sábado, 24 de outubro de 2015

Resenha de Silent Hill: Revelations Ressurrection Retribution Evolution 2000 3D
Parte 1 (eu não tive saco pra ver de uma vez só)


Vamos copiar até o poster do primeiro filme, porque não estamos nem tentando ser criativos mais.

Você deve estar se perguntando o quê diabos eu escrevi no titulo? isso é uma paródia aos títulos genéricos de sequências de filmes de terror, ou seja: Revelação, Ressurreição, Evolution, qualquer subtítulo que entregue que o filme é ruim.

O primeiro filme, chamado apenas de Terror em Silent Hill, foi um ótima adaptação dos games, mas não foi exatamente um filmaço, eu diria que ele é mediano, têm ótimos visuais que o diretor francês Christopher Gans (Pacto dos Lobos) é conhecido por fazer (apesar dos roteiros nunca serem nenhum primor) e boas atuações, e o modo como algumas características dos games foram apresentadas no filme funcionaram bem.

Porém, o roteiro de Roger Avary (co-roteirista de Pulp Fiction, que cortou contato com Tarantino por alegar que ele roubava suas ideais, o que eu não duvido nem um pouco), apesar de fiel aos jogos, merecia um pouco mais de cuidado com alguns pontos da trama, muitas coisas no filme acontecem sem nenhuma razão, por que diabos a personagem principal levaria a filha para Silent Hill? eu sei que a criança gritava o nome da cidade enquanto estava sonâmbula, mas não dava pra levar ela à uma psiquiatra? A maioria dos monstros fazem sentido no jogo (pois são manifestações do psicológico dos personagens), mas no filme eles estão ali apenas por estar mesmo.

Ao pesquisar mais sobre o filme, eu descobri que esse é um dos filmes que o público gostou mas os críticos odiaram, fiquei surpreso em ver o contraste no Rotten Tomatoes (site de criticas) entre a nota dos críticos e do público. E muitos conhecidos meus disseram estar bem empolgados com a sequência porque diziam ter gostado bastante do primeiro filme, e isso de gente que nem sabe que o filme é baseado num jogo.


Eu me pergunto se ele pode ser considerado um filme cult, afinal, muitos filmes foram destruídos pela critica e ganharam vários fãs depois, e ele foi um filme bem diferente do que tínhamos na época no gênero, então acho que é por isso que ele é lembrado pelo público.

Foi uma ótima ideia contratar dançarinos para fazerem os monstros, pois quem jogou sabe que os monstros de SH têm movimentos bem peculiares, apesar do CG do filme ter envelhecido um pouco mal, ele ainda tem cenas bem assustadoras, como aquela cena do banheiro:


Eu pessoalmente acho que os dois primeiros terços do filme são muito bons, pois eles preferem fazer um terror mais psicológico, focando mais no suspense, mas o terceiro ato se transforma num terror visceral e grotesco que já estou cansado de ver. Eu gostei bastante da decisão de manter as músicas do jogo no filme e não tenho nada a reclamar do casting desse filme, acho que todos os atores fizeram um bom trabalho.

Pra falar a verdade, Terror em Silent Hill foi o primeiro filme de terror que eu vi na vida, eu era um cagão foda e esse filme me deixou com pesadelos pelo menos por uma semana, então ele tem um grande valor nostálgico para mim, e foi por causa dele que me interessei nos games, então minha nota seria um 8/10 hoje, apesar de eu ver que ele tem alguns problemas, eu devo muito a esse filme.

O filme fez uma bilheteria decente, estreando em primeiro lugar nos States, custou 50 milhões e faturou 46 milhões nos EUA e 97 milhões pelo mundo. Então uma sequência logo viria, certo?

Errado, demorou cinco anos até termos a sequência do filme, o filme foi bom? Olha, se fosse, eu não estaria fazendo esse artigo agora.

Então, Roger Avary estava começando a escrever o roteiro da sequência até que um dia ele resolveu beber e dirigir, ele causou um acidente onde uma pessoa morreu e acho que ele está preso até hoje.

Pois é.

Então em 2010 a Konami anuncia que o diretor Michael J. Bassett foi contratado para dirigir e escrever a tão esperada sequência. Eu na época desanimei bonito, pois o tal Michael foi diretor daquele "ótimo" filme Solomon Kane, também conhecido não oficialmente como Van Helsing 2.

Pois é.

Mas ao ver o casting do filme, comecei a ter fé no projeto, Carrie Anne-Moss (a Trinity do Matrix), Sean Bean reprisando o papel do primeiro, Malcolm Mcdowell (o Alex de Laranja Mecânica) e Kit Harrington (o Jon Snow de GOT), pensei que talvez esse filme pudesse ser bom.

Então ele estreou em 2012 nos States (e um ano depois no Brasil, deixando muita gente puta da cara), e esse nem o público quis salvar.


Então ei irei fazer uma resenha comentada sobre o filme inteiro, pra vocês verem o que tem de errado nesse filme.

O filme começa com uma garota loira correndo num parque de diversões macabro, num filtro que obviamente confirma que isso é um sonho.


É assim que o jogo começa também, é muito melhor construído lá, mas mesmo assim, pelo menos o filme está seguindo os acontecimentos do jogo, certo?


Errado! quem diabos são esses caras? e por que estão usando tantos cintos? isso só faz vocês parecerem idiotas. De qualquer forma, ela continua correndo e se esconde.



Peraí, aquele coelho da Duracell ali atrás era pra ser o Robbie The Rabbit? Não, não pode ser, eu quero dizer, olha só o do jogo, e me diga, qual dá mais medo?


Isso é um jogo digital da era PS2 e mesmo assim é muito mais efetivo que a versão live action.

E como todo filme de terror ruim, é claro que nós temos um susto barato.


Ela continua correndo até chegar num carrossel, que é comandado pelo gente boa Pyramid Head, que estava ali para divertir as crianças que queriam andar no brinquedo.


A garota cai no chão e os cavalinhos se tornam sadomasoquistas por alguma razão.


Ela olha para cima e vê... uma versão emo gótica dela mesma!

 CRAWLING IN MY SKIN, THESE WOUNDS THEY WILL NOT HEAL

A gótica então queima todos os idiotas dos cintos com seus poderes, e então queima a garota com um CG de fogo muito mal feito.


Okay, vamos parar pra pensar por um minuto, esses foram apenas três minutos do filme, e eu já tive tudo isso pra reclamar, essa resenha vai ser longa.

 A garota acorda aos gritos e seu pai Sean Bean vai ver o que está acontecendo.

Tive um pesadelo horrível onde fui morta por um CG tosco

Fica aparente que a garota já teve pesadelos parecidos antes, e ela diz que estão chamando ela para um lugar, e Sean Bean diz que ela não deve ir nesse lugar nunca, mas então...


Uau! Sean Bean morre em menos de 4 minutos, isso é um recorde até mesmo para o ator, reparem no monstro tosco rejeitado de Hellraiser e no efeito ruim que mais parece um repolho partido ao meio do que carne.


Ah não! era apenas o clichê de filmes de terror do sonho dentro do sonho, toca o tema de Inception pra essa cena.


Na cena do café da manhã, descobrimos que o nome da garota é Heather, e o nome do pai era Christoph, mas ele mudou para Harry (uma referência bem idiota ao primeiro jogo), ele dá um presente para ela, pois é o aniversário de 18 anos dela.


O presente é o colete branco que ela usa no jogo, o que foi até uma referência legal.

A Heather original

Um dos problemas desse filme é que Sean Bean não parece tão velho assim, então ele e a atriz que faz a Heather parecem mais um casal do que pai e filha, o que é provavelmente a coisa mais assustadora desse filme.


Descobrimos também que eles já se mudaram várias vezes, mas não dizem o porquê. Depois, Sean Bean abre uma caixa com a Auréola do Sol (que eu já expliquei no mês especial de Silent Hill em fevereiro) e pega um retrato que faz ligação direta com o primeiro filme.


Ele então vê sua esposa através do espelho, e depois vê sua filha no sofá, e obviamente não deve ser a mesma atriz, já que o primeiro filme é de 2006 e ela deve estar bem mais crescida agora, ela deixa cair um medalhão da mão e some.


Vemos Heather indo para a escola, ela vê um mendigo e...


APARECE UMA BUNDA NA CARA DELE!

Ela quase é atropelada, e um detetive muito suspeito aparece do nada, ele começa a perguntar coisas mas ela vai embora sem responder.

Também, com um pedófilo em potencial desses

Esse personagem é Douglas, ele também aparece ser um vilão de inicio, mas ele te ajuda ao decorrer do jogo, e tem grande participação na história.

O original, e superior

Então vamos até a escola típica de alunos com 30 anos que vemos em vários filmes americanos, onde Heather precisa se apresentar.


Os alunos também são os clichês caminhantes de bullies que zoam o aluno novo sem nenhuma razão, apesar dela ser bem bonita, ela faz um discurso de não sou tuas nega, e ela chama a atenção de Jon Snow, que parece muito trouxa sem a barba, a espada e as vestes negras.

Pão de Batataaa

Ela anda pela escola, até que percebe que está tudo vazio, ela começa a ouvir crianças gritando "queimem a bruxa" e vai investigar, ela vê as mesmas crianças das cenas de flashback do primeiro filme e tudo fica escuro, quando a luz liga de novo, tudo está destruído e decrépito.


Ela avista um monstro no fundo do corredor, é o Lying Figure de Silent Hill 2, no primeiro filme esse monstro era muito bem feito, nesse ele só parece um cara envolto numa camisinha gigante.


Ela anda para trás e esbarra no Jon Snow, que tenta jogar charminho nela, mas ele esquece que ele parece um idiota fora de Game of Thrones.


E do lado de fora do colégio, o creepy stalker Douglas observa Heather.


Heather liga para o pai e diz que está sendo seguida,Sean Bean pede para ela encontrar com ele no Shopping Center, mas ele é capturado por um vulto.

Diretor: Sr. Bean, faça cara de assustado.
Sean Bean: Deeerp

Enquanto Heather está no Shopping, ela vê uma festa de aniversário acontecendo ali, e o nome da aniversariante também é Heather, até que vê um balão que vira e mostra "Feliz Aniversário Alessa".


Ela fecha os olhos, e quando abre de novo, a câmera adiciona mais um filtro tosco, e ela vê as crianças comendo carne e com sangue na boca.


Douglas aparece de novo e Heather foge e pede ajuda para um guarda.


Meu Deus! de todos os filmes que vocês poderiam referenciar, todas as grandes obras de terror como O Iluminado e Alucinações do Passado, que inspiraram a franquia e foram tão bem respeitados nesses games, o filme que vocês escolheram foi Smiley!


Se bem que, vamos admitir, um filme lixo referenciando outro filme lixo é bem justo.

Só um momento antes de realmente começarmos, é a partir desse ponto que a coisa fica pessoal, o filme já era ruim o suficiente até agora, mas é aqui que começa o meu ódio mortal, eu preciso fazer uma confissão antes.



Se lembram como a franquia Silent Hill nos videogames era tão única? por mostrar terror de uma forma inteligente, sutil e envolvente, as vezes mal mostrando sangue, pregando a sugestão, e nunca insultando a inteligência do jogador, usando o terror psicológico para mostrar a história, o drama dos personagens, até uma certa mensagem de esperança nesse mundo terrível e surreal? O quão incrível foi quando descobrimos que Silent Hill 2 era mais uma alegoria para a depressão do que uma história de terror?

Senão, eu sugiro que leia meus artigos de fevereiro, onde eu mostro a razão de eu amar essa série tanto.

Eu sei, não deve significar muito para você que está lendo, mas isso significa muito para mim, Silent Hill 2 mudou minhas concepções para a ideia de videogames como uma forma de arte, pois havia tanto sentimento, emoção e esforço colocado lá, que não havia como ver essa mídia apenas como uma forma de diversão, era algo mais. Eu não me considero lá a pessoa mais feliz do mundo, e todas as vezes que eu estou triste, eu volto para Silent Hill 2, pois nesse ponto, eu já não acho mais assustador, eu acho relaxante, como uma forma de enfrentar meus problemas.

Esse é o meu conceito de terror, não é que eu não tenho medo, eu tenho, mas eu não posso deixar isso me impedir de continuar, por isso eu amo jogos de terror, eu gosto de olhar para trás e ver que eu consegui vencer tudo aquilo, mesmo que no conforto de minha casa.

Mas esqueça tudo isso, deve ter dito o produtor, o que realmente assusta as pessoas hoje é sangue, tripas e monstros deformados! É isso que os fãs querem ver, dane-se o roteiro, os personagens, a construção perfeita do medo que vimos nos quatro primeiros jogos, o que eles querem é ficar chocados, façam sustos baratos a cada cinco minutos, e em 3D, pra vender melhor o filme.

Ver que muitas pessoas vão lembrar desse filme quando Silent Hill for citado, ao invés dos games, me deixa muito irritado.

Continuando, Heather entra numa porta e se depara com um monstro deformado tirando a pele de um cara e colocando pra assar.


Uau! que criatividade! estou tão chocado ... zzz ...

Quer saber, 20 minutos de filme e eu já estou cansado, então eu vou continuar depois em quantas partes forem necessárias até eu chegar no fim dessa perda de tempo.

Até lá, eu vou ter filmes bem melhores para assistir na continuação do artigo de Halloween.


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Especial Halloween: filmes que eu assisti esse mês
Parte 1


Olá pessoal!

Após dois meses sem escrever nada, finalmente resolvi voltar para escrever postagens sobre meu mês favorito do ano, o mês do horror, do medo, da traquinagem e das crianças por algum motivo. Eu tinha algumas problemas para resolver, por isso não tive tempo para escrever nada, e devo admitir que eu até cheguei a excluir alguns textos que eu estava escrevendo, porque achei que eles já não importavam tanto a esse ponto.

Deixando isso de lado, nesse mês eu assisti alguns filmes para fazer uma resenha rápida de cada um, algo com menos de quatro ou cinco parágrafos. A escolha dos filmes foi completamente aleatória, eu escolhi qualquer filme que viesse a minha cabeça, então têm vários estilos diferentes, alguns filmes são trash, outros sérios, outros experimentais, alguns completamente desconhecidos, alguns infantis ou com mais ação, em suma, qualquer coisa que tivesse o mínimo de terror incluído.

Diferente de minhas outras postagens, os filmes escolhidos não receberão nota, são só filmes que eu gostaria de falar rapidamente sobre.

Então sem mais delongas, com os filmes:


A Mosca (1986)
Dirigido por David Cronenberg



Body Horror é um termo usado para definir o horror em forma de deformações e transformações físicas, o maior clássico desse subgênero é sem dúvidas o filme "A Mosca" de David Cronenberg, estrelado por Jeff Goldblum e Geena Davis. A trama é de um cientista que inventa uma máquina de teletransporte, um dia ele resolve ser a cobaia do experimento, mas uma mosca entra despercebida na máquina, e o DNA dele e o da mosca se unem, então o cientista começa a lentamente a sofrer a mutação.

A trama é inspirada no conceito de uma história curta de George Langelaan, e é parcialmente um remake do filme de 1958 A Mosca da Cabeça Branca, parcialmente porque esse filme tem uma história completamente nova, ele só pega o conceito da mutação de um homem para uma mosca, e é possível ver isso claramente, pois A Mosca é totalmente o estilo de Cronenberg.

Antes do crack/Depois do crack

O filme não é para todo mundo, seu horror é totalmente visceral e nojento, mas tem algo a mais no filme que o separa de outros filmes viscerais e nojentos, todos envolvidos são muito competentes, Cronenberg é um ótimo diretor, e Goldblum e Davis atuam muito bem, fazendo algo que poderia apenas ser um apenas filme trash em algo mais complexo.

É a mosca ou é o Tarzan?

Pois os personagens não são os típicos idiotas que vemos em filmes de terror, é possível sentir o horror do personagem ao lentamente se transformar em algo tão nojento como uma mosca, você sente pena dele, os efeitos especiais e a maquiagem estão perfeitas (tanto que ganhou o Oscar de maquiagem no ano), o filme é um grande trabalho técnico.

Não é que seja impossível fazer teletransporte, é o medo disso acontecer que impede a ciência de avançar.

Há momentos estranhos e um tanto datados de filme dos anos 80, tipo aquela cena onde ele fica se exercitando com seus novos "poderes de mosca", mas nada que atrapalhe muito. No geral, A Mosca é um clássico do terror oitentista e é provavelmente o melhor filme de Body Horror já feito.


Blade (1998)
Dirigido por Stephen Norrington



Eu sei, Blade não é tecnicamente um filme de terror, mas é um filme que eu gostaria de comentar, porque poucos sabem que esse é o filme responsável pela volta dos super-heróis no cinema, veja bem, em 1997 uma tragédia gigantesca em forma de película aconteceu chamada Batman & Robin, um filme tão ruim que aparentemente iria destruir o gênero de adaptações de quadrinhos para sempre.


Mas já em 1998, um filme de um orçamento não muito grande, baseado num personagem desconhecido da Marvel, fez um considerável sucesso, indo contra todas as expectativas, pois é um filme de quadrinhos um tanto violento de um personagem nem um pouco famoso, isso abriu os olhos de outras produtoras para possíveis sucessos, ainda mais pra heróis da Marvel, que até então não tinha tido nenhuma adaptação de sucesso, o sucesso de Blade abriu espaço para X-Men e Homem-Aranha, e anos depois, o universo compartilhado Marvel nos cinemas.

Todo filme deveria terminar com uma luta de espada

Deixando isso de lado, Blade não é um filme muito bom, o roteiro têm vários furos, o vilão é péssimo (Stephen Dorff geralmente é), os efeitos envelheceram bem mal, mas ainda é possível achar alguma diversão nele, Wesley Snipes ficou bem como Blade, ele não é muito carismático, mas certamente convence muito no exercício de chutar a bunda de vários vampiros, as cenas de ação são muito boas, com uma coreografia bem diversificada (tem tiroteios, artes marciais e até lutas de espada), o filme também é bem violento, cabeças e corpos inteiros explodindo, vampiros queimando e derretendo, sangue escorrendo, é bem bonito de se ver.

Selo filme família da Marvel, se bem que ver o Udo Kier morrendo é sempre divertido

Eu adoro a cena inicial do filme, é muito bem dirigida (considerando que esse é o mesmo diretor de A Liga Extraordinária, eu fiquei surpreso com a direção em certos momentos), na verdade, a cena é tão boa que o resto do filme não consegue superar.

Festa estranha, com gente esquisita
A festa só começa quando eu chego


A Múmia (1999)
Dirigido por Stephen Sommers


É complicado para mim falar sobre esse filme, porque mesmo sabendo da qualidade bem questionável dele, eu simplesmente amo esse filme, e tenho boas explicações do porquê.  Quando eu era uma criança de 6 anos, os meus filmes favoritos eram O Rei Leão, Jurassic Park, Monstros S.A e o nosso patinho feio de hoje, A Múmia.

A Múmia é um remake do clássico de terror da Universal Studios estrelado por Boris Karloff, essa nova versão apenas utiliza o conceito do original, onde Imothep precisa sacrificar uma mulher para ressuscitar sua antiga amada, mas ao invés de ter o tom de um filme de terror, o tom é totalmente o de filme de aventura como Indiana Jones, com comédia, ação e níveis bem baixos de terror (que porém, pra uma criança de 6 anos, era bem assustador).


Eu não vi Indiana Jones quando criança (eu nasci em 1996, não me julguem), mas eu vi A Múmia, que é praticamente uma grande cópia, tanto do próprio filme quanto do estilo de Spielberg, e eu acredito que funcionou, pois meu gosto por filmes de aventura começou com esse filme, e mesmo eu sabendo hoje que definitivamente não é lá é um grande trabalho, ele ainda tem um espaço no meu coração.

Isso parecia tão bom em 1999

Brendan Fraser e Rachel Weitz fazem um bom casal na tela, ambos bem carismáticos, o humor, se um tanto excessivo, funciona bem, os efeitos eram o que a época tinha de melhor para oferecer, a ação é muito boa e criativa, mas o roteiro tem bastante furos e o ator que faz a múmia está bem longe de um Boris Karloff da vida.


Mas mesmo assim, eu acredito que o filme, pelo que ele se propõe, é bem decente, e eu em especifico sempre vou ter um carinho por ele me introduzir ao cinema de aventura. O famoso crítico de cinema Roger Ebert escreveu em sua resenha algo que eu concordo totalmente:

"Dificilmente há algo que eu possa dizer a favor desse filme, exceto que eu me diverti a cada minuto, eu não posso defender o roteiro, a direção, a atuação e nem mesmo a múmia em si, mas posso dizer que eu não fiquei entediado e fiquei surpreendentemente satisfeito"

A trilha sonora é foda, composta pelo gênio Jerry Goldsmith:


Uzumaki (2000)
Dirigido por Higuchinski



Já começando com algo totalmente desconhecido, Uzumaki é uma adaptação do mangá de horror de Junji Ito (que estava secretamente participando da produção do jogo Silent Hills, que foi cancelado para a minha tristeza eterna), a história é de um vilarejo japonês onde pessoas começam a ficar obcecadas por espirais, a principio só parece uma paranoia, mas logo a realidade começa a ser alterada por esses espirais.

É difícil de explicar Uzumaki, a descrição mais correta é completamente esquisito e surreal, a trama não faz nenhum sentido lógico, assim como as decisões dos personagens, mas Uzumaki acerta no sentimento de incômodo, porque é isso que eu senti o filme inteiro.

Lembre dessa imagem quando for dormir

Eu escolhi esse filme para introduzir o termo de terror estilizado, muitos do surrealismo de Uzumaki chega a ser engraçado, como algumas pessoas se transformarem em caracóis gigantes (isso acontece no filme, não é brincadeira), mas ao mesmo tempo, consegue transmitir um sentimento de horror bem especifico, é nojento e bizarro, porque é algo tão fora da realidade e da expectativa que se torna bem assustador.

Eu acho isso engraçado e perturbador ao mesmo tempo

E ver os corpos esticados em espirais, por mais cartunesco que pareça, transmite um incômodo bem grande, por isso Uzumaki, se não o mais lógico filme por aí, é efetivo no que se propõe, e o terror estilizado é isso, não faz sentido, mas consegue transmitir medo e desconforto, e terão outros filmes assim no resto do artigo completo.

O mesmo pode ser dito aqui

Além do mais, pessoas virando caracóis é uma ideia aterrorizante, eu odeio caracóis, eles são nojentos, feios e pegajosos, e não servem pra nada de bom, há não ser que você seja francês.


What We Do In The Shadows (2014)
Dirigido por Jemaine Clement & Taika Waititi



Infelizmente esse filme de comédia e terror da Nova Zelândia não foi lançado aqui no Brasil, então tive que recorrer as formas alternativas de compra para assistir, What we do in the shadows é um falso documentário sobre a vida de quatro vampiros que moram juntos (esse número aumenta durante o filme), e nós basicamente vemos o cotidiano deles, como convivem juntos, como eles se relacionam com outras criaturas da noite, tudo isso feito numa vibe bem engraçada.


Um dos melhores fatores do filme é que o humor é praticamente quase todo improvisado, e todos são bons atores de comédia, mas muito do humor é bastante visual, então é difícil de descrever as cenas, é um filme que precisa ser visto para o humor ser apreciado.


Alguns até podem dizer que o filme são apenas várias sketches de comédia sem um roteiro muito bem definido, e isso é verdade, mas se isso não te incomodar, acredito que terá muita diversão com What We Do In The Shadows.

A ironia


Silent hill 1 & 2

O próximo artigo será sobre os dois, mais especificamente sobre o segundo, e é pra falar muito mal em um texto extenso analisando tudo que tem de errado com o filme (o segundo, o primeiro é bom).

O Enigma de Outro Mundo
Dirigido por John Carpenter



O Enigma de Outro Mundo é um dos meus filmes de terror favoritos, pelo conceito genial de um grupo de pessoas isoladas no Antártico com um alienígena que pode mudar de forma e se passar por qualquer um deles, criando uma das melhores atmosferas de suspense e paranoia já vista em um filme.

Olha o Husky fofinho!
Oh, esquece o que eu disse

O filme é muito icônico, as transformações do monstro inspiraram muitos filmes depois, e até games, os Necromorphs de Dead Space e muitas transformações de Resident Evil são totalmente inspiradas no monstro "bolo de carne mutante" do filme. Kurt Russell é sempre um ótimo protagonista, os efeitos práticos são de cair o queixo, e aquela cena onde eles fazem um teste pra saber quem é o alienígena é genial, com um direção foda de Carpenter. 


Kurt Russell deveria ser o protagonista de todos os filmes

Verdade seja dita, O Enigma de Outro Mundo segue todas as regras de um filme de terror excepcional, o suspense e a paranoia são orquestradas muito bem, a atmosfera de isolamento funciona, os efeitos eram ótimos para a época, o filme é nojento e explicito, mas ao mesmo é inteligente.


Isso porque o filme tem muito mais camadas, por conta da época, o sentimento de paranoia da guerra fria assombra todo o filme, mas ao invés de espiões russos e comunistas, temos um alienígena que pode tomar a forma de qualquer um, e pode mudar e torcer a carne do corpo como bem intender, eu também acho o final genial, pois naquele momento, qualquer salvação parecia bem improvável, e a única coisa importante era que a criatura morresse e jamais chegasse a civilização. Muitos também dizem que o filme era uma metáfora para a epidemia de Aids que acontecera na época.


Antes de terminar, só quero citar um Momento Kurt Russell Badass: quando ele enfrenta a criatura pela última vez, e ele diz "Yeah, fuck you too!" antes de explodir o bicho.


Alien: O Oitavo Passageiro
Dirigido por Ridley Scott 



Dificilmente há algo que eu possa falar de Alien que todo mundo já não tenha falado antes, mas minha visão é um pouco diferente, eu tenho um pequeno, quase minúsculo problema com o filme, a atmosfera é tão bem feita que chega a ser excessiva, principalmente na primeira parte do filme, onde até a cena da nave aterrissando na lua onde os ovos do Alien estão demora uns 5 minutos, e nós vemos todos os detalhes de algo que deveria ser bem simples de um ponto de vista narrativo.


O que eu quero dizer é que Alien se estende algumas vezes, talvez seja uma reclamação de adolescente que não está acostumado com o estilo narrativo dos anos 70, mas é algo que vejo poucos falando. De todo o resto, Alien é mesmo a obra prima que dizem ser.

Pobre sujeito sorridente, mal imaginava o que aconteceria alguns segundos depois

Muito por conta da competência de Ridley Scott como diretor, esteticamente o filme é muito estiloso, pegando muita inspiração das obras de H.R Giger, o próprio design da criatura foi feito pelo artista, e vamos admitir, tudo visualmente nesse filme é genial, tanto que eu diria que ele envelheceu muito bem, muitas cenas não dataram nem um pouco e se fosse feitas hoje ainda teriam o mesmo efeito.


E como todo filme clássico de terror, Alien têm várias camadas, a mensagem escondida no filme é sobre estupro, e só ver o design fálico do monstro, ou o conceito de ser impregnado sem nenhum consentimento, ver o Alien atravessando o peito e rasgando toda a carne por dentro é uma imagem tão horrível pelo o que ela lembra. Isso não é viagem minha ou dos fãs da franquia, o roteirista Dan O'Bannon confirmou que é realmente isso, usar imagens sugestivamente sexuais (por isso Giger foi chamado) para causar o desconforto e terror na platéia.


Além do mais, o trailer desse filme é possivelmente o melhor trailer de todos os tempos, a música, o conceito, o modo como ele não diz nada mas mostra tudo que você precisa saber.


Coraline (2009)
Dirigido por Henry Sellick


Aproveitando o dia das crianças, decidi ver alguma animação que fosse lembrada por ser um tanto assustadora, e escolhi Coraline, pois é um filme que nunca tinha visto até então, apesar de eu ter lido o livro de Neil Gaiman anos atrás.


Coraline em resumo é um filme muito esquisito, tanto que eu não faço ideia se ele agradou o público infantil, então eu tentei imaginar se eu fosse uma criança, o que eu pensaria sobre o filme? Bem, eu era uma criança bem esquisita, eu adorava James e o Pêssego Gigante (que é do mesmo diretor desse), que também era estranho e bem assustador, então não acho que eu seja um bom parâmetro.


A animação é ótima, tanto que o filme foi até indicado ao Oscar de melhor animação naquele ano, as imagens são bonitas e imaginativas, com um tom de surrealismo que lembra Alice no País das Maravilhas. Mas onde entra o terror? você pode estar se perguntando, bem, a história é que Coraline se muda com os pais para uma casa nova, e entediada com a falta do que fazer, ele encontra um portal para outro mundo em uma pequena porta escondida na parede, lá ela encontra versões diferentes de seus pais, com olhos feitos de botões, a principio tudo parece fantástico, até que gradualmente Coraline vai descobrindo que há algo de muito errado nesse mundo.

Um filme infantil?

Vejamos bem, o plano dos "pais alternativos" era eventualmente arrancar os olhos de Coraline e costurar botões neles, eu acredito que isso seja bem assustador, o design da mãe monstro é bem tenebroso também, com mãos e pernas de agulha que lembram uma aranha, e os rosto quebrado como vidro. Eu diria que Coraline não é o melhor filme para mostrar para seu filho de seis anos, eu mesmo só li o livro quando tinha uns 14 anos, há não ser que você queira realmente traumatizar sua criança, então é um boa pedida.


Bata Antes de Entrar (2015)
Dirigido por Eli Roth


Esse filme é bem recente, e considerando o diretor eu esperava um banho de sangue e torture porn puro que Roth fez anos atrás com o Albergue, mas os que esperam por isso vão sair um tanto decepcionados, pois nada de tão absurdo acontece aqui. A trama é de um pai de família (eu sei o que você pensou agora, mas não, é só o Keanu Reeves) que fica sozinho em casa enquanto a esposa e os filhos vão para a praia, numa noite chuvosa, duas garotas muito atraentes aparecem em sua porta, molhadas e pedindo por abrigo até chamar um táxi, e se você viu filmes pornô você já sabe o resto da história, exceto pelo fato das duas serem malucas e infernizarem a vida do cara depois da fatídica noite.

 Sua cara ao ler essa sinopse

O fato é que, apesar de eu ter me divertido com o filme, eu sei que não é um filme muito recomendável, Keanu Reeves é um ator bem limitado, ele funciona muito bem em filmes de ação, ainda mais que ele manteve o visual de John Wick aqui, mas eu não acho que ele convence como um pai de família, muito da atuação dele desesperado é bem engraçada ao invés de assustadora, até me lembrou os melhores (ou piores, dependendo do seu senso de humor) momentos da atuação de Nicolas Cage em O Sacrifício, as duas garotas são as típicas psicopatas desse tipo de filme, elas são bem bonitas e assustadoras, principalmente a atriz cubana Ana de Armas (que pelo amor de Deus, faça mais filmes que eu quero te ver mais).

Maldita seja Cuba por esconder essa maravilha por tanto tempo 

O que me surpreendeu foi a pouca violência do filme, esse filme é do mesmo diretor de O Albergue, eu esperava que as duas fossem torturar o cara pra valer, e eu devo dizer, se os censores não fossem tão restritivos com sexo, esse filme poderia ser PG-13 facilmente, não tem nada de gore, tem pouquíssimo sangue e tenta seguir um terror mais sugestivo, o terror de ser pego traindo as pessoas que você jurou amar, nisso o filme acerta bem, a moralidade de todos os personagens é bem discutível.
Girls just wanna have fun

Provavelmente Eli Roth salvou todos os litros de sangue para o filme Canibais (2015), que ele gravou ao mesmo tempo e que talvez eu assista esse mês se eu tiver estômago suficiente, mas Bata antes de entrar não é filme que eu possa recomendar, ainda mais porque as outras resenhas deram notas bem negativas, e eu entendo essas criticas, mas ao mesmo tempo eu estaria mentindo se eu dissesse que eu não me diverti um pouco com ele.


Esse artigo terá uma parte 2 no dia 31 desse mês, e eu sei que aqui no Brasil nós não comemoramos o Dia das Bruxas e tal, e eu estou apenas provando a predominância cultural estrangeira sobre o nosso País e eu deveria valorizar mais o folclore brasileiro e blá,blá,blá, dia do saci, blá,blá, zzzz.

Aqui é meu blog e eu comemoro o Dia das Bruxas, afinal, terror é meu gênero favorito e eu definitivamente fico muito feliz de fazer um mês especial inteiro para o gênero.

Então sim, é aquele tempo mágico do ano de novo: