terça-feira, 9 de junho de 2015

Rumo à Surdez: Discografias Comentadas.
Banda da vez: Florence + The Machine



Eu não ficaria surpreso ao ver seu estranhamento ao ler a banda que escolhi (há não ser que você seja um fã). Pois é, eu também teria esse estranhamento há algum tempo atrás, mas eu tenho uma razão para tê-la escolhida.

A primeira vez que vi Florence and The Machine foi no Rock in Rio 2013, se não me engano, e minha primeira impressão foi:

- Que diabos de merda Hippie é essa?

E eu mantive essa impressão por muito tempo, até que vi o trailer da quarta temporada de Game of Thrones, e uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a música escolhida, o nome dessa 
música é Feral Love da cantora Chelsea Wolfe (que ganhará seu próprio rumo à surdez um dia).


Eu me interessei muito pelo estilo sombrio da faixa, e fui ler os comentários para ver se alguém recomendava uma música semelhante. Até que li um comentário dizendo: “ótima escolha, mas a música do trailer da segunda temporada ainda é a melhor”. Como tenho muito tempo livre, resolvi procurar qual música tocava no trailer da segunda temporada, então me deparei com Seven Devils de Florence and The Machine, e novamente minha primeira impressão voltou, mas fui escutar assim mesmo.

E como eu estava errado.

Seven Devils me sugou num buraco negro musical, ela é assustadora, bonita e épica ao mesmo tempo, eu ouvi umas dez vezes seguidas sem parar. Então fui dar uma segunda chance a banda e ouvir os álbuns.

Vale dizer que comecei a escrever essa postagem em novembro de 2014, mas decidi manter na gaveta até o lançamento do novo álbum agora em junho de 2015.

Primeiro, uma resumida da banda.

Florence and The Machine é uma banda inglesa formada por Florence Welsh e Isabella Summers com outros diversos artistas (são muitos para serem citados), a banda teve maior reconhecimento com o BBC Introducing, um selo destinado a novas promessas do cenário musical britânico.

Definir o estilo do conjunto é bem difícil, sendo que o som é bem eclético, eu diria que pode ser definido como indie, art, baroque, folk, soul, rock e pop, depende da faixa também, elas geralmente são bem distintas uma das outras, e esse é um dos fatores que eu amo nessa banda.

Você não fica meio irritado ao ouvir um álbum ao notar que todas as músicas são variações de uma só (geralmente a primeira)? Pois eu fico, mas com uma banda como essa, se eu não gostar de uma faixa, eu posso adorar outra que está no mesmo álbum.

E sem mais delongas, vamos aos trabalhos:

Lungs
Data de Lançamento: 06/07/2009
Duração: 46:15 mins.

 Essa capa ajuda muito na minha primeira impressão.

Lungs foi um grande debut em 2009, que foi um ano muito bom musicalmente falando, tivemos Humbug do Arctic Monkeys, Resistance do Muse e a volta do Alice in Chains no ótimo Black Gives Way to Blue, tudo bem que tivemos o nascimento do anticristo musical Justin Bieber na música pop, mas vamos esquecer disso. O álbum recebeu ótimas resenhas dos críticos e vendeu mais de três milhões de cópias (o que é alto hoje em dia, com a internet e downloads gratuitos por ai).

O disco começa com Dog Days are Over, a favoritinha do público, tanto que quando passou na Mtv, as vendas no Billboard 200 passaram do número 44 para 14. E pra ser sincero, eu não gosto dessa música, eu entendo porque tantos a amam, ela é uma canção hiper feliz e que marca a realização de muitas pessoas (dá pra saber pelo titulo). Eu não gosto muito do jeito que ela soa, essa sim me parece a mega indie hippie faixa do álbum, mas é possível notar algumas coisas sobre a banda ao ouvi-la: os vocais de Florence são ótimos e o uso de instrumentos não convencionais, como a harpa.


Rabbit Heart (Raise it Up) por outro lado, é uma das minhas favoritas, com uma letra meio estranha (ela está falando de sacrificar animais?), mas um refrão poderoso e mostrando o poder vocal de Florence, pra mim ela é onde realmente o álbum começa a ficar interessante e diferente de outras bandas que ouvimos hoje em dia.


I’m Not Calling You Liar é uma música mais calma que sua antecessora, a letra é mais simples e ela soa muito mais indie, mas ainda é uma faixa muito boa.

Howl é uma música poderosa, novamente com um vocal fantástico e um ótimo uso de violinos, também um dos pontos fortes do álbum.

Kiss With a Fist foi o primeiro single e foi usado em milhares de filmes e séries aquele ano, é uma música bem divertida e chiclete, apesar de uma letra um tanto polêmica (Lei Maria da Penha foi a primeira coisa que veio a minha cabeça ao ver esse titulo)

Girl With One Eye também tem uma letra sugestiva (foi a única música escrita por apenas pelos rapazes da banda), em minha visão sobre ela, essa música fala sobre um serial killer e um cadáver de uma mulher que ele matou (minha interpretação, não vai sair por ai dizendo que é isso mesmo). Pois é, seja lá qual for o significado, é bem sombrio. A parte vocal e instrumental: ótimas como sempre.

Drumming Song está no time refrão poderoso +  parte instrumental fantástica, o refrão é sem dúvidas um dos melhores que já ouvi nos últimos anos “Louder than sirens,Louder than bells, Sweeter then heaven and Harder then hell” e os sons das batidas fazem isso tudo mais épico.


Between Two Lungs é uma música bem bonita e calmante, mas fica na sombra de Drumming e da próxima música. Então ela acaba não sendo tão memorável assim.

A primeira vez que ouvi Cosmic Love, achei a melhor faixa do álbum de longe, mas atualmente ela não me agrada tanto assim. Ela não tem defeitos, é só que eu ouvi ela milhares de vezes. Eu diria que o que faz essa música especial são aquelas quatro batidas, se você ouviu você sabe quais eu estou falando.  E a conclusão: perfeita, uma das melhores conclusões que já ouvi, com a harpa e som de fogos de artificio.


O interessante de My Boy Builds Coffins é sua letra, pra mim ela está falando sobre a morte como a única unificadora do mundo, ela é a única verdade sobre a vida e não importa sua cor, riqueza, sangue, crenças ou ideais, a morte é a única coisa que prova que somos todos iguais. Melhor Trecho:

“My boy builds coffins for the rich and the poor
Kings and queens have all knocked on his door
Beggars and liars, gypsies and thieves
They all come to him 'cause he's so eager to please

My boy builds coffins he makes them all day
But it's not just for work and it isn't for play
He's made one for himself
One for me too
One of these days he'll make one for you”




Hurricane Drunk é a letra mais comum do disco, então o significado dela é bem óbvio, o refrão é bem decente e memorável, mas ela perde alguns pontos por ser normal demais.

Blinding é a última música épica do trabalho, não é tão boa quanto às outras faixas épicas do álbum, mas não decepciona.

You Got The Loveé um cover de The Source, uma banda de New Wave. Eu odeio a original, já digo agora, aquela batida eletrônica é extremamente irritante, então eu diria que esse é um dos poucos covers que são melhores que a original. Com um som bem Indie rock e ótimos vocais, You Got The Love é uma das favoritas dos fãs, e sinceramente, acho que já podem incorporar essa música apenas a Florence.


Comentando rapidamente as músicas extras da versão Deluxe: Bird Song me lembra bastante Between Two Lungs, é uma boa música, mas não acrescenta muito ao álbum, Falling é bem chatinha e monótona, Hardest of Hearts não me empolgou muito, é uma música que parece ter potencial, mas é a mesma coisa do inicio ao fim, Heavy in Your Arms (da trilha de ugh! Eclipse da Saga Crepúsculo, é uma música muito boa, mas que perde um pouco da seriedade tentando fazer Crepúsculo parecer algo épico).

Pontos Altos: O álbum inteiro é ótimo, têm algumas músicas que eu pessoalmente não gosto, então ao criticar o álbum como um todo, acho que ele não tem pontos fracos definitivos.

Pontos Fracos: Pra mim, Dog Days are Over.

Nota Final: 10/10

Ceremonials
Data de Lançamento: 31/10/2011
Duração: 55:58 mins.



Ceremonials foi um álbum bem mais pop e fez muito mais sucesso, tanto que alcançou 1º lugar na UK Album Charts e em sexto na Billboard 200, e foi indicado a dois Grammys por Shake it Out. 

Only if for a Night é uma boa canção pop, mas nada de especial, ela começa a ficar mais animada depois de 3 minutos e não chamou minha atenção até a terceira vez que ouvi.

Shake it Outé a musica mais reminiscente de Lungs , ela tem vocais fortes em um ótimo refrão, uma letra sobre superação (assim como boa parte de Lungs), um dos maiores singles do álbum e uma das mais famosas da banda, vi até minha mãe cantarolando essa já. Eu gosto mais dessa de que Dog Days are Over, se a mensagem é igual, o som ao menos é bem melhor.


What the Water Gave Me é uma das melhores da banda, instrumentalmente perfeita, com uso da harpa e da guitarra, foi o primeiro single do álbum e foi muito bem recebida pela critica. O tema de vida e morte são bem recorrentes no trabalho de Florence, nesse caso, a água é como a vida, e realmente boa parte de nossos corpos são formados por água. Nossas vidas são frágeis, a água pode lhe salvar num deserto, e te matar em um oceano.


Never Let me Go, apesar de um refrão bem memorável, não me agrada muito. Eu realmente não gosto de Breaking Down, ela me parece bem genérica e entediante em comparação com as outras faixas. Lover to Lover é boa, uma das mais animadas do trabalho.

No Light, No Light é bem famosa, a letra não tem nada demais, mas o refrão é muito bom e é uma música bem poderosa.


Agora sim, Seven Devils é uma das minhas músicas favoritas da vida, ouvir isso a meia noite a primeira vez foi bem assustador, mas também foi fascinante. O começo com o piano, junto com os vocais fantasmagóricos de Florence e a batida no fundo faz essa ser a música perfeita se você está prestes a ser executado (isso foi bem mórbido).

O refrão é fantástico, com um vocal de Florence combinado ao coral, faz tudo ser muito mais épico, a letra é assustadora, mas com muito significado. O primeiro pensamento com essa música é sobre os sete pecados capitais, todos temos demônios em nossas cabeças, podemos lutar contra esses demônios ou ser controlados por eles.

Também pode ser considerado uma vingança de proporções gigantescas, em diversos trechos como “ And no rivers, and no lakes, Can put the fire out, I’m gonna raise the stakes, I’m gonna smoke you out” e “What has been done,Can’t be undone, In the evil’s heart, In the evil’s soul”. Isso parece letra de heavy metal, para uma banda de som indie, isso é muito a dizer. Seven Devil tem vários significados, e eu amo musicas com diferentes interpretações .

Junto com o próprio tema da série, considero Seven Devils a melhor música associada ao mundo de As Crônicas de Gelo e Fogo, e vendo varias montagens na internet, dá pra ver que a série e essa música caem como uma luva.


Heartlines mantém o nível épico, com um refrão incrível e uma batida contagiante.


Spectrum foi a primeira música da banda que lembro de ter ouvido, apesar de meu preconceito com o estilo da banda, eu tinha admitido que o refrão era muito bom, minha opinião meio que se manteve (exceto a parte do preconceito), o refrão é muito bom, mas o resto da música não me impressiona muito, e acho desnecessariamente longo cinco minutos de "Say My Name!!", e ninguém dizendo "Heisenberg" e "You Goddamn Right!!" depois.


Só consigo imaginar Walter White fazendo balé ao ouvir essa música

All This and Heaven Too é uma boa música romântica, e Leave my Body é semi-épica, é boa mas poderia ser melhor, e acho que não foi uma boa conclusão, sempre achei que um álbum devia deixar o melhor para o final, se terminasse com Seven Devils, seria muito épico.

Menção rápida as faixas extras da versão Deluxe: Remain Nameless é uma música bem eletrônica, eu não gostei muito, achei meio genérica, ainda mais vindo de alguém como a Florence; Strangeness and Charm é muito boa, até me pergunto por que tiraram do produto final, é memorável e divertida; e Bedroom Hymns soa bem estranha, com uma letra misturando religião(cristianismo) com... bem... sexo, é bem polêmico, mas é uma ótima música pelo quanto diferente ela é.


Em suma, Ceremonials é um ótimo álbum, é surpreendentemente diferente de Lungs, é mais pop, mas também é muito mais sombrio, algumas faixas mais fracas o impedem de ser melhor que o álbum anterior, mas ainda é um trabalho poderoso e melhor que a maioria da música pop atual.

Pontos Altos: Seven Devils, Shake it Out, Lover to Lover, Heartlines.

Pontos Fracos: Breaking Down.

Nota Final: 9,5/10

Vale mencionar três músicas que foram lançadas no intervalo de tempo entre Ceremonials e o último álbum, são essas:

Breath of Life é tão boa que sozinha é melhor que o filme em que faz parte da trilha sonora(Branca de Neve e o Caçador), e o maior diferencial é saber que a letra ao invés de se inspirar no óbvio (nos heróis da trama), a música se inspira na vilã do filme, mostrando muita humanidade em alguém que pretende fazer algo grande, mas terrível ao mesmo tempo, é só ver no trecho:

"I was looking for a breath of life, a little touch of heavenly light, but all the choirs in my head sang no oh oh oh"

Isso na minha visão, é sobre alguém planejando algo, com sua consciência tentando falar mais alto, mas morrendo pelo desejo que foi mais forte. Outro trecho que evidencia isso é:

"And my heart is a hollow plain, for the devil to dance again"

Eu não sei vocês, mas alguém dizendo que "seu coração é um lugar vazio, para o diabo dançar novamente", não me parece ter boas intenções.

E pra mim é isso que faz essa música tão boa, ela te coloca na pele de um vilão/vilã, e te faz sentir ótimo com isso, é uma música poderosa e assustadora, assim como os melhores vilões.


Ela fez participação com o DJ Calvin Harris na canção Sweet Nothing, e eu só gosto dessa música por causa dela mesmo, pois eu jamais ouviria Calvin Harris em sã consciência, mas okay moça, você faz essas participações nada a ver, e eu tenho que ouvir.


Over the Love faz parte da trilha sonora daquele sonífero chamado O Grande Gatsby de 2013, aquele com Leonardo diCaprio fazendo o papel de Leonardo DiCaprio, é uma ótima música romântica,a voz de Florence realmente soa apaixonada, que é o que eu gosto numa música romântica, emoção real e devoção com a letra e vocais.


How Big, How Blue, How Beautiful
Data de Lançamento: 01/06/2015
Duração: 48:46 mins.



Após longos quatro anos, o terceiro álbum foi lançado no dia 1 de Junho desse ano (2015), a produção foi um tanto complicada, Florence passou por um hiato de 12 meses e disse ter passado por alguns problemas emocionais, que inspiraram muito a composição deste novo disco, sendo considerado por ela "o trabalho mais pessoal que já fiz".

Essa resenha será bem mais rápida, e eu talvez revisite esse álbum depois, pois tive muito tempo para analisar a fundo os dois discos anteriores, enquanto esse eu tive uns dez dias para analisar ao todo, eu tenho uma ideia bastante simples do que essas letras realmente significam, então eu posso revisar o trabalho novamente após algum tempo, e colocando num Resenhas Aleatórias futuro.

O álbum começa com Ship to Wreck, a letra fala bastante desse período de tempo mencionado acima (Did i build this ship to wreck?). Um dos temas recorrentes de Ceremonials era a morte, e nesse álbum é a vida, então a grande maioria das músicas são mais animadas, o que me faz lembrar muito mais de Lungs do que o álbum anterior. Certamente é uma ótima introdução ao tom desse trabalho.


What Kind of Man começa estranha, com um vocal distorcido, que gradualmente cresce e evolui para um refrão muito bom e memorável e uma parte instrumental muito interessante, é uma das músicas mais agitadas do trabalho e provavelmente vai ser a mais reconhecida pelo público. Só não gostei do videoclipe com um monte de caras tocando a Florence (e o fato que nenhum desses caras sou eu).


Só fazendo um adendo totalmente desnecessário e que você pode (deve) pular: Eu não acho a Florence especialmente bonita, acho que ela tem o corpo de uma mulher de 20 e poucos anos e tem cara de uma tia de 40 anos, mas mesmo assim, eu sou muito mais atraído por talento do que beleza (não que eu dispense um pouco de beleza), e ela certamente providencia bastante no departamento de talento, além do mais, ela me assusta um pouco, que é algo que eu tenho uma estranha atração.

How Big, How Blue, How Beautiful é muito reminiscente de Lungs, com uma letra bem mistica e uma parte instrumental fascinante fazendo dessa a faixa mais épica ( ainda que muito calma) do álbum.

Queen of Peace é atualmente minha favorita do disco, talvez minha música favorita do ano até esse ponto, Welch tem um talento natural para fazer refrões, e este é o melhor do trabalho, eu notei muito o uso de trombetas (ou trompetes, sei lá) nesse disco, e apesar de parecer uma escolha estranha de instrumento, funciona perfeitamente aqui.

[ATUALIZADO] A banda finalmente lançou Queen of Peace oficialmente no You Tube, que você pode escutar nesse videoclipe conceitual que eu jamais irei assistir de novo (exceto pela nudez da Florence em certo ponto).


Various Storms and Saints é uma peça mais calma e sóbria, com um trabalho de guitarra bem interessante, a letra sobre superação é o melhor trabalho lírico do álbum, e se tornou minha segunda música favorita do disco,

Delilah é bem energética e divertida, também destinada a ser um dos sucessos desse disco.


Long & Lost é uma música estranhamente tímida, os backing vocals de Isabella Summers são um dos melhores fatores dessa faixa, mas não é tão memorável quanto o resto do trabalho.

Eu não gostei muito de Caught, não é uma música ruim de forma alguma, mas me soou muito normal, algo que qualquer outra artista poderia cantar e passar despercebida. Sobre Third Eye, esse "an original lifeline woah up whoah up" me pareceu muito comum, não faz muito o meu estilo, mas não posso dizer que é uma música ruim, o estranho é que eu justamente desgosto do refrão, e acho o resto da música bem legal.


St Jude não é uma faixa que eu especialmente goste, mas acho interessante notar que religião é um dos temas deste trabalho, não tem absolutamente nada a ver com música gospel antes que alguém se pergunte, ainda mais que eu sempre pensei que Florence fosse uma bruxa, é por isso que eu gosto dela inclusive, ela tem uma presença mistica muito forte, mas deixa pra lá, só estou divagando.


Mother termina muito bem o disco, com uma mistura dos tons desse trabalho, a faixa é calma, logo depois se torna agitada, tem um tema um tanto religioso, e com um trabalho instrumental muito bom, é uma boa conclusão.


Algumas faixas extras da versão Deluxe: primeiro temos Hiding, que foi um pecado terem tirado do produto final, é certamente a melhor música pop do trabalho. Make Up Your Mind também é uma ótima faixa que você só vai escutar se gastar um dinheiro a mais ou baixar da internet como eu sei que a maioria vai fazer, eu inclusi...quer dizer, obvio que eu gastei os olhos da cara pra ouvir três músicas a mais, nem sei que parada é essa de pirataria. E por último Which Witch que também é uma ótima música que você não vai poder ouvir, e que prova de vez minha teoria que Florence é de fato uma bruxa.

Em resumo, o que eu sinto por esse álbum é o mesmo que sinto por Humbug do Arctic Monkeys, se tivessem trocado algumas músicas do álbum pelas músicas extras (Caught por Hiding e Long & Lost por Make up Your Mind), esse talvez seria o meu favorito da banda, mas como isso não ocorreu, vai perder alguns pontos.


Apesar de How Big, How Blue, How Beautiful não ter tantas músicas épicas e memoráveis quanto Ceremonials e Lungs, é um disco com charme e identidade própria, é meu favorito do ano até esse ponto, e vendo os lançamentos que vem por ai, eu duvido muito que eu vá mudar de ideia até o final do ano.

Nota: 9/10

Se bem que:


Tem outra bruxa vindo por ai.

Alias, meu quarto acabou de ficar mais escuro do nada enquanto ouvia essa música.


Até a próxima!








sexta-feira, 15 de maio de 2015

Resenha: Mad Max: Estrada da Fúria



Direção: George Miller
Data de Lançamento: 14/05/2015


É raro quando você presencia algo que é tão bom que chega a doer, você fica procurando erros por todo o lugar, ou se perguntando se o filme é real, isso porque esse filme não tinha como ser bom.
Veja bem, ele demorou anos para ser filmado (ele ia começar a ser filmado em 2003 na Namíbia, mas a guerra do Iraque impediu isso, e Mel Gibson preferiu fazer a Paixão de Cristo). O diretor George Miller dirigiu apenas filmes infantis desde 1998 (Babe e Happy Feet), o que fez parecer que ele tinha desistido do cinema de ação de vez, todos os outros projetos associados ao nome dele tinham sido cancelados (Liga da Justiça), e faz 30 anos desde o último Mad Max, o que poderia criar desinteresse do público mais novo, que provavelmente não conhecem a trilogia.


Mesmo com todos esses problemas, Mad Max: Estrada da Fúria conseguiu ser o melhor filme que vi esse ano até agora.

A história é bem simples, mas totalmente efetiva, Max (dessa vez interpretado por Tom Hardy) é capturado por uma sociedade de malucos que seguem religiosamente a palavra do vilão Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne, que fez o vilão Toecutter no primeiro Mad Max), Max fica escravizado por um tempo, mas recebe a chance de escapar quando Furiosa (Charlize Theron, sendo linda até careca) se rebela contra Immortan e leva seus "tesouros" com ela na esperança de encontrar uma vida melhor. Immortan convoca seus "War Boys" para irem atrás dela, e se inicia uma perseguição de carros que dura o filme inteiro.

Tom Hardy como Max Rockatansky

Pode parecer excessivo na minha descrição, mas a direção primorosa de George Miller consegue deixar tudo no lugar certo, a caracterização do mundo e dos personagens fica integrada a perseguição, você entende como aquele mundo funciona, e como aqueles personagens se sentem, por identidades visuais e diálogos espertamente colocados, sem precisar de diálogos expositivos, o filme se conta, e te dá tudo que você precisa saber.

O vilão Immortan Joe

Outro fator mega importante foi a trilha sonora, composta por Junkie XL, que geralmente fazia remixes e não compôs nenhum filme grande até esse, fiquei descrente quando anunciaram o nome dele para a trilha, mas queimei a língua bonito, a trilha sonora de Mad Max é provavelmente minha favorita do ano até agora. Em faixas que exaltam a pura loucura e violência desse mundo, mas também transmitem muita emoção, destaque para a faixa Brother in Arms.


Ele é um exemplo de como se faz um filme de ação, um dos problemas que tenho com a franquia Velozes e Furiosos (citado no último artigo) é o uso abusivo de CG, o que tira o senso de realidade da cena e faz ela ser ineficiente, aqui 80% das cenas são efeitos práticos, você sente as batidas, os cortes e as explosões, porque elas realmente aconteceram, e a ação se torna muito mais real e eficiente, os efeitos especiais só são usados como pano de fundo, principalmente na cena fantástica da tempestade de areia.


A fotografia/cinematografia é estupidamente linda, é o filme pós-apocalíptico mais colorido e cheio de vida e energia já feito, há cenas que parecem uma pintura, e isso não atrapalha a caracterização do mundo, ainda é um mundo sujo e cruel, mas é o mundo sujo e cruel mais bonito que já vi, o filme tem muito a estética de uma Graphic Novel.

O andamento do filme é absurdo, fiquei tão grudado na poltrona do cinema que quase me tornei a poltrona, uma forma de descrever o filme é o seguinte: Ele te chuta dentro de um carro, já começa acelerando absurdamente e não para por uns 20 minutos, ele te dá momentos para respirar (porque você morreria de asfixia caso contrario) mas nunca desacelera, e nos momentos certos ele aciona nitro para mais uma viagem de perder o folego.

Quem precisa de rádios quando se tem um caminhão de som com um guitarrista ao vivo.

Houveram discussões imbecis reclamando que a personagem de Charlize Theron tem mais importância que o próprio Max, isso é de certa forma verdade, mas acredito que essas pessoas não entenderam a essência de Mad Max. Ele é uma entidade, é aquele que tenta sempre se afastar de problemas e pessoas, mas sempre é jogado nessas situações de perigo, ele está destinado a agir, ou seja, Max pode ser louco, mas é constantemente obrigado a ser um herói. No segundo e terceiro filmes, as histórias são contadas por pessoas que conheceram Max nesse mundo destruído, ele é o Road Warrior, e isso é um titulo que outros deram para descreve-lo, somente o primeiro Mad Max era realmente focado na história de Max, as sequências são sobre essa entidade que ele se tornou, tanto que no final de Road Warrior e Thunderdome ele se afasta daqueles que ajudou e vai procurar novas aventuras.

Charlize Theron como Imperatriz Furiosa

Há não ser que você tenha sentido que sua masculinidade foi ameaçada por Furiosa, se esse for o caso meu amigo, talvez você não seja tão homem assim, ou seja só um babaca que acha que mulheres não deveriam ter importância na trama. A personagem é forte e a única ali que Max se identifica, alguém que teve uma vida difícil mas ainda tenta ter esperanças (apesar de Max dizer que abandonou a esperança, sabemos que é mentira), há alguns momentos surpreendentemente tocantes entre os personagens, Miller tem experiência com filmes mais emocionais, e apesar de 80% desse filme ser insanidade pura na tela, temos uns 20% de humanidade necessários para nos importarmos com o destino desses personagens.

A violência é algo que não desaponta, não faria sentido fazer um filme classificação 14 anos, o mundo em que Max vive é violento e brutal, e não é exagerado e gratuito como muitos outros filmes "adultos" dizem ser (filmes que só moleques de 13 anos vão achar surpreendente), não tem nenhuma cena chocante, talvez com exceção do destino do vilão, que apesar de não ter sido sangrento, foi uma ideia bem perturbadora, tanto que fiquei com dor no queixo só de ver.

Mad Max: Estrada da Fúria mostra uma beleza caótica, provando que até excesso pode ser algo bem feito se estiver em mãos habilidosas, recomendo que veja no cinema com som alto, o filme é tudo que ele precisava ser: Explosivo, Rápido e Louco.




"Testemunhe!"



Nota: 10/10

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Por que a franquia Velozes & Furiosos faz tanto sucesso?
Parte 1



Olá pessoal!

No mês passado estreou o filme Velozes & Furiosos 7, e se tornou a 4ª maior bilheteria da história do cinema, ultrapassando Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2, a série sempre foi popular, mas ao ponto de estar na lista de maiores sucessos? eu precisava fazer uma pesquisa maior para saber as razões dessa franquia ser o enorme sucesso que é.

Isso porque sempre tive uma opinião muito neutra sobre os filmes da franquia, alguns eram ruins, outros eram no máximo legais, mas nunca achei que fosse uma série realmente ótima e merecedora de tanto apreço, ou seja, não sou um fã, então resolvi ver todos os filmes da franquia e pesquisar vários aspectos para ver a grande fórmula que se formou e resultou na quantidade enorme de verdinhas em que o estúdio Universal deve estar nadando agora como o Tio Patinhas.

Outra é que muitos amigos e conhecidos meus são grandes fãs da franquia, eu vou usar muito de minhas observações sobre essas pessoas para o entendimento.

Primeiro analisarei os filmes, depois farei um apanhado para tentar explicar o motivo da franquia ter tanto prestígio com o público, eu inicialmente faria um artigo só, mas percebi que o texto estava ficando muito extenso, então decidi dividi-lo em duas partes.

O primeiro filme foi lançado em 2001, dirigido por Rob Cohen, diretor de Coração de Dragão (aquele com o Sean Connery fazendo a voz de um dragão num CG que envelheceu muito mal), o roteiro foi escrito por quatro pessoas: Gary Scott Thompson (O Homem Sem Sombra), Erik Bergquist, David Ayer (diretor do recente e ótimo Corações de Ferro) e Ken Li (escritor de uma revista de carros).


No filme, um policial em Los Angeles chamado Brian O'Conner (Paul Walker) se infiltra no mundo das corridas de rua para investigar o roubo de caminhões com carga de materiais eletrônicos, mas acaba criando uma amizade com Dominic Toretto (Vin Diesel) e sua família (que são os acusados do roubo),então O'Conner fica dividido entre seu dever e essa amizade.

A primeira vez que eu vi Velozes e Furiosos eu tinha 5 anos de idade, e na época eu lembro de ver o filme só por causa dos carros e das corridas,  a história não era lá muito complicada para uma criança entender (os americano de carro são do bem e os china de moto são do mal), mas não ligava muito para a relação de amizade entre os personagens.

O sentimento que tive revendo o filme foi muita nostalgia, em cada inicio de década, é notável que os filmes demoram uns três anos para ganharem uma cara própria, isso porque Velozes & Furiosos ainda parece um filme de ação dos anos 90. As cores, a moda, o estilo e a trilha sonora de Hip Hop, Techno e Industrial Metal fazem o filme ser um tanto datado, mas também é um exemplo de como filmes de ação eram feitos naquela época.

Um elogio que tenho que fazer é para o trabalho dos reais motoristas por trás dessas manobras, aquela cena inicial onde o carro vai para baixo do contêiner do caminhão é muito bem feita, infelizmente o filme também usa muito CG (Computação Gráfica) e atualmente é muito perceptível  quando você nota que os atores estão parados, enquanto no fundo da tela está um efeito especial para simular velocidade que não é muito convincente, principalmente naquela primeira corrida de rua.


Isso cria um grande contraste, pois você nota quando as manobras são reais e quando elas são falsas, logo depois desse corrida temos uma perseguição policial muito melhor filmada e muito mais convincente, mesmo nós sabendo que os atores só estão fingindo fazer tudo aquilo (na verdade são motoristas profissionais especializados nesse tipo de cena), essas cenas reais dão uma ilusão muito mais trabalhada.



Nenhum dos atores faz muito barulho com suas atuações, são personagens bem comuns, mas eles funcionam na trama, temos O'Conner, o policial infiltrado um tanto bobão por não "manjar" do mundo do crime (Paul Walker), Toretto, o criminoso com coração de ouro (Vin Diesel), Letty, a mulher macho (Michelle Rodriguez, que construiu uma carreira fazendo esse tipo de papel), Mia, a irmã preocupada do criminoso (Jordana Brewster, que tem sangue brasileiro) e outros como o hacker, o irritadinho e o vilão mimado.

Os atores pelo menos conseguiram dar personalidade para os personagens, tem até uma cena onde é só um churrasco entre eles,apesar de ser uma cena curta e não ter nenhuma importância maior para a trama, é um bom toque de humanidade em personagens que poderiam perigosamente parecer robóticos e ter desinteresse do público.


As duas últimas cenas de ação (o assalto do caminhão e a corrida final) são bem tensas, e usam pouco CG, fazendo um final bem eletrizante e provavelmente são a melhor parte do filme.

O filme também mostrou bastante da cultura do Tuning e de corridas ilegais, é obvio que vários idiotas se inspiraram e provavelmente morreram em acidentes após fazerem rachas, além daqueles pé no saco com carro rebaixado que demoram três anos para passar um quebra mola e com um som ensurdecedor tocando funk as três horas da manhã, mas eu não posso culpar o filme por esse tipo de atitude, até um filme clássico como Laranja Mecânica inspirou um monte de malucos a cometerem vandalismo e violência.

Meu veredito sobre o primeiro Velozes & Furiosos é que ele é um filme um tanto idiota, mas ele certamente é divertido, apresentando boas cenas de ação e personagens razoáveis e fáceis de se identificar.

Nota: 7/10



Uma reclamação comum  que muitos críticos apontaram é que o filme parecia um remake de Caçadores de Emoção, filme de 1991 estrelado por Keanu Reeves e Patrick Swayze, e de certa forma, isso é verdade.


Vejam bem, na trama, um policial em Los Angeles chamado Johnny Utah (Keanu Reeves, em seu primeiro papel num filme de ação) se infiltra num grupo de surfistas suspeitos de serem ladrões de banco (que usam mascaras de ex-presidentes dos EUA nos roubos), mas Utah acaba criando uma amizade com o líder do grupo chamado Bodhi (Patrick Swayze) e fica dividido entre seu dever e essa amizade.

Deu pra ver as semelhanças? é só trocar o surf por carros e você tem o mesmo filme.

Bem, você poderia argumentar que corridas são bem mais legais que surf, mas Caçadores de Emoção tem seu próprio charme, ele também é um produto de seu tempo, tendo a estrutura de um filme de ação dos anos 80, mas com a moda, estilo e trilha sonora tipica dos anos 90 (Grunge, Hard Rock).

Apesar de Keanu Reeves ser um ator bem limitado, ele faz um bom trabalho com a quantidade necessária de personalidade para o público simpatizar com ele, e apesar de ser difícil imaginar Patrick Swayze como um surfista (afinal, ele é o cara do Ghost e do Dirty Dancing), eu achei que ele fez um personagem bem legal, não muito convincente, mas com uma dose certa de caracterização.

O fator do personagem estar com a lealdade dividida também é melhor feito aqui, pois Utah tem um parceiro na policia, o que fez ele ficar mais em dúvida em quem ele deveria seguir, além do romance melhor trabalhado, mas também muito corrido.

O filme não tem tanta ação quanto ''Velozes", mas as poucas cenas de ação fazem um trabalho incrível, a diretora Kathryn Bigelow consegue filmar essas cenas com ótimos enquadramentos e com uma ótima edição, fazendo essas cenas serem bem tensas e eletrizantes, além do filme não usar CG e apenas usar o trabalho dos atores e dublês, o que é sempre melhor para um filme de ação.

Tem uma cena de Skydiving bem maneira, e eu imagino como diabos filmaram essa cena na época? hoje em dia temos Go-Pro pra fazer isso, mas em 1991 você tinha aquelas câmeras grandes e pesadas.


Além do mais, esse filme tem mais nudez e violência, e uma cameo hilária do Anthony Kiedis (vocalista do Red Hot Chilli Peppers).

"Under the bridge downtown
Is where i drew some blood"

O final foi mais trágico e efetivo que eu imaginei que seria, Caçadores de Emoção é um filme bem superior a Velozes e Furiosos, mas ainda é um tanto idiota, afinal, são SURFISTAS que assaltam bancos, o foco aqui ainda é a diversão, e o filme faz isso perfeitamente.

Nota: 8,5/10

Apesar de Caçadores de Emoção ter sido um sucesso em 1991, o filme nunca ganhou uma continuação, e na época ele foi um filme bem popular, o que mostra que o público gosta desse tipo de história, onde um personagem que segue a lei precisa se infiltrar e acaba criando uma amizade com aqueles que ele deveria prender, percebendo que ele pode encontrar amigos, amor e entendimento até em lugares onde não se espera encontrar nada disso.


Eu aposto que os roteiristas de Velozes são grandes fãs de Caçadores de Emoção, como o filme nunca ganhou uma sequencia, me parece que eles quiseram fazer sua própria, mas dessa vez com carros.

Então, com o sucesso do primeiro filme, veio a sequência de Velozes & Furiosos em 2003, com um titulo bem imbecil, + Velozes + Furiosos (2 Fast 2 Furious no igualmente imbecil original), eu aposto que colocaram esse titulo por que ia ser "muito loko dahora e descolado, véi" e o público jovem da época ia adorar.


O filme infelizmente é o pior da série, tanto que Vin Diesel recusou 25 milhões de dólares porque achou o roteiro inconvincente, Rob Cohen estava fazendo Triplo X e John Singleton assumiu a cadeira de diretor, apesar dele ter sido indicado ao Oscar por Os Donos da Rua em 1991, quase todos os filmes dele após esse foram bem ruins.

O filme não evolui em absolutamente nada do primeiro, é apenas uma aventura esquecível que parece mais um episódio de Miami Vice do que uma adição importante na franquia, na trama, Brian O'Conner (Paul Walker) se une com um antigo amigo de infância chamado Roman Pearce (Tyrese Gibson) para se infiltrar e prender um traficante de drogas poderoso em Miami.

Policias parceiros (um branco e um negro) contra o crime em Miami, acho que já vi isso em algum lugar.

Primeira das várias criticas que tenho que fazer, é o uso abusivo de CG, a corrida de rua no inicio do filme é ridícula de tantos efeitos especiais que dataram pessimamente, parecia mais que eu estava vendo um gameplay de Need for Speed Underground 2, do qual eu preferia estar jogando do que vendo essa perda de tempo.

Eu podia jurar que essas imagens são de um game de PS2, mas são do filme mesmo

Nenhuma das cenas de ação realmente empolga, o que é um grande pecado para um filme de ação, nunca senti tensão, adrenalina ou preocupação nenhuma durante o filme.

A personalidade de O'Conner muda totalmente nesse filme, se comparar com o filme anterior e com os posteriores, é notável que é praticamente outro personagem, isso é sinal de um mal roteiro e pouco controle do diretor, pois me parece muitas vezes que os atores não sabem que tipo de personagens eles deveriam fazer. a substituição do Vin Diesel pelo Jacaré do É o Tchan também me pareceu muito estranha.

 Isso foi uma piada, mas ele realmente parece o Jacaré

Pra falar a verdade, ele talvez seja o melhor personagem do filme, pois ele pelo menos é engraçado e salva esse filme de não ser completamente genérico e inútil, e ele e Paul Walker parecem estar se divertindo um monte no filme, muitos diálogos são improviso desses atores, isso porque eles mal tinham um roteiro para trabalhar em cima, o vilão é tão medíocre que eu nem lembrava mais quem ele era após 10 minutos do término do filme.

A piada do ejetor foi muito boa, admito.

Ele devia falar "Segura o Tchan" quando ejetou o cara

Pelo menos temos Devon Aoki e Eva Mendes para deliciar nossos olhos, que provavelmente estariam dormindo se elas não estivessem no filme.

Devon Aoki Diliça
Eva Mendes Diliça²

No geral, o resultado de + Velozes + Furiosos é negativo, o filme é muito fraco, genérico e esquecível, faltou um pouco de Diesel para esse carro andar, e acho que nem assim ia andar.

Nota: 2 Fast + 2 Furious = 4/10



Apesar dos críticos e muitos fãs terem desgostado (mais pela falta do Vin Diesel), o filme ainda foi um grande sucesso e uma continuação já estava confirmada.

A Universal quis mudar tudo nesse projeto, contratando um diretor novato (com apenas dois filmes anteriores) chamado Justin Lin, e com um elenco de atores jovens (Paul Walker saiu porque o estúdio achou ele muito velho para continuar na franquia).

Um problema que tenho com a franquia é que todos os filmes me lembram um produto de entretenimento muito similar já feito antes, o primeiro filme era um remake de Caçadores de Emoção com carros, + Velozes + Furiosos parecia em episódio qualquer de Miami Vice, com carros, e Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio é um remake de Karate Kid, só que com carros.

Tanto que quando o verdadeiro remake de Karate Kid foi lançado, eu lembrei mais de Desafio em Tóquio do que o próprio original.


Na trama, um estudante adolescente (apesar que o ator tinha uns vinte e pouco anos) chamado Sean Boswell (Lucas Black) participa de uma corrida ilegal contra um rival, ele perde e é pego pela policia, ele é mandado então para o pai divorciado que mora em Tóquio, e lá ele descobre um novo jeito de corrida, onde usam a técnica do Drift, ele também se interessa pela namorada do novo rival, e precisa aprender essa técnica para vence-lo, e ficar com a garota (que é uma grande interesseira, mas deixa pra lá).

Drift: técnica imortalizada pela Kombi escolar no Brasil.


É a mesma estrutura de Karate Kid, mocinho perde, mocinho aprende técnica com um mestre, e o combate final é mais uma questão de honra do que de vingança. Só faltou tocar "You're The Best Around" no final do filme.


O filme é bastante falho, os personagens são bem estereotipados e clichês(o herói que precisa aprender, o sidekick negro cheio das gírias, o vilão mimado, o mestre do herói, a mocinha, entre outros), a maioria das mulheres só estão lá para aparecerem bonitas e não tem muita importância na trama, os atores juvenis não são muito bons.

Mas o filme acerta em outras questões em que o anterior errou, o uso do CG foi bem limitado, utilizando mais cenas práticas com verdadeiros motoristas profissionais, o que eles fazem com o drift nessas cenas é de cair a boca, fazendo desse um filme de ação bem mais efetivo que + Velozes + Furiosos. O choque cultural de um americano tendo que viver no Japão foi bem executado, como o diretor é oriental, ele não exagerou em mostrar Tóquio como a cidade é, sem parecer um estereotipo americano de como é por lá (algo que errariam no quinto filme ao mostrar o Rio de Janeiro).

Um problema pessoal que tenho é que o mocinho do filme está cercado de Japas maneiras e ele escolhe a Maria Gasolina latina gostosa e genérica, até o personagem Han comenta isso.

 Todas essas Japas maneiras
E vou escolher a Maria Gasolina

E falando nesse personagem, achei ruim ele ter morrido perto do final, ele era de longe o melhor personagem do filme inteiro, o único com personalidade.


Apesar desse ser o mais odiado pelos fãs (por não ter nem Vin Diesel nem Paul Walker), Desafio em Tóquio é um filme decente, não tem nada demais e você provavelmente já viu um bilhão de filmes parecidos, mas ele é divertido e é inofensivo, além do mais, a corrida final está no mesmo nível da corrida final do primeiro filme, muito bem filmada e bem eletrizante.

E a cameo no final foi bem legal.

"Vim falar da iniciativa Corredores"

Esse filme também começou a tendencia de fazer as músicas mais irritantes do mundo se tornarem grandes sucessos, no caso, Tokio Drift de Teriwaky boyz (sim, boys com Z porque é mais descolado).


Nota: 6,5/10


Essa decisão arriscada da Universal de mudar tudo se mostrou falha, pois Desafio em Tóquio foi o filme menos lucrativo da série, não chegou a ser um fracasso, mas também não atendeu a expectativa financeira do estúdio.

Então no quarto filme, lançado três anos depois, o estúdio resolveu reunir todos os atores principais do primeiro, Vin Diesel, Paul Walker, Michelle Rodriguez e Jordana Brewster.


Na trama, Brian O'Conner (dessa vez um agente do FBI) se junta novamente com Dominic Toretto para acabar com um inimigo em comum, um traficante de drogas responsável pela morte de uma amiga em comum.

O primeiro ato do filme é muito bom, com uma cena inicial de ação animal, usando de forma balanceada CG com manobras reais, é legal ver os personagens do primeiro filme se reunindo novamente após tantos anos, com mudanças de características, O'Conner por exemplo, agora é um agente maduro e sério e não mais o rapaz meio bobão dos dois primeiros filmes e Toretto se torna mais violento e inconsequente após a morte da parceira.


O problema que o segundo e terceiro ato são bem fracos em comparação, o roteiro é uma mistura dos dois primeiros filmes, por mais interessante que seja ver esses personagens reunidos, a trama de capturar um traficante de drogas se infiltrando nos contatos dele já era genérica em + Velozes + Furiosos, isso não mudaria aqui. As cenas de ação no final não empolgam, se no inicio o uso do CG foi balanceado, aqui ele é abusado, não é tão ruim quando o segundo filme e seus gráficos de PS2 na tela,digamos que evoluímos para um PS3 agora, é um pouco melhor, mas ainda é bem falso.

A cultura do Tuning e corridas de rua já não era mais tão popular em 2009 quanto ela foi em 2001, o que fez o filme se tornar um pouco cansativo, sei que na cronologia da série, esse filme se passa na época onde essa cultura ainda era popular, mas é repetitivo ver a mesma construção de cena pela vigésima vez (passa uma gostosa, ela dá a largada, os carros partem, alguém usa nitro, close na troca de marcha, close no rosto do personagem, etc).


Em suma, Velozes e Furiosos 4 começa tão bem que o resto do filme é fraco em comparação, talvez se guardassem uma cena daquela magnitude para o final, o filme teria uma estrutura muito mais consistente.

Nota: 6/10



Mesmo o filme tendo sido um grande sucesso, o diretor soube que era preciso de uma mudança de tom para a franquia continuar viva e lucrativa, e é com essa ideia que o próximo filme nasceu.

O que posso presumir até esse ponto sobre o sucesso desses filmes:

1. O mais óbvio: o povo ama carros, especialmente aqueles que nunca irão dirigir, então é um bom escapismo ver esses carros poderosos e caros em ação.

2. É interessante ver esses personagens passando por várias fases enquanto os filmes avançam, e até a estrutura dos filmes vai mudando conforme a época, todos são produtos de seu tempo e é legal ver como os filmes de ação evoluíram desde 2001, passando em 2003, 2006 e 2009.

3. Os atores: apesar de nenhum deles seres atores/atrizes excepcionais, eles causam uma impressão , Vin Diesel, Paul Walker, Michelle Rodriguez e Jordana Brewster começaram mais ou menos na mesma época, e não tem nada de errado em fazer atuações simplórias, é um filme de ação, eles fizeram o suficiente para serem memoráveis.

Decidi continuar o restante dos filmes na parte 2, pois os filmes mudam bastante daqui pra frente, e porque as razões do sucesso vão ficar bem mais complexas.