segunda-feira, 2 de março de 2015

Silent Hill 2: A Obra Prima do Survival Horror


Se alguém quiser entender o porque de eu gostar tanto de videogames, esse artigo vai explicar o meu fascínio por esse tipo de narrativa que é bem novo em comparação a outros tipos narrativos.

Muitas pessoas da nova geração só abriram os olhos para videogames como forma de arte com The Last of Us, Bioshock, The Walking Dead da Telltale e outros jogos. O jogo que me fez levar videogames a sério e como uma forma de arte interessante foi Silent Hill 2, lançado em 2001 para PS2, Xbox e depois para PC.

Esse artigo vai ser bem extenso, pois vou mostrar meus níveis de Fanboy totalmente, isso não significa que o jogo não tenha algumas falhas (até O Poderoso Chefão tem algumas, pouquíssimas, mas tem), mas no geral ele ainda é um jogo incrível.

A maioria dessas imagens foram tiradas por mim, pois tem vários momentos específicos que queria
mostrar, a versão que eu joguei dessa vez foi a de PC, as cutscenes eu peguei de videos no YouTube.

Eu poderia fazer apenas um resumo do que gosto no jogo, mas Silent Hill 2 foi tão importante para mim que eu tive que fazer algo bem extenso, falando de ponto por ponto sobre ele.

Silent Hill 2 toma um rumo diferente do primeiro, enquanto Silent Hill tem a história de um culto religioso maluco responsável pelo inferno de Silent Hill, o segundo ignora essa visão e segue um caminho completamente diferente, explorando o psicológico de seus personagens.

Inspirado muito em filmes surrealistas e psicológicos, como as obras de David Lynch, Andrei Tarkovsky e Alejandro Jodorowsky.

Outra influência que me esqueci de mencionar no artigo de  inspirações é o livro Crime e Castigo de Fiódor Dostoiévsky.

Pois é, Silent Hill 2 é um jogo ambicioso, quase esnobe.

É um jogo muito bem feito para a época, foi lançado bem no inicio da vida do PS2, e contava com gráficos incríveis e cutscenes inacreditáveis para a época, tanto que são bonitas até hoje.

É também um dos primeiros jogos realmente adulto da época, a maioria era apenas violência gratuita para chamar a atenção, mas SH2 fala de assuntos pesados, que eu não vou citar aqui, mas que estarão no artigo na hora certa para mim revelar.

Mas antes, vejam a incrível abertura do jogo, com Theme of Laura tocando (melhor música da história do universo).


A sinopse é: James Sunderland chega na cidade de Silent Hill após receber uma carta escrita por sua esposa que faleceu a três anos por uma doença terminal(chamada Mary), dizendo que ela estava na cidade esperando por ele em um lugar especial onde eles passaram as férias uma vez.

James, apesar de saber que a esposa supostamente morreu, vai a cidade assim mesmo para descobrir quem escreveu a carta e porque (pois era exatamente a mesma caligrafia dela), e ele também tem a esperança cega que talvez sua esposa ainda esteja viva.

A primeira cena do jogo é James olhando para o espelho, os olhos dele estão meio escondidos pelas sombras.



James sai do banheiro, anda até a vista do Toluca Lake, e a voz de Mary começa a ler a carta que ele recebeu.

  "Em meus sonhos mais inquietos
Eu vejo essa cidade
Silent Hill
  Você prometeu que me levaria lá novamente
Mas você nunca fez isso
Bem, eu estou sozinha lá agora
Em nosso lugar especial
Esperando por você ..."

James começa a falar sozinho, primeiramente questionando o quão estúpido é a ideia de ela ainda estar viva, mas mesmo assim ele vai seguir com essa esperança.



Uma coisa que já vi pessoas reclamando é sobre a dublagem do jogo, dizem que todos os personagens parecem autistas, e isso tem uma explicação, os personagens do jogo passaram por eventos traumatizantes e acham difícil se relacionar ou falar como pessoas comuns.

Outra é porque a Konami contratou dubladores americanos que viviam no Japão para fazer a dublagem, então a comunicação entre os designers japoneses e os dubladores americanos era bem complicada. Imagina só a dificuldade de achar dubladores americanos vivendo no Japão, eu acho que eles fizeram o melhor que eles podiam fazer com o que eles tinham.

E o fato da dublagem ser esquisita só aumenta o sentimento de estranheza do jogo, o que é ótimo.

O que não significa que eu não tenha achado que algumas cenas foram não intencionalmente engraçadas pela bizarrice, mas isso não diminui o significado geral do jogo.

Mesmo que você ache ruim ou não, é inegável que a dublagem de SH2 tem um charme especial, eu diria que é quase etéreo, algo que se perdeu na dublagem do HD Collection, onde fizeram uma nova dublagem, e apesar de ter bons e famosos dubladores, como Troy Baker, fazer uma nova dublagem foi um grande desrespeito com os dubladores originais.

Além do mais, as feições de James e até um pouco da personalidade foram inspiradas em seu dublador Guy Cihi.


Por mais que eu goste de Troy Baker, Guy Cihi é James Sunderland.

E não só ele, pois foi usado Motion Capture para as expressões dos personagens, então a emoção posta nesses rostos é trabalho dos dubladores originais. Guy Cihi chegou a contemplar suicídio após um divórcio, então ele está emocionalmente ligado ao personagem, porque ele também sentiu que perdeu a esposa.

Mas voltando agora:

No inventário de James tem a carta e uma foto de Mary tirada nas férias em Silent Hill.


James diz que vai procurar por ela em Rosewater Park, um ponto turístico de Silent Hill onde os dois passaram bons momentos juntos, e onde a foto acima foi tirada.

O caminho pela estrada está fechado, então James vai por uma trilha ao lado.


James anda pela floresta até chegar em um cemitério, onde ele encontra uma mulher olhando para uma lápide, ela se assusta com a chegada de James, você nota que ela parece desajeitada e extremamente tímida (Não que James seja muito melhor), ela parece estar constantemente com medo, e essa cena são duas pessoas muito estranhas conversando de forma embaraçosa, mostrando que ambos tem problemas emocionais.


James pergunta direções para a cidade, e Angela (que é o nome dela, apesar dela não ter dito o nome na cena) diz que há um caminho único logo a frente, mas diz que ele talvez não devesse ir, pois a algo estranho e perigoso na cidade.

James diz que ele não se importa, pois está a procura de alguém muito importante,  a Angela diz que está na cidade procurando a mãe, ela diz que também tentou achar seu pai e irmão, mas não achou eles.

Um fato interessante sobre o visual de Angela é que ela é uma adolescente que parece muito mais velha do que sua idade. E isso é algo que trarei de volta depois.

Aqui em diante você anda um longo caminho até chegar na cidade, onde é ouvido apenas o silêncio do cenário e os passos de James, e isso foi uma decisão genial, pois você chega a sentir a névoa em sua pele, e esse caminho longo foi feito com a ideia de que, você nunca mais vai voltar, você(o jogador) pertence a Silent Hill agora, assim como James.

Você passa uns quinze minutos, apenas caminhando até chegar a cidade, construindo uma atmosfera incrível.

A cidade está completamente deserta, ele anda um pouco e acha rastros de sangue na rua, ele vê uma figura estranha andando, escondida pela névoa densa, ele decide ir atrás da figura.

Figura estranha na névoa

Ao seguir a figura, James ouve o barulho de um rádio em estática chiando, ele entra num túnel onde o rádio está e o pega, e ao virar do lado se depara com uma criatura bizarra, que era a figura que ele estava perseguindo.


Vamos analisar o design desse monstro, ele se chama Lying Figure, e ele parece uma pessoa com uma camisa de força, mas a camisa é a própria pele dele, ele representa frustração,desejo reprimido, se sentir preso a própria pele.


James ao invés de fazer o que toda pessoa normal faria e correr, ele pega um pedaço de pau com um prego conveniente que estava do lado, e mata o monstro.

Isso não tem muita lógica na vida real, mas Silent Hill 2 ainda é um videogame, e segue a lógica de um videogame: Você vê um monstro, você têm uma arma, você mata o monstro.

James sai do túnel e ouve o rádio novamente, desta vez ele ouve a voz de Mary com um chiado interrompendo a mensagem.

Alias, toda vez que um monstro se aproxima, o rádio começa a chiar.

Você explora a cidade por enquanto, até chegar num bar, onde há um mapa no balcão, e uma janela com vários jornais colados com uma mensagem escrita no que parece ser sangue:

Havia um buraco aqui, ele se foi agora

Isso não é importante na trama, mas cria uma atmosfera estranha, pois você fica se perguntando, o que diabos isso significa?

No mapa estão marcados alguns lugares importantes na cidade, que são as locações dos itens que você precisa pegar.

No local marcado, você encontra um cadáver com a cabeça totalmente desfigurada, segurando a chave para os apartamentos de Silent Hill.


Notem o seguinte, o tamanho e as roupas do cadáver são exatamente os mesmos de James.

Ele chega até os apartamentos, tudo está escuro, ele vai até o segundo andar e em um dos quartos ele acha uma lanterna.


Observem o vestido do manequim, vejam como ele é familiar, se não lembrarem, vejam a foto de Mary novamente.

Ao retirar a lanterna do manequim, o jogador leva um tamanho susto quando um monstro se levanta atrás do manequim imediatamente após você tirar a lanterna.

Esse monstro se chama Mannequin.


Os monstros de Silent Hill 2 tem um significado sexual escondido, e é assim que James vê algumas mulheres, eu explicarei isso depois.


No terceiro andar, você encontra grades bloqueando o corredor,do outro lado das barras no chão há uma chave, ao tentar pegar a chave, uma criança corre e chuta a chave para longe, James chama a criança, mas ela desaparece.

Ele então volta ao segundo andar, e ouve um barulho vindo de um dos corredores. Ao chegar lá, ele se depara com outras grades bloqueando o caminho, porém, isso está do outro lado:


Isso é um exemplo primoroso de terror, você vê essa coisa esquisita do outro lado das grades, e ela não faz nada, ela só fica te olhando, e você sabe que essa não vai ser a última vez que você vai vê-lo, seu rádio só fica chiando na presença dele.

Ao entrar no quarto ao lado das grades, você encontra outro cadáver, com as mesma roupas que você.


E você estava certo ao prever que veria o monstro novamente, pois ao entrar em um quarto no terceiro andar, você vê essa linda cena.


Então, teoricamente, nosso querido monstro de antes (conhecido como Pyramid Head), estava estuprando os dois manequins.


Pois é, lembrem se que Silent Hill 2 foi lançado em 2001, 13 anos antes do seu amado e super maduro The Last of Us, criançada.

Essa cena foi parcialmente inspirada naquela cena em Veludo Azul onde o personagem principal se esconde no armário enquanto o Dennis Hopper trincado de açúcar começa a estuprar uma moça.

Em um quarto no primeiro andar, você encontra um cadáver numa geladeira (desta vez não tem semelhança com James) e você ouve barulhos de alguém vomitando no banheiro.



Esse é Eddie, e a primeira coisa que ele diz é: "Não fui eu".
O que te faz pensar o contrário, Eddie diz que também veio a cidade por alguma razão, ele não diz qual, mas ele foi atraído a cidade, assim como James e Angela.

E falando em Angela, você a encontra no segundo prédio de apartamentos em um quarto do primeiro andar. Ela está num quarto com um espelho gigante, ela segura uma faca com um pouco de sangue na ponta, e seu primeiro pensamento é que ela esteja contemplando suicídio.


Tanto que James diz: "Seja lá o que você está planejando, há sempre outro caminho".

E Angela (dessa vez ela introduz seu nome), diz coisas estranhas, mas interessantes como:

''Você é igual a mim, é mais fácil simplesmente fugir"

Angela também diz que não consegue achar sua mãe, e quando James vai pegar a faca dela, ela fica momentaneamente aterrorizada, apontando a faca para ele, depois quando ela nota o que ela está fazendo, ela pede desculpas e vai embora.

O que significa que Angela tem medo de toque físico, e notem que a voz dela parece muito frágil nesse momento.

E a música mais linda e mais triste do jogo toca durante essa cena.


Você agora tem a faca no inventário, mas curiosamente, você não pode usar como uma arma, pode apenas examinar a faca.

E você tem um bom tempo para poder se olhar no espelho, de novo.


James encontra Pyramid Head novamente, dessa vez molestando um Lying Figure, a porta atrás de você magicamente se tranca e você fica preso com o Senhor Estupro, dessa vez você tem que lutar com ele.


Não tem como ganhar essa luta, você só atira nele até que ele se cansa e vai embora pela escadaria inundada, ele abre a última porta e a água se vai.

James sai dos apartamentos, e segue em frente, até encontrar uma criança sentada num muro.


Essa é a criança que chutou a chave de você antes, ela parece não gostar de James, e diz: "Você nunca amou Mary" e corre. James obviamente fica surpreso ao saber que a criança conhece Mary, e cria ainda mais esperança que ela ainda esteja viva.

Ele finalmente chega em Rosewater Park.


E vê uma figura humana na névoa, uma mulher, ele pensa ser Mary, mas tem uma surpresa.



Essa é Maria, ela é totalmente idêntica à Mary, só que loira e sexy (assim como em Estrada Perdida, de David Lynch), James explica que está a procura de sua esposa, e Maria pergunta se esse é o único lugar que ela poderia estar, James então lembra de outro lugar onde ele e Mary estiveram juntos, o Lakeview Hotel, o hotel onde eles se hospedaram durante as férias.

Maria agora faz companhia a você, e vocês dois andam pela estrada que leva até o hotel, mas ao chegar no meio da estrada, encontram ela destruída e impossível de atravessar, há também um cadáver no chão (mesmas roupas de James) com um mapa ao lado.


Nesse mapa estão marcados um Boliche, você então vai até lá, Maria decide ficar fora porque ela diz odiar boliche(isso parece idiota, mas tem uma explicação), ao entrar, você ouve as vozes de Eddie e da criança.


Nessa conversa, fica entendido que Eddie cometeu algum crime e a policia está atrás dele, também descobrimos que o nome da menina é Laura.

E onde diabos Eddie achou uma pizza está além do meu conhecimento.

Quando você chega onde Eddie e Laura estão, ela foge.

Então, quando você sai do Boliche, Maria chega cansada e diz que viu uma menina correndo e foi atrás dela. vocês dois vão procurar por ela, pois Laura conhece Mary.

Os dois chegam num beco sem saída, e vêem que Laura passou por uma brecha muito estreita que só alguém do tamanho dela poderia passar, vocês então entram pela porta dos fundos de uma boate, que convenientemente é onde Maria trabalha (ela é uma Stripper, ou dançarina se preferir).


Ao sair da boate (chamada Heaven's Night), vocês vêem Laura entrando num hospital, vocês seguem ela.

Brookhaven Hospital

O hospital (um lugar quase obrigatório nos jogos da série) é um dos lugares mais memoráveis e assustadores do jogo, muito devido aos novos monstros introduzidos, as famosas enfermeiras(Nurses).


As enfermeiras são monstros interessantes, pois você deve notar que elas são, hum, bem, um pouco sexy, apesar de elas terem uma bolha de carne no lugar do rosto com algumas faixas, e as cabeça delas estralam toda vez que elas se movem. Isso tem uma explicação, que só direi depois.

No vestiário do hospital, você encontra uma escopeta no armário, e olha só o que tem na portinha:

A saia de Mary

Maria começa a tossir num quarto, e decide ficar por ali, deitada numa cama de hospital.


Maria diz ser apenas uma ressaca, mas o modo que ela tosse e o tipo de remédios que ela usa lembram James da sua própria esposa, quando ela estava doente.

James vai até o telhado, só pra ser cumprimentado por Pyramid Head, que o joga pra fora do telhado, James por muita sorte acaba caindo no terceiro andar do hospital.


James finalmente encontra Laura no primeiro andar do hospital, ele pergunta como ela conheceu Mary, e Laura responde que conheceu Mary um ano atrás no hospital, e as duas viraram amigas. James tem um ataque momentâneo, chamando a de mentirosa, mas logo se arrepende e pede desculpas. Ele convence ela a acompanhar ele e Maria, e diz que é muito perigoso uma criança ficar sozinha por ali, e que ela deveria estar com muito medo.

E Laura responde: "Porque eu deveria?"

No caminho, Laura diz que tem que pegar algo, uma carta escrita por Mary, e os dois vão até o local da carta, mas Laura fica pra trás, enquanto James sendo o grande burro que ele é entra no local para pegar a carta, Laura sendo a bela criança FDP que ela é, tranca James no quarto só pela zoeira, ela te deixa lá e vai embora.


Dentro do quarto James de depara com um monstro bem peculiar.


Essa beleza se chama Fresh Lips, notem que ele é basicamente uma cama com uma massa de carne dentro, e esses lindos lábios no lugar das genitais não é nenhuma coincidência.

Sim, é exatamente o que você pensa que é.

Sacou? lábios e tal.

Fresh Lips tem péssimo costume de tentar de sufocar, e esse pequeno detalhe vai ser importante depois.

Após matar o Vaginamon, você é transportado para a versão infernal do hospital, o interessante é que essa é a única vez no jogo onde a icônica sirene de Silent Hill toca.


Você volta até o quarto de Maria, mas ele está vazio e tem uns remédios na mesinha ao lado, James se pergunta se Maria também está doente (como sua esposa).


James vai até o porão do hospital, e Maria abre a porta atrás dele, James pergunta se é Mary, mas fica visivelmente decepcionado quando vê Maria, e ela fica muito irritada com ele, dizendo que ele deveria proteger ela e que ele só se preocupa com a esposa morta dele. Maria se acalma e diz que os dois deveriam continuar procurando por Laura, pois ela sente o dever de proteger ela.


Na procura, os dois entram num corredor subterrâneo do hospital, até que você ouve o barulho de uma grande faca sendo arrastada atrás de você, então James e Maria correm, pois Pyramid Head está lhes caçando.


James chega num elevador no final do corredor, mas Maria fica para trás, enquanto as portas do elevador se fecham, James tenta abri-las, mas Pyramid Head já está atrás de Maria, e ele a empala com uma estaca.


E James sofre um sentimento que ele conhece muito bem, a culpa.


Ele falha em salvar Maria, assim como ele não pode salvar sua esposa.

Ele se levanta, e entra num quarto que antes estivera trancado, ele acha um mapa na mesa, marcando os lugares que ele precisa ir, para encontrar a chave para o Museu de Silent Hill, que fica próximo ao Toluca Lake, ele vê Laura pela janela andando sem nenhuma preocupação.

James sai do hospital, e decide continuar com o plano de ir para o Hotel, à procura de Mary, ele vai usar algum bote perto do Museu para atravessar o lago e chegar ao hotel (já que a rua está completamente destruída).

Agora você tem um tempo para explorar a cidade novamente, nota-se que a cidade durante a dimensão infernal é completamente escura.


Se você entrar no bar novamente, vai ver uma mensagem nova na parede:



"Se você realmente quer ver Mary
Você deveria apenas morrer
Mas o lugar para onde você vai
É um lugar bem diferente de onde Mary estará
James"

Você sabe que James fez algo errado, e quem escreveu essa mensagem diz que ele irá para o inferno por ter feito esse algo.

James também vê alguns monstros chamados Mandarin nos chãos de grade.


Os mandarins são monstros muito raros no jogo, eles sempre estão abaixo de você, eles têm lábios nas mãos, e dentro dos lábios saem estacas que tentam te empalar. Eles representam angústia, a angústia de sempre estar abaixo de algo, sempre se segurando para não cair na escuridão eterna.

" A porta que acorda na escuridão
Abrindo em pesadelos"

Essa é um descrição muito boa do que Silent Hill é.

Você finalmente pega a chave, e faz seu caminho até o Museu.

Outdoor do Lakeview Hotel

Você chega lá no Museu, e vê esse quadro numa parede:


Você deve estar confuso agora, James viu a imagem de Pyramid Head nesse mesmo lugar durante as férias com Mary, e agora essa mesma imagem foi materializada e está perseguindo ele.

Você encontra uma parede quebrada, com uma escadaria indo para baixo.


Até chegar ao fundo da escadaria, leva uns quatro minutos, eu até pensei que ele era infinita por um instante, uma metáfora esperta de que você está indo lentamente para o inferno, pois o que está por vir é a parte mais claustrofóbica, escura, assustadora e sufocante do jogo inteiro.

Se você achava que o hospital era a parte mais tensa do jogo, a prisão subterrânea de Silent Hill vai ser sua perdição.

Em um dos quartos, você vê esses quadros:


Descobrimos aqui que no primeiro quadro, o visual de Pyramid Head é o mesmo que os carrascos da prisão usavam nas execuções, vemos no segundo quadro o que parece ser Lying Figures empalados, e no terceiro é a prisão onde estamos, o que é estranho, pois na foto mostra a prisão em um lugar aberto, e estamos na mesma prisão, só que num lugar subterrâneo.

Em outro quarto, James encontra um buraco no chão, um que ele não consegue ver onde termina, e o que ele faz? ele pula no buraco porque essa é a lógica de videogame.


E encontra outro buraco depois, só que dessa vez com um visual surrealista.

Fazendo um nó no seu cérebro

Ele pula e acorda na cafeteria da prisão, encontrando Eddie e descobrindo qual é a dele.

James encontra Eddie segurando uma arma, e ele diz:

"Matar uma pessoa não é nada demais, é só colocar uma arma na cabeça delas e Pow!"

Há um cadáver na mesa ao lado, com os miolos espalhados pela mesa, e não aparenta ser o cadáver de um monstro.

James pergunta porque Eddie fez aquilo, e Eddie diz que ele estava "zombando dele com os olhos". James fica chocado e diz que ele não pode matar alguém apenas pelo jeito que ela o olhou, e Eddie responde: "Por que não? até agora eu sempre deixei as pessoas passarem por cima de mim, é como aquele cachorro idiota, ele pediu por isso também".

James ainda chocado, fica sem palavras, então Eddie diz que é só uma brincadeira e que o corpo já estava ali quando ele chegou, mas nós sabemos que é mentira.


Agora já é seguro revelar alguns segredos, a cidade chama inconscientemente pessoas que cometeram algo errado, que sofreram muito e não conseguem se livrar disso, e materializa as fobias e os demônios internos das pessoas na cidade, os monstros que analisei até aqui são frutos da consciência de James.

Eddie é um cara gordo e um tanto infantil, então fica óbvio que ele sofreu Bullying pela vida inteira, e isso mexeu bastante com a cabeça dele, ele acabou se tornando psicótico a ponto de matar alguém apenas pela leve suspeita que esse alguém esteja zombando dele. A história é que Eddie era atormentado por um jogador de futebol americano, e um dia ele resolveu se vingar, ele foi até a casa do jogador e matou o cachorro dele, o jogador veio ver o que estava acontecendo e Eddie atirou na perna do jogador e fugiu. Aquelas pessoas que estão atrás dele (mencionado quando ele estava com Laura no Boliche) são policiais. Na fuga, Eddie foi atraído por Silent Hil, pois ele inconscientemente sente o desejo de ser punido por seus crimes.

James encontra uma placa numa mesa, com a imagem do deus asteca Tlahuizcalpantecuhtli (óbvio que eu dei Ctrl c - Ctrl-v nessa palavra), escrito The Gluttonous Pig (O Porco Guloso), essa placa representa Eddie.


Um fato interessante é que há um quadro na cafeteria com uma imagem da cafeteria.


Pobre coitado que teve o azar de se encontrar com o Eddie

Ao andar pela prisão, você encontra as placas The Seductress (A Sedutora) e The Opressor (O Opressor).


A primeira placa tem a imagem da deusa asteca Mayahuel, é ela pode ter ligação com Angela ou Maria. A segunda placa tem a imagem de Tlazolteotl, deusa asteca do pecado e da perversão sexual, que também concede perdão a esses atos. Ela representa James, e eu explicarei isso na hora certa.

Você precisa trazer essas placas a uma arena onde há três forcas no meio.

Três forcas para três condenados

Você coloca as placas no lugar, e notem que têm dois Pyramid Head (que seriam os carrascos) na imagem.


James consegue sair da prisão, apenas para ir mais fundo ainda, agora num labirinto, e você vê essa linda imagem de vários corpos antes de descer.

O tipo de imagens que só se vê em pesadelos

O labirinto é o lugar mais sufocante do jogo, pois você fica muito confuso com o cenário (afinal, é um labirinto), os corredores são muito estreitos, há monstros por todo lado, a música é aterrorizante. O labirinto é uma das melhores recriações de como você se sente num pesadelo que já joguei.   

Em um canto do labirinto, nos encontramos novamente com nosso amigão Pyramid Head, dessa vez com uma estaca na mão.


Se você conseguir fugir dele, pode acabar encontrando o quarto do Pyramid Head.


Nota-se que ele não precisa muito para viver feliz, só um quarto com alguns corpos pendurados. Pyramid Head Humildão.

Dá para pegar a faca gigante dele agora, mas ela não é nada prática, pois James só consegue arrasta-la de tão pesada.

Um fato curioso, o modelo de personagem do Pyramid Head sem a pirâmide é exatamente do mesmo tamanho que James(Simbolismo, leia isso como se tivesse ouvindo um sussurro).


Após resolver um puzzle bem complicado, você entra num quarto e tem mais uma surpresa inacreditável:

Maria aparece viva numa cela de prisão, James fica espantado, perguntando como ela sobreviveu ao ataque, mas Maria parece não lembrar de absolutamente nada, então ela começa a falar:

"James, querido, aconteceu algo com você? depois que nos separamos naquele longo corredor? Você está me confundindo com outro alguém?
Você sempre foi tão esquecido, se lembra aquela vez no hotel? 

James começa a ficar confuso, pois parece que Mary está falando, até o tom de voz é o mesmo de Mary.

"Você disse que pegou tudo, mas se esqueceu daquele vídeo que filmamos, eu me pergunto se ainda esta lá"

James então pergunta:

"Como você sabe de tudo isso, você não é Maria?

"Eu não sua Mary" responde Maria, e o tom de voz muda de novo, dessa vez lembrando o tom de Maria.

"Não importa quem eu sou, eu estou aqui por você James, Viu? eu sou real"
"Você quer me tocar?"

E James bem virjão responde: "eu não sei"



Provando que a promessa de sexo move montanhas, James vai a procura de outro lugar para entrar na cela com Maria, atravessando o labirinto e chegando num corredor com vários jornais no chão.

Há um jornal no chão com manchas de sangue, você não consegue ler tudo pois varias partes do texto estão escondidas pelo sangue, mas consegue entender que é um artigo sobre o homicídio de um homem.

Alguns fãs conseguiram decifrar o que estava escrito no jornal, e o artigo é sobre o homicídio de um homem chamado Thomas Orosco, que foi morto com varias facadas no pescoço, ele tinha um histórico de alcoolismo e violência, e o crime parecia ser passional.

Há uma porta ao lado, com vários jornais colados nela, você houve Angela chorando e gritando "Pai, por favor não!!". Você entra no quarto e encontra Angela num canto sentada no chão, e um monstro extremamente bizarro no meio, nota-se que as paredes são feitas de carne e pele, e há vários buracos com alguma coisa batendo nos buracos constantemente.


Esse monstro se chama Abstract Daddy (Pai Ideal) e ele me assusta mais que o próprio Pyramid Head.


Ele é basicamente uma cama andante, uma massa de carne colada numa maldita cama, com mãos e pernas, e uma boca que se parece suspeitosamente com um pênis.


Oh, isso é definitivamente um pênis!


Muito mais assustador que Pyramid Head, ele também tem o hábito de tentar de enforcar.


Você mata o estupropirocomon e descobre o passado horrível de Angela, se você não sacou ainda, esse monstro é como Angela vê o pai dela.

Ela entra num ódio mortal, chuta o monstro e joga uma tv nele pra finalizar, James pede pra ela se acalmar, mas ela fica irritada com ele também e começa a falar:

"O que você quer? Oh, eu sei, você está sendo legal comigo, eu sei qual é a sua, é sempre a mesma coisa, você só está atras de uma coisa!!"

James entende o que ela está mencionando (sexo, se os burros não sacaram) e diz que não tem é isso, apesar dele só estar atrás de Maria pela promessa de sexo.

"Você não precisa mentir, diga logo de uma vez, você poderia me forçar, me bater como ele sempre fazia, você só se importa consigo mesmo, seu porco nojento!"

Angela se ajoelha, chorando e começa a vomitar, James tenta ajuda-la a se levantar, mas ela grita para não tocar nela, ela se levanta sozinha, olha para James e diz:

"Você disse que sua estava morta, certo?" James responde que sim e diz que foi uma doença "Mentiroso!! eu sei sobre você, você não queria ela mais por perto, você provavelmente achou outra pessoa"

Angela era molestada e estuprada pelo próprio pai e pelo irmão mais velho quando criança, por isso ela é tão traumatizada, por isso ela fala de modo estranho e parece bem mais velha do que sua idade, por isso ela tem pavor de toque. Pois as pessoas que deveriam protege-la e ama-la eram os maiores inimigos que já teve, e este é um assunto seríssimo que Silent Hill 2 fala.

Angela após anos de abuso, se rebelou e assassinou o pai, com aquela faca que estava usando antes quando a encontramos no apartamento, ela fugiu e foi atraída para Silent Hill.
  
O jogo falou de bullying, doenças terminais, sexo, estupro, pedofilia, incesto e memórias reprimidas até agora, e ainda vem gente dizer que The Last of Us foi o "primeiro jogo realmente adulto".

Eu gosto de The Last of Us, mas acho que ele é extremamente superestimado antes que alguém me pergunte.

James continua sua procura por Maria,mas antes tem que resolver um puzzle bem interessante, onde você tem uma sala com seis corpos, e outra sala com seis forcas, você precisa ler um poema que diz quais dos corpos vão ser enforcados, mas um deles é inocente, você precisa puxar a corda do único inocente no poema.


Você chega até a cela onde Maria está.


E encontra Maria morta de novo.

Oh my god, you killed Maria, you bastards!!

Já é seguro revelar que Maria é apenas um fruto da imaginação de James, ela é o que James queria que Mary fosse, e a cidade materializou esse desejo. Aparentemente, somente James pode vê-la, por isso ela não quis entrar no Boliche com ele, pois Eddie e Laura estavam lá dentro, e eles não veriam Maria porque ela não existe.

James continua andando, continua em sua procura por Mary, obsessivamente acredita que ela ainda está viva, que apenas a minima possibilidade dela ainda viver é a única coisa que o mantem seguindo em frente, a única motivação da vida dele nesse ponto.

James entra num cemitério subterrâneo, e vê três covas, nas três lápides estão os nomes de respectivamente: James Sunderland, Angela Orosco e Eddie Dombrowski.

Três covas para três condenados

Há um buraco na cova de James, e ele pula nela, caindo em um corredor, no final do corredor tudo está ensanguentado e com uma porta no final.


Dentro do lugar, James se encontra num frigorifico com gás e vários cadáveres no chão, com buracos de tiro pelo corpo, e Eddie também está lá, segurando sua arma. 

James pergunta o que diabos Eddie está fazendo, e ele deixa claro que matou todos esses corpos na sala, mencionando os apelidos zombadores que ele recebeu e então diz:

"Talvez eu seja nada além de um gordo e nojento pedaço de merda, mas quer saber o quê? não importa se você é inteligente, burro, feio, bonito... É tudo igual assim que você esteja morto! E um cadáver não pode rir... De agora em diante, se alguém me zombar, eu mato"

James pergunta se Eddie ficou insano (como se não estivesse claro que sim), e Eddie se rebela e diz que vai matar James também, você luta contra ele, após ele ganhar muito dano, ele vai para o próximo quarto.



Os corpos no chão também tem as mesma roupas e tamanho de James.

No outro lado do frigorifico, Eddie está escondido, e ele começa a contar sobre o passado dele e sobre o que o fez fugir, o que eu já revelei antes no artigo. Ele também diz:

"Essa cidade também chamou você, você e eu somos iguais, não somos como as outras pessoas"



Após uma luta muito tensa e bem dificil, você mata Eddie e James fica transtornado por ter matado um ser humano, e uma faísca de dúvida surge em sua cabeça enquanto a Mary.

Seu nome agora é defunto, Eddie


Um fato curioso é que após essa batalha, se você examinar a carta de Mary no seu inventário, verá que agora ela está em branco.

Ele sai do frigorifico e se encontra no porto, ele sai num bote e segue uma luz pelo Toluca Lake.

Siga a luz, James

Essa parte é genial, pois é apenas você seguindo cegamente essa luz com a esperança de estar indo para o lugar certo, assim como James segue cegamente a ideia que Mary ainda esteja viva.

Você finalmente chega no Lakeview Hotel, após toda essa jornada, essa vai ser a revelação final.

Dentro do Lakeview (que foi muito inspirado no hotel do filme O Iluminado), você encontra Laura na cozinha do hotel, ele está atrás de um piano, estranhamente, essa é única vez que ela é amigável com você, ela diz ter conhecido Mary no hospital e que as duas viraram amigas, e ela dá uma carta para James escrita por Mary, Laura diz para James não contar para Rachael sobre isso, Rachael era a enfermeira de Mary.

Na carta está escrito:

"Minha Querida Laura, estou deixando essa carta com Rachael para dar para você depois que eu ir embora, eu estou longe agora, em um lugar quieto e lindo.
Por favor, me perdoe por não dizer adeus antes de eu sair
Esteja bem, Laura
Não seja tão difícil com as irmãs
E Laura, sobre James, eu sei que você odeia ele porque pensa que ele não é legal comigo, mas por favor, dê uma chance a ele.
É verdade que ele pode ser um pouco grosseiro as vezes, e ele não ri muito, mas por dentro ele é realmente uma pessoa doce
Laura, eu te amo como se fosse minha própria filha
Se as coisas tivessem sido diferentes, eu gostaria de poder te adotar
Feliz oitavo aniversário
Sua amiga para sempre, Mary"

Laura diz ter feito aniversário uma semana antes, e James fica confuso por pensar que fazem três anos que ela morreu, ele pergunta para Laura se o lugar quieto e lindo que Mary mencionou era esse hotel?  Laura diz que Mary vivia falando sobre Silent Hill e mostrando fotos das férias que ela e você passaram lá, então é por isso que ela está no hotel também, e diz ter outra carta de Mary, mas ela não encontra nos bolsos, e sai correndo da cozinha para procurar.



A linda música Laura Plays the Piano toca durante essa cena:



Você acha a fita cassete que Maria mencionou na cela de prisão, e após uma longa jornada pelo hotel, você finalmente chega no quarto onde você e Mary estavam hospedados.


Essa é a hora da verdade, o momento pelo qual o jogo inteiro construiu para acontecer, você não consegue segurar a expectativa, será que Mary está realmente dentro do quarto? então você cria coragem e aperta o botão para entrar.

E o quarto está absolutamente vazio:


Nada, nem música, apenas o silêncio do quarto abandonado, você checa o quarto para ver se ela não está escondida em algum lugar, você desiste após um tempo, e decide colocar a fita cassete num aparelho VHS no chão, para ver pelo menos o que vocês dois filmaram.

O vídeo começa com Mary nesse mesmo quarto, dizendo que gostaria muito de voltar em Silent Hill algum dia, e ela começa a tossir, mostrando os primeiros indícios da doença. A fita corta para Mary numa cama de hospital, já em estado avançado da doença, James aparece ao lado da cama, ele se levanta e parece dar um beijo na testa dela.

Então James pega um travesseiro, coloca no rosto de dela e pressiona, sufocando-a lentamente, ela luta com o minimo de forças que ela ainda tem, mas logo sucumbe, os movimentos cessam, os gritos param, e Mary morre.



James sente o horror novamente, a culpa, o ódio próprio e a vergonha passam a infernizar ele, e ele sabe agora, que ele merece ser punido pela coisa terrível que ele cometeu.


Lembram se dos monstros? se não, voltem e vejam de novo, pois agora as explicações vão vir.

Mary pegou uma doença muito rara e incurável que deformava sua pele, o médico disse que ela poderia viver no máximo por três anos, James obviamente ficou mega depressivo, e Mary começou a ter um ódio por si própria, dizendo que ela estava virando um monstro, com a pele sendo destruída e morrendo lentamente.

Mary em estado avançado da doença

Após algum tempo, James se sentia sexualmente frustado, e a morte eminente de Mary o deixava com sentimentos estranhos, pois ele realmente amava ela antes da doença, mas enquanto a morte batia lentamente a porta para ela, James começou a reprimir alguns desejos.

James se sentia preso dentro da própria pele, preso pelo fardo da doença de Mary, assim como os Lying Figures.

Pela frustração sexual, ele desejava algumas mulheres, apenas pelo lado sexual, como os mannequins só tem pernas e as partes sexuais.

James quando visitava Mary no hospital, secretamente desejava algumas enfermeiras (como Rachael), por isso as enfermeiras do jogo são sexys, mas ele constantemente lembrava da esposa, com faixas no rosto para esconder a doença, e as enfermeiras tem faixas no rosto, para lembra-lo do seu fardo.

James se sentia como os Mandarins, sempre se segurando em algo para não cair na tentação, angustiado.

Fresh Lips é como James via Mary, sabendo que nunca poderia encostar nela novamente.

James não conseguia mais lidar com essa pressão, e pensou que era melhor Mary morrer do que continuar agonizando, ele então a matou, mas não obteve nenhum alivio com isso, ao invés disso, James sentiu a culpa e o desejo de querer ser punido, pois ele sabia que merecia justiça.

Durante as férias em Silent Hill, James deve ter visitado o museu e visto a imagem dos carrascos da cidade, usando uma pirâmide na cabeça, isso ficou gravado em sua memória, e após a morte de Mary, ele precisava de um carrasco, alguém que o punisse pelo ato terrível que ele fez.

E Pyramid Head nasceu com essa ideia, e Maria também nasceu desse desejo, alguém que fosse o que Mary era mas atendendo os desejos de James,  alguém que ele quisesse proteger, apenas para Pyramid Head a matar de novo e de novo, o fazendo sofrer, o fazendo lembrar da culpa, o fazendo relembrar da morte de Mary.

Em muitos aspectos, Pyramid Head é James, ele é o subconsciente dele agindo, é o remorso que o aflige, carregando um faca pesada, um fardo cortante e difícil de carregar.

Muitos inimigos tentam te enforcar, porque você matou Mary sufocada, e isso seria uma justiça poética pelo crime que cometeu, e todos aqueles corpos usando as mesmas roupas que você é o desejo que James têm de morrer.

Laura chega no quarto, perguntando se ele achou Mary ou a carta, ele decide revelar que ela morreu, e que ele a matou, Laura obviamente cria ódio de James e vai embora triste, mas ele escuta a voz de Mary no rádio novamente, dizendo para encontrar ela.



A música True toca nesse momento:


James levanta e decide continuar em frente, apesar de a verdadeira Mary estar morta, James quer enfrentar o que a cidade ainda tem a oferecer, e talvez conseguir alguma redenção.

A carta no seu inventário desaparece de vez.

Nota-se que agora todo o Hotel está com uma aparência destruída e totalmente úmido, como se tivesse sido afundado, na biblioteca do hotel você encontra um gravador com uma gravação de uma conversa entre o médico e James, ele diz que a doença é incurável e ela teria no máximo três anos de vida ainda.


Essa cama flutuando no ar não é um glitch, é apenas bizarrice mesmo

James associou essa memória a verdade, quando na realidade, Mary foi morta por ele há uma semana atrás (lembra da carta de Mary para Laura?), ele aparentemente ficou tão traumatizado pelo que fez, que perdeu a memória, até a cidade decidir atrair e punir ele.

Você encontra Angela uma última vez, numa escadaria pegando fogo.

Quando ela te vê, Angela está claramente iludida e pensa que James é a mãe dela, ela fala com a suposta "mãe" com um aparente alivio, e até diz que "finalmente vai poder descansar", James começa a se afastar e Angela se aproxima dizendo "Mãe, por que está indo embora?"

É apenas quando ela toca seu rosto que a ilusão dela passa, e ela se toca que é James. Ela pede desculpas e dessa vez agradece você ter salvo ela daquele monstro, mas diz que ele não deveria, porque a mãe dela disse que ela merecia aquilo (o abuso).

James diz que ela está errada, mas Angela continua com a mesma ideia, então ela fala:

"Ou talvez, você ache que pode me salvar? você me amaria? tomaria conta de mim? curaria toda a minha dor?

James se afasta, pois sabe que não, ele não conseguiu isso nem com a própria esposa.

"Foi o que eu pensei" diz Angela.

Ela pede para ele devolver a faca, mas ele recusa, ela pergunta se ele vai usar nele mesmo, e James diz que nunca se mataria.

Ela começa a subir as escadas, e James diz que está quente como o inferno naquela escadaria, então Angela diz: "Você sente também? para mim, é sempre assim".




Notem que há dois corpos grudados na parede, simbolizando o pai e o irmão dela.


O fogo sobe e a esconde, James vira e volta pela porta onde entrou.

Quando você encontra vários savepoints juntos grudados na parede, fica claro que o final do jogo está muito próximo, e como se não fosse óbvio, é a última vez que você pode salvar o jogo.


James entra pelo portão ao lado, e encontra Maria de cabeça para baixo e DOIS Pyramid Head segurando estacas ao lado dela, Maria é novamente empalada, James se ajoelha, e começa a falar:

"Eu estava fraco, por isso eu precisava de você, precisava de alguém para me punir pelo meus pecados, isso acabou agora, eu sei a verdade, é hora de acabar com isso"

 

James decide criar coragem e enfrentar seus próprios demônios agora, após uma batalha tensa contra os dois Pyramid Head, eles pegam as estacas e cometem suicídio.


Após isso, você anda num longo corredor, onde James ouve uma conversa que teve com Mary no hospital, ele havia trazido flores para ela, mas Mary fica irritada com ele, dizendo que ela parece um monstro e não merece flores, James sai frustrado, e Mary se arrepende, começa a chorar e pedir para ele voltar, mas James já estava longe e não pode ouvir.

James se prepara para o momento final, sobe várias escadas até chegar no topo do hotel, e encontra Mary olhando pela janela, a cama dela está lá também, e a chuva cai no teto.


O jogo tem múltiplos finais, e tudo depende do seu comportamento no jogo

James se aproxima e pergunta se é Mary quem está ali, dependendo de seu comportamento no jogo, Mary pode dizer que na verdade é Maria, ou ela mesma. caso você tenha examinado a foto de Mary diversas vezes no jogo, ou a carta, Mary dirá que é Maria quem está lá, e se você cuidou de Maria muito bem, Mary estará sentada na cama durante essa cena, e ela não te perdoará pelos seus crimes.

O final que eu escolhi para esse artigo é o considerado canônico pelos criadores do jogo, ele se chama In Water, esse final ocorre se você examinar a faca varias vezes, aquela que Angela te deu, e nesse final você luta contra Maria, pois ele renuncia o desejo, ele aceita o que ele fez.



Maria vira um monstro parecido com Fresh Lips, numa cama com Maria dentro, representando a doença de Mary nos seus dias finais e os sentimentos de James nessa época.


Ela também gosta de te enforcar.


Após uma batalha bem longa e emocional, Maria cai no chão e você tem que finalizar ela.


Eu costumo usar a faca gigante do Pyramid Head pra fazer isso.

Após isso é o Grand Finale, James aparece num quarto com Mary deitada numa cama doente, ele pede perdão à ela, ela diz que queria morrer, queria parar a dor, e ele diz que foi por isso que ele fez, que ele não conseguia ver ela sofrendo.

Ele faz uma pequena pausa, e entra em termos consigo mesmo quando diz:

"Não, essa não é toda a verdade, você disse que não queria morrer, a verdade é que parte de mim te odiava por ter tirado minha vida"

"Você me matou e sofreu por isso, é o suficiente" diz Mary e começa a tossir violentamente. Ela começa a perder forças, segura a mão de James e morre.

Ele se levanta, segura o corpo dela nos braços e a leva de volta.


"Agora eu entendo o motivo de ter vindo nessa cidade" você ouve James falando, ouve o barulho de um carro acelerando.

"Eu me pergunto, do que eu estava com medo? Sem você Mary, eu não tenho nada" o carro começa a acelerar muito rápido, de repente tudo fica em silêncio, e as últimas palavras de James são ouvidas.

"Agora podemos ficar juntos"

Vemos o ponto de vista de alguém debaixo da água do lago, olhando para a luz fora naquela imensidão sem ar e silenciosa, enquanto as memórias e a vida de James se perdem no tempo como lágrimas em um lago gigantesco(sacou a referência?), a voz de Mary começa a narrar a carta, aquela que Laura perdeu, a carta começa como a que James tinha, mas após as reticências, a carta continua:



"Em meus sonhos mais inquietos
Eu vejo essa cidade
Silent Hill
  Você prometeu que me levaria lá novamente
Mas você nunca fez isso
Bem, eu estou sozinha lá agora
Em nosso lugar especial
Esperando por você ..."

"Esperando por você me visitar
Mas você nunca vem
Então eu esperei, envolta em meu casulo de dor e solidão
Eu sei que fiz algo terrível com você, algo que você nunca me perdoará
Eu queria poder mudar isso, mas eu não posso
Eu me sinto tão patética e feia deitada aqui
Esperando por você.
Todo dia eu olho as rachaduras no teto e só consigo pensar o quão
injusto é tudo isso
O doutor veio hoje
Ele disse que eu poderia ir para casa
para ficar um tempinho
Não é que eu esteja melhorando
É que talvez essa seja a última vez...

Eu acho que você sabe o que isso significa...

Mesmo assim, estou feliz por estar indo para casa
Eu senti muito a sua falta
Mas eu estou com medo, James
Medo que você não queira que eu vá para casa
Sempre que você vêm me ver
Eu posso dizer o quão é difícil para você
Eu não sei se você me odeia, ou me culpa...
Ou talvez eu apenas te deixe enojado

Desculpe por isso

Quando eu fiquei sabendo que iria morrer
Eu não queria aceitar
Eu fiquei tão irritada o tempo todo
E fui péssima com todo mundo que me amava
Especialmente com você, James
Por isso eu entendo
Caso você me odeie
Mas eu quero que você saiba disso, James

Eu sempre te amei

Mesmo que nossa vida juntos tenha que terminar assim
Eu ainda não trocaria por nada nesse mundo.
Nós tivemos momentos maravilhosos juntos
Bem, essa carta se estendeu muito, então eu digo adeus

Eu disse para a enfermeira te dar isso depois que eu for embora
Isso significa que se você estiver lendo isso, eu já estarei morta
Eu não posso te pedir para lembrar de mim
Mas não posso suportar que me esqueça
Esses últimos anos desde que eu fiquei doente...
Sinto muito pelo que fiz com você, fiz com nós

Você me deu tanto e eu não pude te dar nada em troca
Por isso quero que você viva para si mesmo agora.
Faça o que é melhor para você, James

James

Você me fez feliz"


Essa cena, quando a vi pela primeira vez em 2010, quando tinha 14 anos, me fez perceber que videogames podem te fazer sentir emocionado, eu me segurei para não chorar nessa cena. a atuação da dubladora aqui é incrível e muito emocional, tanto que ela chorou de verdade no final da carta, eu não consigo acreditar que alguém não goste dessa dublagem após essa cena.

Para mim, a resposta de "videogames podem ser considerados arte?" foi respondida aqui.

É óbvio que sim, se algo têm o objetivo de entreter ou fazer você refletir, é arte, e Silent Hill 2 me fez refletir, é uma história que ficará para sempre comigo, e para todos que presenciaram, experimentam, viveram, e jogaram o jogo.

Como você evolui de uma pizza amarela comendo pontos amarelos num labirinto com fantasmas para um final emocionante e reflexivo, numa história de culpa, tristeza, amor e redenção? da mesma forma que você evolui de uma pintura na caverna para uma Monalisa, da mesma forma que você evolui uma pedra com riscos para um livro incrível, da mesma forma que você evolui de uma atração de circo de uma tela que se move, para algum filme que irá mudar a vida de muitos.

Arte evolui de algo simples para algo incrível, ela está acima de preconceitos, porque ela muda, considerar apenas sete mídias como arte é ficar preso no tempo, um tempo que se me lembro bem, nunca para.

Então você ai que acredita que videogames não podem ser considerados arte, pare de ser antinatural.
Pois a natureza de tudo é evoluir, mudar, ficar preso a velhas ideias é contra as leis da natureza.

Esse jogo tem quinze anos já, e fico feliz que jogos como The Last of Us e Bioshock tenham trazido essa discussão de volta.

É por isso que eu amo videogames, não é uma perda de tempo, é uma ótima experiência que ficará marcada na vida do jogador.

Da mesma forma que livros, música, filmes e outros.

Agora, só pra citar, os outros finais são do jogo são:

Leave: Mary te perdoa dos seus crimes, e você vai embora da cidade com Laura, para cuidar e criar ela, acontece se você examinar repetidas vezes a foto de Mary.



Maria: Mary não te perdoa, você mata ela e sai da cidade com Maria, ela começa a tossir, sutilmente mostrando que Maria sofrerá o mesmo destino de Mary, acontece se você proteger Mary e ficar muito tempo próximo dela.


Rebirth: Só acontece após ter zerado o jogo uma vez, James reúne vários objetos sobrenaturais para reviver Mary numa igreja no meio do lago (única referência ao Culto dos outros jogos da série).



Finais de piada: o jogo tem finais que são piadas apenas para quem zerou o jogo diversas vezes.

Dog Ending: James descobre que tudo é controlado por um cachorro que manda na cidade através de uma maquina.



U.F.O: James descobre que a cidade é controlada por alienígenas, e encontra Harry Mason, o personagem principal do primeiro jogo.



Se alguém quiser ver as cenas legendadas em português, têm uma compilação abaixo:


Silent Hill 2 provavelmente vai ser meu jogo favorito até a morte, eu joguei jogos melhores depois, mas esse foi o primeiro a me marcar, e é o que eu escolhi para ser eternamente o meu favorito.









sábado, 21 de fevereiro de 2015

Meu Top 7 da Série Silent Hill.



Silent Hill é uma das minhas séries favoritas nos games, então decidi fazer um top 7 dos jogos da franquia, escolhi sete jogos porque são os que eu joguei, o único que não joguei da série principal foi Downpour, porque estou desempregado e não tenho dinheiro para comprar ele, e vocês sabem o quão caro são os jogos aqui no Brasil, mas quando eu comprar o jogo eu falo o que penso dele.


7. Silent Hill: Homecoming (2008).



A série Silent Hill sempre teve mais foco no terror psicológico (talvez exceto por Origins), e o combate era propositalmente ruim, porque os personagens eram pessoas comuns sem nenhum treinamento para combater os monstros.

Então Homecoming veio com um foco mais de ação, porque agora você controla um soldado no jogo que voltou da guerra e sabe atirar e lutar.

O foco mais de ação não me incomoda em Resident Evil, porque você sempre controlava policiais ou militares, então desde que o jogo fosse tenso e os monstros apresentassem um perigo, para mim o jogo era bom, é por isso que Resident Evil 4 é um jogo esplêndido, ele misturou a tensão constante dos antigos com ação e funcionou, e eu nem dou ouvidos aos fãs mais xiitas que vem me dizer que os antigos davam medo, eles tinham muito suspense certamente, mas chamar de assustador é forçar a barra.

Um dos problemas é que desde Origins, a série estava na mão de um time de game designers americanos, e a ideia de terror americana e japonesa é bem diferente. Eu costumo zoar bastante os japoneses, mas eles inegavelmente são os mestres do terror psicológico, enquanto os americanos tem um terror mais visceral, que não combina nem um pouco com a série, não que não existam boas histórias de terror americanas, ora, Stephen King que é uma das maiores inspirações da série é americano, e O Exorcista ainda é um dos melhores filmes de terror de todos os tempos se eu me lembro bem.

Mas Silent Hill precisa de japoneses, eles entendem de bizarrice melhor do que ninguém.

A ação não funciona de jeito nenhum em Silent Hill, toda a ideia do terror nessa série é sobre o psicológico dos personagens, os demônios pessoais e os traumas, e não sobre como atirar na cara de um monstro ou dar um murro em outro.

O jogo falha em dar medo, apenas focando em sustos com sons altos, e o jogo também é bastante visceral, numa tentativa ridícula e infantil de tentar te deixar perturbado, sendo que milhares de jogos por ai também são viscerais e certamente são mais efetivos que esse.

E Silent Hill não precisa ser visceral, o jogo é sobre construir uma atmosfera assustadora, as vezes nem te mostrando nada, mas apenas te dando sugestão, o que é bem pior que mostrar o que realmente acontece.

Se lembra como os monstros deveriam representar as fobias dos personagens? então, alguns inimigos até seguem esse caminho, mas outros estão lá apenas para agradar os fãs. O que obviamente não vai funcionar porque eles não fazem sentido nenhum na trama. Por exemplo, as enfermeiras e o Pyramid Head são demônios pessoais do James em Silent Hill 2, então esses monstros não fazem sentido fora de Silent Hill 2, não há motivo algum para eles estarem aqui.

A história não tem nada de muito interessante, se você viu Alucinações do Passado, você viu a trama inteira desse jogo, só que tem algo com famílias e sacrifícios que eu não estava ligando a miníma quando eu joguei. .

E nem o combate foi bem feito, parece o combate da franquia Zelda, só que com armas de fogo, um cano, um machado e um pé de cabra. Seria legal se tivesse uma Ocarina e um bumerangue também.

E Majora's Mask é muito mais assustador que esse jogo.

Eu acho que Wind Waker dá mais medo em algumas partes, e olha que eu nem joguei Wind Waker.

A parte de ação é tão absurda que dá até pra fazer motherfuckin COMBOS no jogo e finalizações nos inimigos, não me surpreenderia se ao enfrentar um inimigo uma voz gritasse do além "UUULTRAA COOOMBO!!!" ou um "FATALITY" ao finalizar o monstro.

Teve algo que eu gostei nele? tem uma parte no meio que foi bem decente e salva o jogo de uma bela nota 3, com um cenário interessante e uma boss battle meio bosta, mas efetiva, pois o design do monstro é bem legal, e alguns puzzles foram bem inspirados, o que me surpreendeu, e a trilha sonora é muito boa.


Mas no geral Silent Hill Homecoming é um jogo fraquíssimo, pouco inspirado, é o pior Silent Hill e é um dos itens na lista da Konami escrito "coisas que jamais deveremos repetir".

Pelo menos o jogo deu a ideia para mim e meu amigo de um Silent Hill Rising: RapeVengeance, que vamos mandar para a Konami.


Próximo super lançamento da Konami, idealizado por Érick Oliveira, Andrei Reolon e Hideo Kojima(agora que ele pode misturar os universos).

6. Silent Hill Origins (2006).


Eu não gosto de Silent Hill Origins, eu simplesmente não gosto, o que é estranho, porque ele tem varias características que Silent Hill é conhecido por ter, mas me parece que tudo foi realizado de forma preguiçosa.

Silent Hill Origins (ou SH: Zero no japão) foi inicialmente lançado para PSP e depois foi lançado para PS2, o jogo é uma prequel do primeiro jogo, se passando 7 anos antes dos acontecimentos de Silent Hill(1999). Na trama, um caminhoneiro chamado Travis Grady resolve cortar caminho em Silent Hill (ótima ideia) e acaba vendo uma figura obscura no meio da estrada que o faz parar o caminhão, ao sair ele sente o cheiro de fumaça, e resolve investigar. Ele encontra uma casa pegando fogo, ele resgata uma menina dentro da casa que está totalmente queimada e desmaia ao sair, Ele acorda e vai procurar a menina, mas logo ele se encontra no mundo bizarro de Silent Hill.

Uma das grandes reclamações dos fãs é que o jogo tem muito mais ação (não tanto quanto Homecoming), Travis por ser um caminhoneiro durão, sabe dar porrada, e ele pode usar os próprios braços como arma, o jogo tem uma mecânica de objetos quebráveis, onde você pode usar vários objetos como armas que vão quebrar após muito uso. Eu acho que você dar muita habilidade para seu protagonista acaba enfraquecendo o medo do jogador, Origins tem falta de terror por isso, Travis pode jogar uma TV no inimigo, e isso é hilário.

E originalmente seria bem pior, Origins seria muito inspirado em Resident Evil 4, tendo uma câmera nas costas e até a famosa mira laser de RE4 para você atirar em lugares específicos dos inimigos (o que aconteceu mais tarde em Homecoming).

O andamento do jogo é pouco inspirado, os cenários, monstros e a história em geral foram pouco interessantes, até Travis, apesar de parecer legal, é bem inexpressivo e mesmo tendo um background complexo, o jogo não me fez ficar interessado na história dele. Eu acho a trilha a mais fraca que o Yamaoka fez, e a ideia de um prequel, apesar de soar interessante, não funciona tão bem, pois o jogo me parece um remake chato do primeiro Silent Hill, ele parece um jogo feito por fãs, e mesmo isso soando uma boa ideia,é só ler qualquer fanfic pela internet pra saber que essa NÃO é uma boa ideia.

Eu gostei de alguns puzzles e a ideia de mudar para o Otherworld via espelhos foi bem legal, mas no geral ele não me agrada.

O jogo lançou próximo ao filme, então muito da identidade visual do jogo foi emprestada do filme, o que me soa estranho, já que esse deveria se focar no primeiro jogo da série e não no filme.


Origins seria o último na lista se Homecoming não fosse um alvo tão fácil.


5. Silent Hill: Shattered Memories(2010).



O único Silent Hill americano que eu acho que teve algum êxito em roteiro foi Shattered Memories, o problema é que ele não dá medo. O jogo é um remake do primeiro Silent Hill, que na verdade seria mais uma reimaginação do primeiro jogo, já que as únicas semelhanças com o original são que o personagem principal se chama Harry Mason, ele tem uma filha chamada Cheryl, e ela desaparece após um acidente de carro em Silent Hill.

O jogo foi inicialmente lançado para Nintendo Wii e depois foi lançado para PS2 (a versão que eu joguei, porque eu não sou um casual imundo para ter um Wii).

O jogo teve uma ideia interessante de fazer um teste psicológico no inicio do jogo para criar uma experiencia assustadora de acordo com sua personalidade, e eles chegam até a perguntar sobre sua vida sexual, o que milhares de jogadores provavelmente devem ter mentido para não parecerem os grandes virgens que são (eu inclusive).

Mas aparentemente há poucas mudanças, alguns visuais e talvez o final mude dependendo do seu teste, mas no geral ele não parece muito útil, e o jogo não é assustador por um erro que cometeram, mesmo fazendo a ideia genial de tirar o combate totalmente(pelas reclamações dos fãs sobre Homecoming). Os monstros só aparecem quando você entra no Otherworld (que também não assusta nem um pouco, desta vez num cenário congelado, diferente do inferno enferrujado dos outros jogos), então você sempre sabe quando eles vão aparecer, o que tira a imprevisibilidade do terror, você sempre sabe quando o jogo vai tentar te assustar.

Os monstros também não são muito ameaçadores, o design deles não é nada inspirado e você pode só correr deles, eu raramente tive que me esconder no jogo, já que tudo que eles podem fazer contra você é te agarrar, e você pode simplesmente escapar apertando um botão, então os encontros com eles acabam sendo mais irritantes do que assustadores.

O roteiro do jogo pelo menos é muito bom, dando um foco muito maior na parte psicológica (finalmente os idiotas sacaram sobre o que Silent Hill é), as partes onde você apenas anda por Silent Hill com a trilha de Yamaoka e uma lanterna dão uma sensação de tristeza e solidão que apenas Silent Hill 2 tinha conseguido fazer.


E tem um plot twist bem decente no final, melhor que o twist óbvio que Homecoming achava ser o Big Deal.

Eu admiro o jogo por ter entendido que Silent Hill jamais deveria tentar ser um jogo de ação, e apesar de algumas falhas, ele ainda é um bom jogo.


4. Silent Hill 4: The Room (2004).




Silent Hill 4 foi o último jogo feito pela Team Silent (time japonês responsável pelos quatro primeiros jogos), e há rumores que ele inicialmente seria um novo jogo de terror chamado Room 302 da Konami sem nenhuma afiliação com a série Silent Hill, mas ao ver algumas semelhanças, resolveram transformar esse novo jogo em Silent Hill 4.

E eu não duvido disso nem um pouco, The Room (não o clássico filme) tem muitas diferenças aos seus antecessores, primeiro que o jogo começa em primeira pessoa, segundo que o número de itens é limitado e você tem uma barra de vida na parte superior da tela (nos três primeiros você tinha que ir ao inventário para checar a vida).

A história é bem interessante, Henry Townshend vive no apartamento 302 em Ashfield (uma das cidades vizinhas de Silent Hill), um dia ele acorda e encontra sua porta completamente trancada por várias correntes, os vizinhos não conseguem ouvir ele mesmo ele batendo e gritando dentro do quarto. Após cinco dias, um buraco aparece na parede do banheiro que o leva a outros lugares(próximos ou em Silent Hill), enquanto ele é aterrorizado por fantasmas e um assassino em série.

Silent Hill 4 não é um jogo muito bom pela simples e idiota decisão de repetir os mesmos cenários na segunda parte do jogo, eu adoro a primeira parte desse jogo (apesar das diferenças), pois ela cria uma atmosfera bem bizarra, o sentimento de isolamento no apartamento é feito de forma magistral, e no geral ele é bem assustador.

O jogo estaria em 3º lugar se a segunda parte desse jogo não fosse tão ruim.

Vamos juntar duas coisas que os gamers odeiam, Escort Mission e Backtracking, na segunda parte do jogo, você precisa repetir todos os cenários que você completou na primeira parte, só que dessa vez você tem uma companheira inútil que só serve para levar porrada e de dar um final ruim por que a AI dela é a mesma que você dá para uma porta no jogo.

E dessa vez os inimigos estão mais fortes, existem fantasmas que não podem ser derrotados e ficam te atazanando o tempo todo e dando porrada na sua companheira. Antes era só ir no apartamento para se curar, agora seu apartamento está completamente assombrado e você precisa de itens de cura para se curar e itens mágicos(que são bem raros) para exorcizar seu apartamento, e esses itens também curam sua companheira que se levar porrada demais(e inevitavelmente ela vai levar porrada), te dará um belo final infeliz.

O assassino em série dessa vez também está querendo te matar e enfiar a mão na sua companheira (Lei Maria da Penha nesse jogo), e tem uma parte onde você ganha um item e sai bem felizão achando que aquilo vai ser útil, quando na verdade aquele item é amaldiçoado e vai te dar uma boa dor de cabeça pra exorcizar aquilo.

E eu esqueci do maldito machado (melhor arma do jogo) na primeira parte, e tive que usar um cano lixo para enfrentar tudo isso.

A única coisa chata da primeira parte é ter que ficar alternando entre o apartamento e o mundo do buraco o tempo todo, e tem que fazer isso em dobro na segunda parte.

The Room pode ser uma experiencia muito frustante.

E não ajuda nada o gameplay do jogo ser horrível, eles até te deram a chance de fazer ataques mais fortes, mas até você carregar o ataque, vai estar no chão sendo estuprado por algum fantasma. Henry também não tem mira automática (o que é estranho, porque SH2 e 3 tinham), o que faz você errar muito, e gastar uma bela munição.



Mas ele é um jogo assustador, a quantidade de imagens bizarras e sentimento de desconforto nesse jogo é bem alta, veja só essas belezuras.

                                         Os inesquecíveis gêmeos


                                 A formosa fantasma do metrô com uma boca feita para beijar


                       Quem nunca olhou na janela e viu uma cabeça decepada flutuando?


                              Se lembra daquele item que você não deveria ter pegado?

                                                    "Olá, vizinho!!"

Aquele momento que você vai atender a porta e é só você mesmo sangrando e com os olhos arrancados, mostrando o que provavelmente vai acontecer com você muito em breve.

Uma cabeça gigante de uma pessoa que você ficou espiando por metade do jogo, agora olhando freneticamente para você.

Silent Hill 4 é um jogo perturbado e provavelmente gostaria de ver como você é por dentro.


3. Silent Hill (1999)




O primeiro Silent Hill foi curiosamente um dos últimos que joguei da série, e apesar de não ter envelhecido tão bem, ele ainda se mantém tenso e assustador.

Harry Mason é um escritor que resolve tirar férias em Silent Hill (ótima ideia) com sua filha adotiva Cheryl (da qual ele encontrou próxima a Silent Hill), ele avista um vulto no meio da estrada e sofre um acidente ao tentar desviar. Ele acorda nos subúrbio de Silent Hill e Cheryl desapareceu, ele procura por Cheryl na cidade fantasma e encontra moradores estranhos, um culto religioso e monstros deformados e bizarros.

Para mim, Silent Hill tem uma das melhores introduções da história dos videogames, muitas crianças que jogaram isso no PS1 nunca passaram dessa parte, é uma forma genial de te jogar nesse mundo. Você simplesmente acorda no seu carro, vê que sua filha não está lá, e vai andando pela cidade, que está numa nevoa absurda e nevando, você avista uma figura parecida com sua filha na nevoa densa e vai atrás dela, a figura te leva até um beco, você anda até uma porta com uma placa dizendo "Cuidado com o cachorro".

Ao entrar, você encontra um cachorro morto e despedaçado no chão.

                                  Boa forma de brincar com suas expectativas.

Você segue em frente, até que uma sirene toca e tudo fica escuro, você usa um isqueiro e continua movendo em frente, então você encontra uma maca com um lençol branco escondendo um corpo, com uma mancha de sangue no peito, há uma cadeira de rodas no chão com uma roda girando. Apesar disso, Harry continua em frente até ver alguém crucificado e com as entranhas no chão.


Ao virar de costas, monstros aparecem de todos os lugares, você corre de volta para onde entrou, mas dessa vez tem uma grade na frente, você agora só pode esperar os monstros virem e te matarem, e quando você cai no chão, você acorda numa cafeteria, mas ainda está na cidade infernal.

Essa parte é genial e é construída aos poucos, te dando várias sequências estranhas até te jogar no inferno de uma vez, e pra mim, isso sim é terror, se te jogassem direto no inferno, você teria um choque momentâneo, mas logo se acostumaria, em Silent Hill, quando você começa a se acostumar, o jogo lhe dá situações cada vez piores para a tensão não acabar.

Por exemplo, quando você chega na escola de Silent Hill, pensa que NÃO pode ficar pior, tudo já está escuro e cheio de monstros, tem algumas sombras de bebês que caminham pela escola, eles não fazem nenhum dano a você,estão lá apenas para te perturbar.

Até você chegar ao Otherworld, agora tudo está escuro, o numero de monstros foi duplicado e as paredes estão enferrujadas e cheias de sangue, e é normal ver esse tipo de coisa:


Só porque você tem armas, não significa que Harry saiba usa-las, ele é um escritor, não um soldado.

Enquanto o Gameplay dos próximos jogos não é nenhum primor, eu pelo menos consigo matar os monstros facilmente, mas no primeiro Silent Hill, o gameplay ainda é bem experimental, e não ajuda nada o fato de o combate ser propositalmente ruim.

E o controle tanque (tipico de survival horror) é o pior da série, na maior parte do jogo, Harry está com a cara numa parede porque parece que as paredes tem imãs, os monstros também parecem ter imãs atraídos para você, pois é muito difícil esquivar dessas coisas.

Silent Hill não envelheceu muito bem, mas é um jogo icônico que mudou a face do gênero, e é provavelmente o primeiro jogo que realmente foi assustador (mesmo com os gráficos quadradões do PS1). Resident Evil é tenso, pois é muito frustante você passar por uma hora coletando itens sem salvar para um Hunter pular do nada e arrancar sua cabeça, te obrigando a repetir todo o processo,só pra morrer de novo no mesmo lugar.

Mas nunca foi assustador, não à ponto de uma geração só conhecer esse jogo pelos seus dez minutos iniciais, porque não tiveram coragem de passar daquilo, e devem ter traumas até hoje.


2. Silent Hill 3



Silent Hill 3 foi o primeiro da série que joguei, então ele é responsável pelo meu fascínio no terror dessa série.

Se você leu o último artigo, sabe que eu não esperava passar de cinco minutos nesse jogo, mas aquela abertura e aquela música foram tão legais que eu fui fisgado.


Silent Hill 3 é a única sequência direta de outro jogo da série, o jogo se passa 17 anos depois do final bom (o canônico) do primeiro Silent Hill. Você controla uma adolescente chamada Heather Mason que SPOILERS: é o bebê que Harry Mason leva para casa no final de Silent Hill 1. Ela começa em um shopping center onde um detetive chamado Douglas diz que precisa falar com ela sobre o passado dela, Heather acha que ele é um stalker tarado e arranja um jeito de escapar dele.

Então enquanto ela tenta sair do shopping, ela encontra alguns monstros no caminho, e conhece uma mulher muito estranha chamada Claudia Wolf, que é nova líder do culto de Samael. O shopping se transforma em sua versão infernal, provando que não é só Silent Hill que tem um Otheworld, tanto que metade do jogo nem se passa em Silent Hill.

É só depois que SPOILERS: Heather encontra Harry morto em casa, que ela decide ir a Silent Hill enfrentar Claudia com ajuda do detetive do inicio do jogo, que se encontra envolvido nisso tudo.

Heather é uma das poucas protagonistas que realmente é identificável, ela é uma adolescente mimada e até sarcástica que é jogada nesse inferno, ela certamente ama o pai e a cena onde SPOILERS: ela encontra ele morto é bem triste.

Imagina uma patricinha enfrentando o demônio, é isso que Heather é.

O gameplay é praticamente o mesmo de SH2, a única diferença é que agora você tem um botão para dar zoom, se você quiser ver as bizarrices mais de perto. os gráficos são LINDOS, é sério, SH3 é  mais bonito que Homecoming e Downpour juntos até hoje.

O modelo de personagens é bastante expressivo, as sombras são muito bem feitas, e o design dos cenários em geral é muito bom.

Isso é bom demais para ter sido feito em 2003

Mas agora vamos falar da melhor parte, SH3 pode não ter o melhor roteiro ou ser o melhor jogo da série, mas em minha opinião, ele é o mais assustador.

Ele é perturbado como Silent Hill 4, mas diferente do 4, Silent Hill 3 é inteiramente bom.

SH3 herdou muito o medo sexual de Silent Hill 2, Heather é uma adolescente, então ela está num ápice hormonal, e a maioria dos inimigos representam gravidez indesejada e estupro.


Isso porque SPOILERS: Heather é a reencarnação de Alessa, então o culto quer ela para dar a luz ao Samaelzinho, e sabemos que essa gravidez não é nada segura, pois o Samaelzinho sair significa que a Heather vai provavelmente ser destroçada durante o parto.

E ele vai trazer o inferno(paraíso para eles) ao mundo.

Vários monstros parecem ter a intenção de sempre atacar a virilha de Heather, o que dobra o seu medo como jogador ao controlar ela.

É extremamente desconfortável quando uma dessas coisas abaixo tenta te atacar debaixo de sua saia.



Há alguns diários no hospital que são escritos por um maluco que é apaixonado por Heather, e ler aqueles diários são uma mistura de nojo e pena, se você quiser se sentir como uma moça que é perseguida por um stalker assustador, esse jogo é para você.

Assim como SH4, Silent Hill 3 adora te perturbar com alguns segmentos.

Como aquele onde você entra numa sala cheia de manequins, onde todos os manequins estão sem cabeça com exceção de apenas um, ao você afastar a câmera desse manequim, você ouve um grito, e quando vai ver, aquele manequim agora está sem cabeça e com sangue escorrendo do pescoço.



Ou a clássica parte do espelho, onde você entra num quarto onde a única coisa é um espelho gigante, quando você tenta sair do quarto, a porta da qual você entrou está trancada, e a imagem do espelho começa a ficar possuída, até que o material demoníaco decide sair do espelho e preencher o lugar onde você está.


E há uma parte que para mim é um exemplo de como construir terror, em uma parte onde você está no esgoto, você passa por uma ponte onde há um corpo embaixo, você atravessa a ponte e entra em um quarto, ao voltar pela ponte, o corpo não está mais lá.

Só a minha imaginação que aquela coisa se levantou e estava pronta para me atacar me perturbou pelo resto do cenário, a cada porta que eu abria, eu esperava que o cadáver estivesse em algum lugar.

Na verdade, até o final do jogo eu esperei encontrar o cadáver de novo, mas como o jogo é um belo psicopata, o cadáver nunca aparece novamente, é só para te perturbar mesmo.

Isso é um tipo de terror sutil que muitos jogos só sonham em fazer.

E é esses tipos de momentos que fizeram os quatro primeiros Silent Hill tão únicos e memoráveis.
Eu zerei Homecoming esses dias e mal me lembrava dele quando fui escrever.


E o número 1, Oh meu Deus! quem poderia imaginar? é:

1. Silent Hill 2.



Silent Hill 2 é meu jogo favorito de todos os tempos. Ele merece mais do que um resumo básico como os outros jogos, ele merece um artigo inteiro.

E é exatamente o que eu vou fazer.

Mas, o que eu penso do futuro da série?

Depois das más criticas de Downpour (que supostamente seria a grande volta ao terror psicológico), eu perdi a fé e pensei comigo mesmo que, pelo menos nós temos os primeiros Silent Hills, e eles sempre vão ser bons.

Até que um dia eu acordei, tomei café, liguei o modem, fui no YouTube (rotina diária) e vi vários videos de um jogo chamado P.T (piadas com o partido politico perderam a graça após serem repetidas a exaustão, então não vou fazer nenhuma), que era aparentemente um jogo independente de terror para PS4.

O jogo tinha uma ideia muito simples, você anda por um corredor, e é isso.

Parece chato não?

Ao chegar a última porta, você se encontra no exato mesmo corredor, você acha estranho mas continua o caminho, dessa vez uma das portas no corredor abre um pouco, você dá uma espiada e leva um susto, pelo barulho da porta batendo e por ter visto algo mas não tendo certeza do que era.

Então, continua pelo corredor chegando a última porta, e você está no mesmo corredor, dai você nota que está num loop eterno.

Mas dessa vez a porta do banheiro se abre completamente, você entra no banheiro e vê um simpático feto vivo chorando na pia.


Você anda para fora do banheiro como se não tivesse um fuckin feto vivo na pia chorando como um bebê, e vai até o final do corredor.

Em um desses loops, você vê essa bela figura enquanto anda pelo corredor.


Eu acredito que essa imagem sozinha é a coisa mais assustadora relacionada a Silent Hill desde SH4.

Pelos gráficos ultra realistas, pela iluminação e pela figura no meio do corredor, e sabe o que é o melhor de tudo?

Não tem sangue nessa foto, ou corpos desmembrados, nenhuma tentativa imbecil de te deixar assustado, é apenas uma figura estranha no meio de um corredor, e isso causa mais pesadelos do que qualquer Homecoming da vida jamais conseguiria fazer.

A cada loop o jogo vai ficando mais estranho, até você achar uma geladeira amarrada no teto com sangue escorrendo da porta, e essa bela figura que se chama Lisa começa a te atacar pra valer.

                                                Essa bela moça

Ao terminar o jogo, o que é preciso fazer um puzzle dificil para cacete, você ganha um trailer do que isso tudo se trata.

P.T é um Playable Teaser (Teaser Jogável) do novo jogo da série Silent Hill, intitulado Silent Hills.

E quando o nome de Guillermo del Toro apareceu na tela, eu já fiquei feliz.

Dai o nome de Hideo Kojima aparece na tela e eu tive um ataque cardíaco.

O criador de uma das melhores séries de games da história (Metal Gear Solid) é um dos responsáveis pelo novo Silent Hill!!!

E sabemos que Kojima gosta de brincar com a imersão dos jogadores, quem não lembra de quando Psycho Mantis leu nosso Memory Card no primeiro Metal Gear Solid?

Imagina o que ele vai fazer aqui? eu não duvido que algumas pessoas realmente morram do coração jogando esse jogo.

O ator Norman Reedus (o Daryl do The Walking Dead) também estará no jogo como o personagem principal.

P.T é simplesmente uma das melhores jogadas de marketing que já vi na vida, então o futuro de Silent Hill nunca esteve mais brilhante.

Muito mais brilhante que o de Resident Evil certamente, o pobre RE não tem nem o Shinji Mikami mais, que era o cara que deu vida ao Resident Evil que os fãs amam tanto, o que era bom, não essa imitação que temos hoje.

Eu sei, pra um cara que disse que as duas séries não tinham tanta concorrência, eu alimentei muita treta entre os fãs.

Mas Silent Hill também passou anos em decadência, espero que Resident Evil também tenha um renascimento e receba o tratamento que merece.

Atualizado: Oh, a ironia, o jogo foi cancelado por absolutamente NENHUMA RAZÃO, o que faz essa última parte meio inútil agora, Silent Hills sempre será lembrado como o melhor jogo nunca lançado.

Mas eu ainda sou time Silent Hill for life!!


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Akira Yamaoka: Silent Hill's Greatest Hits.



A trilha sonora de Silent Hill do primeiro até Shattered Memories foi composta por Akira Yamaoka, antes do primeiro jogo, ele fez a trilha do jogo Sparkster: Rocket Knight Adventures 2 para Sega Genesis (Mega Drive), e participou das trilhas de Contra: Hard Corps e Gradius.

Ele se voluntariou para a trilha de Silent Hill 1, dizendo que ele era o "único capaz de fazer essa trilha".E ele se provou correto nessa afirmação, pois a música em Silent Hill é simplesmente a alma e o coração do jogo, sem ela, talvez eu não fosse tão fã da série.

As músicas são tão boas que no filme só precisaram fazer uma playlist de músicas do jogo para incluir na trilha sonora.

E hoje farei um artigo sobre minhas músicas favoritas dos jogos da franquia, um Greatest Hits (aquelas compilações com os maiores hits de algum artista) da série Silent Hill, falarei de jogo por jogo, mas apenas sobre as músicas que considero importantes.

Mas primeiro, vale falar sobre as inspirações musicais de Yamaoka, entre elas estão Metallica, Depeche Mode, Trent Reznor da banda Nine Inch Nails e Angelo Badalamenti (compositor da maioria dos filmes do nosso querido David Lynch).

Badalamenti e suas música suaves, relaxantes e com um sentimento de estranheza ao mesmo tempo, uma característica que veremos muito ainda

Alternâncias entre tristeza e agressividade como algumas faixas do Metallica


 O som industrial de Trent Reznor, característica dos cenários infernais do jogo

Silent Hill(1999).



O primeiro jogo da série tem um número pequeno de faixas, apenas QUARENTA E DUAS FAIXAS, a maioria delas é apenas o som de alguém arranhando um quadro, batendo num tonel ou numa grade, só sons para te deixar o mais desconfortável possível, mas temos algumas boas melodias no meio.

A primeira faixa já é pra te pegar de vez, Silent Hill Theme é a música da abertura, ela começa com um violão e já parte para outros instrumentos, ela parece uma música de interior dos Estados Unidos mas com um toque de estranheza, tristeza e até esperança.
Eu adoro todas introduções da série, pois elas não dizem absolutamente nada sobre a história, mas você entende todo o estilo pelas cenas e principalmente pela música.


All não é exatamente uma música, ela é só um som metálico que se repete e vai ficando mais alto, essa faixa foi feita para te jogar na dimensão infernal do jogo.


Ain't Gonna Rain também é só uma faixa para te deixar extremamente nervoso, com uma batida agressiva de ranger os dentes.


My Heaven é a mais assustadora, só imagine você jogando esse jogo de madrugada e essa linda composição começa a tocar, ela soa como bebês chorando numa distorção demoníaca.


Agora finalmente deixando as faixas infernais para trás, Not Tomorrow é uma música simples mas muito memorável.


Tears of ... é a faixa "dirigindo a noite" do jogo, ela é suave e é uma boa recompensa após o inferno que você passa pelo game.



E She segue a mesma linha, e junto com Silent Hill Theme é minha favorita desse jogo:



Silent Hill 2(2001):




O segundo jogo é o trabalho favorito de Yamaoka, ele próprio disse que esse era o jogo que ele mais tinha orgulho de ter composto, e é o favorito de muitos fãs(eu inclusive).


Theme of Laura é possivelmente minha faixa favorita na história dos videogames, e é uma das razões desse ser o meu jogo favorito de todos os tempos. A música tem tristeza e felicidade andando juntas durante toda sua duração, e esse é exatamente o sentimento que Yamaoka queria passar, ele queria fazer algo que fosse melancólico mas também cheio de esperança.

A World of Madness tem tudo explicado no titulo, Um Mundo de Loucura, essa faixa é bem atmosférica e serve para lentamente te jogar no mundo surreal de SH2.


Promise(Reprise) é uma linda melodia triste, e o público comum deve conhecer ela pelo filme em 2006, que utilizou essa música em vários momentos.


Heaven's Night é uma música bem relaxante, mas misteriosa.


Angel 's Thanatos é a música mais pesada do jogo, e ela parece muito algo de uma banda de heavy metal.


Fermata in Mystic Air é a mais assustadora do game, ela não é desconfortável como as faixas do primeiro jogo, mas ela tem um som estranho, quase alienígena que causa pavor.


Love Psalm só está na edição especial do game, mas é uma das minhas favoritas, eu amo esse solo de guitarra.


Laura plays the Piano é extremamente atmosférica, é como eu imagino o som da tristeza, o piano com o eco fazem um ótimo trabalho aqui.


Esse piano em True fala por si próprio:


Overdose Delusion soa muito como uma música de rock alternativo.


E pra terminar com chave de ouro, Promise:



Silent Hill 3(2003):


Eu achei esquisito uma adolescente de 17 anos (Heather, a principal do jogo) ser sexualizada na capa, dai eu lembrei que o jogo era japonês.

Dessa vez Akira Yamaoka não é só o compositor do jogo como virou produtor do jogo, e uma grande evolução foi que agora o jogo tem músicas cantadas, e então nasceu a dupla Akira Yamaoka e a dubladora Mary Elizabeth McGlyn que fez os vocais.

Silent Hill 3 foi o primeiro da série que joguei, e na época eu era um cagão pra esse tipo de jogo (hoje é meu gênero favorito). e eu nem esperava passar de cinco minutos nele, então essa intro aparece:


Eu achei essa introdução e essa música tão boas que me fez jogar o jogo inteiro mesmo eu estando com um medo foda. O nome da música é You're Not Here e só pelo valor nostálgico ela já virou uma das minhas músicas favoritas.

End of Small Sanctuary é uma ótima forma de introduzir a personagem principal, o som tem cara de adolescência, mas ainda contém o feeling de estranheza tão tipico da série.


Breeze - In Monochrome Night, perfeita para dirigir a noite.



Na verdade, boa parte da trilha é ótima para se dirigir a noite, essa é Please Love Me, Once More que toca durante o momento mais triste do jogo.


Engraçado, Letter - From The Last Days toca durante uma cena que envolve dirigir a noite.


Dance With Night Wind



Never Forgive Me, Never Forget Me tem uma vibe Arquivo X.



Prayer me dá arrepios.

Rain of Brass Petals



E I Want Love mostra o grande poder vocal de McGlyn.


Silent Hill 4: The Room(2004):


Melhor capa, apesar de nem parecer que é do jogo

Silent Hill 4: The Room é um jogo complicado, ele tem boas ideias mas a execução não foi muito eficiente. Porém, a trilha sonora se mantem impecável como sempre.

Essa trilha também contém uma cacetada de músicas e a maioria eu nem cheguei a ouvir no jogo, o foco dessa trilha é bem mais experimental e atmosférico, então vou citar as músicas cantadas que são definitivamente as mais memoráveis.

Boa parte da trilha soa assim, e eu certamente recomendo ouvir ela inteira, mas seriam muitas músicas para citar aqui:


Room of Angel é uma das faixas mais tristes e mais assustadoras que Yamaoka já compôs,além do soar extremamente melancólica também tem uma letra que é um soco no estômago, falando sobre o ódio de uma criança para a mãe que o abandonou, que é um dos pontos principais da trama do jogo.


"Here's a lullaby to close your eyes
It was always you that i despised
I don't feel enough for you to cry"

"Aqui uma canção de ninar para fechar os olhos
Era você quem eu sempre desprezava
Eu não sinto o suficiente por você para chorar"

Cradle of Forest é a música dos créditos finais, cantada pela voz forte de Joe Romersa (que é o escritor da maioria das músicas cantadas da série) e com backing vocals de McGlyn, 


Tender Sugar

Your Rain


E Waiting for You que têm diversas referências a SH2, seria uma música de Mary para James, e toca as notas de Theme of Laura em 4:11 da faixa.



Silent Hill Origins(2006):


Silent Hill Origins é um dos que menos gosto da série, falarei mais disso no próximo artigo, e a trilha também é uma das que menos escutei, isso porque acho a maioria das músicas muito parecidas e sem nada de especial, mas irei citar as poucas que gosto:

Shot Down in Flames


O.R.T


Hole in The Sky



Silent Hill: Homecoming(2008):



Homecoming é indiscutivelmente o mais fraco de toda série, a trilha é certamente o único aspecto memorável do jogo.

One More Soul to The Call é uma ótima música de abertura, até tive esperança do jogo ser bom ao ouvi-la.


Eu acho Witchcraft uma composição muito bonita e interessante.

Cold Blood



The Terminal Show



Elle Theme



This Sacred Line



Alex Theme com uma dinâmica musical muito boa.



Silent Hill: Shattered Memories(2010):



Shattered Memories foi o adeus de Yamaoka a série Silent Hill, essa é a última trilha composta por ele, eu pessoalmente acho a trilha de Homecoming melhor, pois esta é consideravelmente tímida comparada as outras trilhas, assim como o jogo é bem mais sóbrio que o restante da série. Mas ainda é uma ótima trilha, eu só esperava algo mais forte, já que esse é o fim de uma era.

Começando com um cover de uma música clássica de Country chamada Always on My Mind, que já foi regravada por Elvis Presley e diversos outros artistas, aqui Yamaoka dá seu próprio estilo na música.


A divertida When You're Gone.


A atmosférica Creeping Distress.


A assustadora e desconfortável Devil's Laughter.


Forsaken Lullaby


Ice


Acceptance: linda, triste e assustadora ao mesmo tempo.



E terminando uma era com Hell Frozen Rain, e esse solo em 3:33 é o adeus de Yamaoka, fazendo menção a primeira faixa que ele escreveu para o game, o tema de Silent Hill:



Atualmente Akira Yamaoka se juntou com o maluco de carteirinha Suda 51 (de Killer 7 e No More Heroes) para compor as músicas dos jogos dele, ele fez a trilha de Lollipop Chainsaw, Shadows of the Damned, Killer is Dead e No More Heroes 2.




Akira foi substituído por Daniel Licht, que é mais conhecido pela trilha sonora da série de tv Dexter, o trabalho dele não é nada ruim, e admiro ele ter mantido seu próprio estilo ao invés de tentar imitar Yamaoka, mas como disse antes, Akira era a alma e o coração da série, se você tira ele, o jogo acaba se tornando uma sombra do que era antes.


E quanto menos falarmos da música do Korn como material de divulgação no jogo, melhor.

Sobre o novo jogo que será lançado em 2016 pelas mãos habilidosas de Hideo Kojima e Guillermo Del Toro, caso decidam tirar Licht, espero muito que Yamaoka volte para a trilha, caso contrário, eu ainda tenho um nome que pode encaixar lindamente em Silent Hills.

Se lembram das inspirações que comentei no inicio do artigo? então, Trent Reznor do Nine Inch Nails virou compositor de filmes agora, e ganhou um Oscar junto com Atticus Ross em 2010 pela trilha de A Rede Social.

Reznor já fez trilhas de videogame antes, como o clássico Quake e o pouco inspirado Call of Duty: Black Ops 2.


E ao ouvir a trilha de Garota Exemplar, acho que Reznor poderia muito bem fazer a trilha de um Silent Hill, e se juntar Yamaoka e Reznor teremos a melhor trilha da história.


Imaginem as possibilidades!!!


No próximo artigo farei um top 7 dos meus jogos favoritos da série.