quando as perdem. 

Eu recomendo esse filme, não é obrigatório, mas é uma boa introdução do estilo que veremos a frente, puro suspense com um roteiro cerebral e um final surpreendente. Também é um filme curtíssimo, tem apenas 1 hora de duração (60 minutos exatos), mas o que ocorre no filme é tão complexo que ele parece muito mais longo.

Nolan recebeu elogios por esse trabalho em festivais de cinema, mas dificilmente conseguiu visibilidade no Mainstream, o filme custou apenas 6.000 doláres e faturou 41.000, apesar de pouco lucro, Nolan já foi considerado uma das novas promessas do mundo cinematográfico.
Tanto que ele conseguiu dinheiro para seu próximo filme  com doações do público do Hong Kong Film Festival.


Nota: 8/10

Amnésia (2000)
Título original: Memento



Amnésia é considerado por vários críticos a obra prima de Christopher Nolan, sem dúvidas uma das ideias mais interessantes já colocadas em um filme.

O filme se passa de trás para frente. Ele começa no final e termina no que seria o começo, então nada faz sentido inicialmente, mas o filme mostra tudo o que levou até aquele ponto, a grande revelação do filme está no começo do filme.

O filme conta a história de Leonard, um homem com problemas de memória (que não é amnésia, mas algum imbecil das traduções não deve ter visto o filme e colocou isso mesmo) que teve a esposa assassinada, ele tenta encontrar o assassino mesmo com sua condição (ele não consegue lembrar-se de memoria novas), tatuando seu corpo com informações importantes que podem  leva-lo até o homem que matou sua esposa.

A narrativa totalmente irregular ajuda a fazer o espectador se sentir como o personagem principal, mas ao final (ou começo) temos uma visão do que realmente aconteceu. Muitos consideram os filmes do Nolan difíceis de entender, eu discordo, considero apenas esse realmente realmente complicado. Considero os outros filmes dele bem mais acessíveis.

Amnésia foi indicado a Oscar de Montagem e de Roteiro, mas perdeu por razões inexplicáveis (Falcão Negro em Perigo, sério?)


Nota: 9,5/10

Insônia (2002)
Título Original: Insomnia



Após o elogiadíssimo Amnésia, Nolan dirigiu esse remake de um filme norueguês homônimo, e tenho que admitir que o filme nem parece dele.

Nesse filme, dois detetives americanos vão investigar um assassinato numa cidade pequena no Alasca em uma época do ano onde o sol não se põe, durante uma perseguição, um dos detetives (Al Pacino) acaba atirando e matando o outro por acidente (ele confundiu com o assassino), então ele deve encontrar o assassino e encobrir a morte do parceiro. Ele sofre de insônia pela constante luz do dia e é atormentado pelo erro que cometeu.

O filme tem uma história interessante, ótimas atuações de Al Pacino e do recém-falecido Robin Williams como o psicopata da trama, o roteiro conta com diálogos reflexivos e inteligentes. É um bom filme, mas dá a impressão de que qualquer outro diretor poderia ter dirigido da mesma forma, então parece que Nolan não contribuiu muito no final, fazendo deste o filme mais fraco de sua carreira.


Nota: 7/10

Batman Begins (2005)

                                              

Nolan foi chamado para dar uma nova visão na franquia do Batman, após aquela catástrofe em forma de película chamada Batman & Robin quase enterrar o homem morcego para sempre. Begins hoje não é um filme muito bom, mas na época em que foi lançado ele foi considerado por muitos um dos melhores filmes de super-herói de todos os tempos.

Sem dúvidas foi um filme revolucionário, muitas adaptações hoje que tentam seguir um caminho mais realista e sombrio são rotulados como algo parecido a Batman Begins (e poucos são bem sucedidos nessa tentativa). Mas atualmente eu acho que esse filme tem certas falhas, os dois primeiros atos do filme são muito bons, mas o terceiro ato é bem morno e meio que perdeu a linha, o que é estranho, pois deveria ser o ápice da ação do filme.

Acredito que todo mundo já tenha visto o filme, então eu não preciso colocar a sinopse. Poxa, quem não conhece o Batman?


Nota: 7,5/10



O Grande Truque (2006)
Título Original: The Prestige

Quando lançado, O Grande Truque foi alvo da piadinha mais obvia que se podia fazer na época, Wolverine vs. Batman, por conta dos principais atores, Hugh Jackman e Christian Bale.

O problema de analisar os filmes do Nolan, é que qualquer sinopse já é um spoiler. Pra dar uma mega resumida, Dois mágicos companheiros do final do século 19 se separam após um acidente de trabalho, os dois então começam um jogo de rivalidades que começa a ficar perigoso e mortal. Tudo em busca de maior prestigio da plateia.

Eu posso lhe dizer que Nolan nos entrega uma obra prima do thriller moderno, eu pensava que um filme de suspense sobre mágicos não funcionaria, mas ele conseguiu fazer a história ser bem realista (o que é inacreditável, sabendo do final do filme). Ambos Bale e Jackman dão ótimas atuações, atuando como completos obcecados a derrubar um ao outro. E o final é fantástico, literalmente.

O Grande Truque é adaptação de um livro, e originalmente Sam Mendes (de Beleza Americana) iria dirigir a adaptação, mas alguém  mostrou ao autor do livro o filme Following, e o autor recomendou que Nolan dirigisse o filme. Pois o estilo do diretor combinava perfeitamente com sua obra.

A película também é uma bela metáfora ao espetáculo, tudo que o artista faz é pelo o apreço da plateia, como o personagem de Jackman diz: “são aqueles rostos, e os aplausos”, o prestígio (nome em inglês do filme) da plateia é viciante, e alguns matariam por isso. E as últimas palavras do filme não falam apenas com a obra, ela fala conosco, a plateia do cinema:

“Vocês estão aqui para serem enganados”


Nota: 10/10

Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008)
Título Original: The Dark Knight



Provavelmente a obra mais famosa de Christopher Nolan, The Dark Knight dispensa apresentações e elogios, o roteiro ousou ser diferente de outros filmes baseados em HQ e funcionou perfeitamente. Se você tirar o fator super herói do filme, ele ainda funciona como um thriller policial fantástico. A história apresenta uma visão urbana e violenta, e um dos maiores vilões modernos da história cinematográfica, apesar de alguns descrentes pré-lançamento do filme, o falecido Heath Ledger apresenta um dos melhores Coringas já adaptados em outras mídias, com profundidade psicológica e mostrando um personagem realmente assustador.

O filme é um exemplo em adaptações, pois ele mistura duas HQs icônicas do personagem como O Longo Dia das Bruxas e A Piada Mortal em uma história nova com elementos dessas obras, não uma refilmagem do que já existe no quadrinho.

Se fosse procurar algum defeito, Christian Bale fica meio apagado em comparação a monstruosa atuação de Ledger, então parece que o Batman, ao invés de protagonista, vira um coadjuvante em sua própria história. Mas mesmo assim, o filme é considerado um novo clássico, e dificilmente perderá lugar nos rankings de melhores filmes de todos os tempos.


Nota: 10/10

A Origem (2010)
Título Original: Inception.


Tenho uma ligação nostálgica com A Origem. Até os 13 anos de idade, eu só ia ao cinema com meus pais, então eu sempre via os filmes que eles decidiam ver, mas não exatamente os que eu queria. Em 2010, quando Inception foi lançado, o filme fez muito barulho pela sua história complexa, sendo considerado por muitos como o “Matrix” dessa geração. Interessado nisso, juntei meu próprio dinheiro e fui sozinho ao cinema (meus pais não estavam convencidos a assistir), essa foi uma das primeiras vezes que realmente me senti independente.

A trama do filme é sobre um ladrão (Leonardo DiCaprio) que utiliza uma maquina de infiltração de sonhos para roubar informações da mente das pessoas, ele é designado junto com um time para implantar (Inception é Inserção) uma ideia na cabeça de um diretor executivo de uma empresa multimilionária. O grande feito de Inception é misturar um filme de roubo com a irrealidade dos sonhos. Tudo pode acontecer num sonho, e o time de ladrões usa isso a seu favor. Nolan merece muito crédito por ter feito varias regras sobre o trabalho destes ladrões, por exemplo: cada membro precisa de um totem (algum objeto memorável) para terem certeza que estão nas mentes de outras pessoas e não nas próprias; o tempo passa mais devagar no sonho; o subconsciente do alvo vai tentar expulsar os intrusos a qualquer custo, só pra citar alguns.

Essa parte complexa deixou muita gente confusa, mas é só prestar bastante atenção nos diálogos, pois eles explicam muito bem o que está acontecendo na trama. Assim como Matrix, se você não gostar desse tipo de história, você ainda têm ótimas sequencias de ação no filme, as possibilidades são infinitas, as cenas de ação são bem únicas, destaque para a luta antigravitacional num corredor de hotel de luxo.

Outro fator foi sua trilha sonora, diria que uma das mais revolucionárias dos últimos anos, 90% de trailers de filme hoje copiam a “buzina de caminhão” icônica do filme.



A Origem também é uma prova que filmes mais “cabeça” ainda podem fazer sucesso, o filme arrecadou 825.532.764 dólares no mundo todo, ocupando o lugar 41 nas maiores bilheterias da história.

Nota: 8/10


Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012)
Título Original: The Dark Knight Rises



A primeira vez que vi TDKR, achei um filmaço, melhor que Vingadores, melhor filme de 2012, melhor filme de herói. Mas após rever ele várias vezes, vejo que um filme bem problemático.

O vilão, Bane, apesar de inicialmente parecer muito bom, é mostrado apenas como um capanga de luxo no final; Bruce Wayne recluso tira totalmente o significado do final de The Dark Knight; Uma cura inexplicável para uma coluna quebrada e uma das piores cenas de morte da história por uma ótima atriz meio que enterram esse filme. Parece que Nolan queria apenas terminar a trilogia de vez, sem muito cuidado com um roteiro um tanto falho na execução.

                
Mas ainda considero a mensagem do filme válida, o filme se trata de ressurgir, assim como o mito da fênix, queimar e sair das cinzas, falhar e continuar lutando pelo melhor. A prisão mostrada no filme, apesar de trair a atmosfera realista da trilogia, é uma metáfora bonita sobre cair no fundo do poço, e escolher subir de novo ou continuar preso na escuridão. Isso é algo que vemos desde o primeiro filme, quando o pai de Wayne pergunta: "Por que caímos, Bruce? Para podermos nos levantar novamente".

Então acho que a ideia do filme foi muito boa e ainda tem valor, só esperava que a execução dela fosse melhor, por alguns erros ele acaba sendo meio fraco, mas não acredito que seja o lixo que muitos dizem ser.


Nota: 7/10

Interestelar (2014)
Título Original: Interstellar

                                   O típico visual que se encontra nos filmes do Nolan.

Provavelmente o filme com mais opiniões divididas  do ano, alguns amaram, acharam um clássico moderno, outros odiaram, acharam chato e pretensioso, outros (como eu) acharam que apesar de algumas falhas, ainda se mantem um bom filme.

Interestelar é o filme mais diferente de Nolan, não parece exatamente algo dele, mas ao mesmo tempo, tem vários elementos comuns no filme. isso porque esse projeto já passou pelas mãos de Steven Spielberg, toda a trama da família de Cooper (o personagem de Matthew McConaughey) é bastante inspirada nos elementos do diretor.  Até temas como amor e afeição são mostrados aqui, algo que o diretor nunca mostrou muito em suas histórias.

No filme, o mundo está morrendo, com poucos suprimentos e com as plantações morrendo, um fazendeiro chamado Cooper, que no passado foi piloto da Nasa, é convocado com um time de cientistas para procurarem através de um buraco de minhoca, um planeta que seja habitável pela raça humana.

A atuação de McConaughey é boa, mas é mais do mesmo do que ele já mostrou em trabalhos anteriores, Anne Hathaway está meio apagada, sua personagem não é muito boa, Jessica Chastain está meio que lá, sem fazer muito barulho com sua atuação, quem realmente brilha é Mackenzie Foy como Murph, filha de Cooper, em uma das melhores atuações infantis que já vi.

O filme teve grande cuidado em mostrar a maior parte do filme com os fatos científicos corretos, não há som no espaço, nem explosões, o buraco de minhoca é provavelmente a melhor representação visual do que realmente deve ser. Claro, o filme não é perfeito, é impossível nuvens congelarem como no planeta gelado que eles vão, e é bem improvável que um cientista chegaria perto de um buraco negro (essa coisa ENGOLE LUZ).

Muitos reclamaram do dialogo expositivo (estilo de dialogo onde se explica tudo que está acontecendo), eu pessoalmente não me incomodei, Inception também era construído em exposição, e Interestelar ainda é um Blockbuster, o público médio não faz ideia de alguns termos que usam no filme, então acho válido ele explicar.

O problema para mim se encontra no terceiro ato, eu não posso descrever exatamente o que acontece (pois seria spoiler), só digo que o final é meio covarde e bem previsível, algo que não esperava do Nolan, os finais de seus filmes são sempre bem fortes, esse foi bem morno.

Não é o filme mais fraco da carreira de Nolan como muitos dizem (longe disso), mas ele foi sim, meio decepcionante, principalmente pela fraca parte final do filme, mas ainda considero um ótimo filme e definitivamente, uma das melhores experiências que tive no cinema esse ano.


Nota: 8,5/10

Acho que Nolan pode sim ser considerado um dos maiores diretores da atualidade, nenhum filme dele é realmente ruim, alguns podem ser considerados fracos, mas nunca ruins. Também é um dos poucos diretores que fazem filmes inteligentes e que fazem sucesso, numa época de Michael Bay fazendo exatamente o mesmo filme por quatro vezes e arrecadando milhões, fico feliz que Nolan faça bons filmes com algum significado além de “Precisamos vender bonecos” ou “O produtor me mandou fazer isso”.

E por isso ele tem meu respeito.