sexta-feira, 15 de maio de 2015

Resenha: Mad Max: Estrada da Fúria



Direção: George Miller
Data de Lançamento: 14/05/2015


É raro quando você presencia algo que é tão bom que chega a doer, você fica procurando erros por todo o lugar, ou se perguntando se o filme é real, isso porque esse filme não tinha como ser bom.
Veja bem, ele demorou anos para ser filmado (ele ia começar a ser filmado em 2003 na Namíbia, mas a guerra do Iraque impediu isso, e Mel Gibson preferiu fazer a Paixão de Cristo). O diretor George Miller dirigiu apenas filmes infantis desde 1998 (Babe e Happy Feet), o que fez parecer que ele tinha desistido do cinema de ação de vez, todos os outros projetos associados ao nome dele tinham sido cancelados (Liga da Justiça), e faz 30 anos desde o último Mad Max, o que poderia criar desinteresse do público mais novo, que provavelmente não conhecem a trilogia.


Mesmo com todos esses problemas, Mad Max: Estrada da Fúria conseguiu ser o melhor filme que vi esse ano até agora.

A história é bem simples, mas totalmente efetiva, Max (dessa vez interpretado por Tom Hardy) é capturado por uma sociedade de malucos que seguem religiosamente a palavra do vilão Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne, que fez o vilão Toecutter no primeiro Mad Max), Max fica escravizado por um tempo, mas recebe a chance de escapar quando Furiosa (Charlize Theron, sendo linda até careca) se rebela contra Immortan e leva seus "tesouros" com ela na esperança de encontrar uma vida melhor. Immortan convoca seus "War Boys" para irem atrás dela, e se inicia uma perseguição de carros que dura o filme inteiro.

Tom Hardy como Max Rockatansky

Pode parecer excessivo na minha descrição, mas a direção primorosa de George Miller consegue deixar tudo no lugar certo, a caracterização do mundo e dos personagens fica integrada a perseguição, você entende como aquele mundo funciona, e como aqueles personagens se sentem, por identidades visuais e diálogos espertamente colocados, sem precisar de diálogos expositivos, o filme se conta, e te dá tudo que você precisa saber.

O vilão Immortan Joe

Outro fator mega importante foi a trilha sonora, composta por Junkie XL, que geralmente fazia remixes e não compôs nenhum filme grande até esse, fiquei descrente quando anunciaram o nome dele para a trilha, mas queimei a língua bonito, a trilha sonora de Mad Max é provavelmente minha favorita do ano até agora. Em faixas que exaltam a pura loucura e violência desse mundo, mas também transmitem muita emoção, destaque para a faixa Brother in Arms.


Ele é um exemplo de como se faz um filme de ação, um dos problemas que tenho com a franquia Velozes e Furiosos (citado no último artigo) é o uso abusivo de CG, o que tira o senso de realidade da cena e faz ela ser ineficiente, aqui 80% das cenas são efeitos práticos, você sente as batidas, os cortes e as explosões, porque elas realmente aconteceram, e a ação se torna muito mais real e eficiente, os efeitos especiais só são usados como pano de fundo, principalmente na cena fantástica da tempestade de areia.


A fotografia/cinematografia é estupidamente linda, é o filme pós-apocalíptico mais colorido e cheio de vida e energia já feito, há cenas que parecem uma pintura, e isso não atrapalha a caracterização do mundo, ainda é um mundo sujo e cruel, mas é o mundo sujo e cruel mais bonito que já vi, o filme tem muito a estética de uma Graphic Novel.

O andamento do filme é absurdo, fiquei tão grudado na poltrona do cinema que quase me tornei a poltrona, uma forma de descrever o filme é o seguinte: Ele te chuta dentro de um carro, já começa acelerando absurdamente e não para por uns 20 minutos, ele te dá momentos para respirar (porque você morreria de asfixia caso contrario) mas nunca desacelera, e nos momentos certos ele aciona nitro para mais uma viagem de perder o folego.

Quem precisa de rádios quando se tem um caminhão de som com um guitarrista ao vivo.

Houveram discussões imbecis reclamando que a personagem de Charlize Theron tem mais importância que o próprio Max, isso é de certa forma verdade, mas acredito que essas pessoas não entenderam a essência de Mad Max. Ele é uma entidade, é aquele que tenta sempre se afastar de problemas e pessoas, mas sempre é jogado nessas situações de perigo, ele está destinado a agir, ou seja, Max pode ser louco, mas é constantemente obrigado a ser um herói. No segundo e terceiro filmes, as histórias são contadas por pessoas que conheceram Max nesse mundo destruído, ele é o Road Warrior, e isso é um titulo que outros deram para descreve-lo, somente o primeiro Mad Max era realmente focado na história de Max, as sequências são sobre essa entidade que ele se tornou, tanto que no final de Road Warrior e Thunderdome ele se afasta daqueles que ajudou e vai procurar novas aventuras.

Charlize Theron como Imperatriz Furiosa

Há não ser que você tenha sentido que sua masculinidade foi ameaçada por Furiosa, se esse for o caso meu amigo, talvez você não seja tão homem assim, ou seja só um babaca que acha que mulheres não deveriam ter importância na trama. A personagem é forte e a única ali que Max se identifica, alguém que teve uma vida difícil mas ainda tenta ter esperanças (apesar de Max dizer que abandonou a esperança, sabemos que é mentira), há alguns momentos surpreendentemente tocantes entre os personagens, Miller tem experiência com filmes mais emocionais, e apesar de 80% desse filme ser insanidade pura na tela, temos uns 20% de humanidade necessários para nos importarmos com o destino desses personagens.

A violência é algo que não desaponta, não faria sentido fazer um filme classificação 14 anos, o mundo em que Max vive é violento e brutal, e não é exagerado e gratuito como muitos outros filmes "adultos" dizem ser (filmes que só moleques de 13 anos vão achar surpreendente), não tem nenhuma cena chocante, talvez com exceção do destino do vilão, que apesar de não ter sido sangrento, foi uma ideia bem perturbadora, tanto que fiquei com dor no queixo só de ver.

Mad Max: Estrada da Fúria mostra uma beleza caótica, provando que até excesso pode ser algo bem feito se estiver em mãos habilidosas, recomendo que veja no cinema com som alto, o filme é tudo que ele precisava ser: Explosivo, Rápido e Louco.




"Testemunhe!"



Nota: 10/10

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Por que a franquia Velozes & Furiosos faz tanto sucesso?
Parte 1



Olá pessoal!

No mês passado estreou o filme Velozes & Furiosos 7, e se tornou a 4ª maior bilheteria da história do cinema, ultrapassando Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2, a série sempre foi popular, mas ao ponto de estar na lista de maiores sucessos? eu precisava fazer uma pesquisa maior para saber as razões dessa franquia ser o enorme sucesso que é.

Isso porque sempre tive uma opinião muito neutra sobre os filmes da franquia, alguns eram ruins, outros eram no máximo legais, mas nunca achei que fosse uma série realmente ótima e merecedora de tanto apreço, ou seja, não sou um fã, então resolvi ver todos os filmes da franquia e pesquisar vários aspectos para ver a grande fórmula que se formou e resultou na quantidade enorme de verdinhas em que o estúdio Universal deve estar nadando agora como o Tio Patinhas.

Outra é que muitos amigos e conhecidos meus são grandes fãs da franquia, eu vou usar muito de minhas observações sobre essas pessoas para o entendimento.

Primeiro analisarei os filmes, depois farei um apanhado para tentar explicar o motivo da franquia ter tanto prestígio com o público, eu inicialmente faria um artigo só, mas percebi que o texto estava ficando muito extenso, então decidi dividi-lo em duas partes.

O primeiro filme foi lançado em 2001, dirigido por Rob Cohen, diretor de Coração de Dragão (aquele com o Sean Connery fazendo a voz de um dragão num CG que envelheceu muito mal), o roteiro foi escrito por quatro pessoas: Gary Scott Thompson (O Homem Sem Sombra), Erik Bergquist, David Ayer (diretor do recente e ótimo Corações de Ferro) e Ken Li (escritor de uma revista de carros).


No filme, um policial em Los Angeles chamado Brian O'Conner (Paul Walker) se infiltra no mundo das corridas de rua para investigar o roubo de caminhões com carga de materiais eletrônicos, mas acaba criando uma amizade com Dominic Toretto (Vin Diesel) e sua família (que são os acusados do roubo),então O'Conner fica dividido entre seu dever e essa amizade.

A primeira vez que eu vi Velozes e Furiosos eu tinha 5 anos de idade, e na época eu lembro de ver o filme só por causa dos carros e das corridas,  a história não era lá muito complicada para uma criança entender (os americano de carro são do bem e os china de moto são do mal), mas não ligava muito para a relação de amizade entre os personagens.

O sentimento que tive revendo o filme foi muita nostalgia, em cada inicio de década, é notável que os filmes demoram uns três anos para ganharem uma cara própria, isso porque Velozes & Furiosos ainda parece um filme de ação dos anos 90. As cores, a moda, o estilo e a trilha sonora de Hip Hop, Techno e Industrial Metal fazem o filme ser um tanto datado, mas também é um exemplo de como filmes de ação eram feitos naquela época.

Um elogio que tenho que fazer é para o trabalho dos reais motoristas por trás dessas manobras, aquela cena inicial onde o carro vai para baixo do contêiner do caminhão é muito bem feita, infelizmente o filme também usa muito CG (Computação Gráfica) e atualmente é muito perceptível  quando você nota que os atores estão parados, enquanto no fundo da tela está um efeito especial para simular velocidade que não é muito convincente, principalmente naquela primeira corrida de rua.


Isso cria um grande contraste, pois você nota quando as manobras são reais e quando elas são falsas, logo depois desse corrida temos uma perseguição policial muito melhor filmada e muito mais convincente, mesmo nós sabendo que os atores só estão fingindo fazer tudo aquilo (na verdade são motoristas profissionais especializados nesse tipo de cena), essas cenas reais dão uma ilusão muito mais trabalhada.



Nenhum dos atores faz muito barulho com suas atuações, são personagens bem comuns, mas eles funcionam na trama, temos O'Conner, o policial infiltrado um tanto bobão por não "manjar" do mundo do crime (Paul Walker), Toretto, o criminoso com coração de ouro (Vin Diesel), Letty, a mulher macho (Michelle Rodriguez, que construiu uma carreira fazendo esse tipo de papel), Mia, a irmã preocupada do criminoso (Jordana Brewster, que tem sangue brasileiro) e outros como o hacker, o irritadinho e o vilão mimado.

Os atores pelo menos conseguiram dar personalidade para os personagens, tem até uma cena onde é só um churrasco entre eles,apesar de ser uma cena curta e não ter nenhuma importância maior para a trama, é um bom toque de humanidade em personagens que poderiam perigosamente parecer robóticos e ter desinteresse do público.


As duas últimas cenas de ação (o assalto do caminhão e a corrida final) são bem tensas, e usam pouco CG, fazendo um final bem eletrizante e provavelmente são a melhor parte do filme.

O filme também mostrou bastante da cultura do Tuning e de corridas ilegais, é obvio que vários idiotas se inspiraram e provavelmente morreram em acidentes após fazerem rachas, além daqueles pé no saco com carro rebaixado que demoram três anos para passar um quebra mola e com um som ensurdecedor tocando funk as três horas da manhã, mas eu não posso culpar o filme por esse tipo de atitude, até um filme clássico como Laranja Mecânica inspirou um monte de malucos a cometerem vandalismo e violência.

Meu veredito sobre o primeiro Velozes & Furiosos é que ele é um filme um tanto idiota, mas ele certamente é divertido, apresentando boas cenas de ação e personagens razoáveis e fáceis de se identificar.

Nota: 7/10



Uma reclamação comum  que muitos críticos apontaram é que o filme parecia um remake de Caçadores de Emoção, filme de 1991 estrelado por Keanu Reeves e Patrick Swayze, e de certa forma, isso é verdade.


Vejam bem, na trama, um policial em Los Angeles chamado Johnny Utah (Keanu Reeves, em seu primeiro papel num filme de ação) se infiltra num grupo de surfistas suspeitos de serem ladrões de banco (que usam mascaras de ex-presidentes dos EUA nos roubos), mas Utah acaba criando uma amizade com o líder do grupo chamado Bodhi (Patrick Swayze) e fica dividido entre seu dever e essa amizade.

Deu pra ver as semelhanças? é só trocar o surf por carros e você tem o mesmo filme.

Bem, você poderia argumentar que corridas são bem mais legais que surf, mas Caçadores de Emoção tem seu próprio charme, ele também é um produto de seu tempo, tendo a estrutura de um filme de ação dos anos 80, mas com a moda, estilo e trilha sonora tipica dos anos 90 (Grunge, Hard Rock).

Apesar de Keanu Reeves ser um ator bem limitado, ele faz um bom trabalho com a quantidade necessária de personalidade para o público simpatizar com ele, e apesar de ser difícil imaginar Patrick Swayze como um surfista (afinal, ele é o cara do Ghost e do Dirty Dancing), eu achei que ele fez um personagem bem legal, não muito convincente, mas com uma dose certa de caracterização.

O fator do personagem estar com a lealdade dividida também é melhor feito aqui, pois Utah tem um parceiro na policia, o que fez ele ficar mais em dúvida em quem ele deveria seguir, além do romance melhor trabalhado, mas também muito corrido.

O filme não tem tanta ação quanto ''Velozes", mas as poucas cenas de ação fazem um trabalho incrível, a diretora Kathryn Bigelow consegue filmar essas cenas com ótimos enquadramentos e com uma ótima edição, fazendo essas cenas serem bem tensas e eletrizantes, além do filme não usar CG e apenas usar o trabalho dos atores e dublês, o que é sempre melhor para um filme de ação.

Tem uma cena de Skydiving bem maneira, e eu imagino como diabos filmaram essa cena na época? hoje em dia temos Go-Pro pra fazer isso, mas em 1991 você tinha aquelas câmeras grandes e pesadas.


Além do mais, esse filme tem mais nudez e violência, e uma cameo hilária do Anthony Kiedis (vocalista do Red Hot Chilli Peppers).

"Under the bridge downtown
Is where i drew some blood"

O final foi mais trágico e efetivo que eu imaginei que seria, Caçadores de Emoção é um filme bem superior a Velozes e Furiosos, mas ainda é um tanto idiota, afinal, são SURFISTAS que assaltam bancos, o foco aqui ainda é a diversão, e o filme faz isso perfeitamente.

Nota: 8,5/10

Apesar de Caçadores de Emoção ter sido um sucesso em 1991, o filme nunca ganhou uma continuação, e na época ele foi um filme bem popular, o que mostra que o público gosta desse tipo de história, onde um personagem que segue a lei precisa se infiltrar e acaba criando uma amizade com aqueles que ele deveria prender, percebendo que ele pode encontrar amigos, amor e entendimento até em lugares onde não se espera encontrar nada disso.


Eu aposto que os roteiristas de Velozes são grandes fãs de Caçadores de Emoção, como o filme nunca ganhou uma sequencia, me parece que eles quiseram fazer sua própria, mas dessa vez com carros.

Então, com o sucesso do primeiro filme, veio a sequência de Velozes & Furiosos em 2003, com um titulo bem imbecil, + Velozes + Furiosos (2 Fast 2 Furious no igualmente imbecil original), eu aposto que colocaram esse titulo por que ia ser "muito loko dahora e descolado, véi" e o público jovem da época ia adorar.


O filme infelizmente é o pior da série, tanto que Vin Diesel recusou 25 milhões de dólares porque achou o roteiro inconvincente, Rob Cohen estava fazendo Triplo X e John Singleton assumiu a cadeira de diretor, apesar dele ter sido indicado ao Oscar por Os Donos da Rua em 1991, quase todos os filmes dele após esse foram bem ruins.

O filme não evolui em absolutamente nada do primeiro, é apenas uma aventura esquecível que parece mais um episódio de Miami Vice do que uma adição importante na franquia, na trama, Brian O'Conner (Paul Walker) se une com um antigo amigo de infância chamado Roman Pearce (Tyrese Gibson) para se infiltrar e prender um traficante de drogas poderoso em Miami.

Policias parceiros (um branco e um negro) contra o crime em Miami, acho que já vi isso em algum lugar.

Primeira das várias criticas que tenho que fazer, é o uso abusivo de CG, a corrida de rua no inicio do filme é ridícula de tantos efeitos especiais que dataram pessimamente, parecia mais que eu estava vendo um gameplay de Need for Speed Underground 2, do qual eu preferia estar jogando do que vendo essa perda de tempo.

Eu podia jurar que essas imagens são de um game de PS2, mas são do filme mesmo

Nenhuma das cenas de ação realmente empolga, o que é um grande pecado para um filme de ação, nunca senti tensão, adrenalina ou preocupação nenhuma durante o filme.

A personalidade de O'Conner muda totalmente nesse filme, se comparar com o filme anterior e com os posteriores, é notável que é praticamente outro personagem, isso é sinal de um mal roteiro e pouco controle do diretor, pois me parece muitas vezes que os atores não sabem que tipo de personagens eles deveriam fazer. a substituição do Vin Diesel pelo Jacaré do É o Tchan também me pareceu muito estranha.

 Isso foi uma piada, mas ele realmente parece o Jacaré

Pra falar a verdade, ele talvez seja o melhor personagem do filme, pois ele pelo menos é engraçado e salva esse filme de não ser completamente genérico e inútil, e ele e Paul Walker parecem estar se divertindo um monte no filme, muitos diálogos são improviso desses atores, isso porque eles mal tinham um roteiro para trabalhar em cima, o vilão é tão medíocre que eu nem lembrava mais quem ele era após 10 minutos do término do filme.

A piada do ejetor foi muito boa, admito.

Ele devia falar "Segura o Tchan" quando ejetou o cara

Pelo menos temos Devon Aoki e Eva Mendes para deliciar nossos olhos, que provavelmente estariam dormindo se elas não estivessem no filme.

Devon Aoki Diliça
Eva Mendes Diliça²

No geral, o resultado de + Velozes + Furiosos é negativo, o filme é muito fraco, genérico e esquecível, faltou um pouco de Diesel para esse carro andar, e acho que nem assim ia andar.

Nota: 2 Fast + 2 Furious = 4/10



Apesar dos críticos e muitos fãs terem desgostado (mais pela falta do Vin Diesel), o filme ainda foi um grande sucesso e uma continuação já estava confirmada.

A Universal quis mudar tudo nesse projeto, contratando um diretor novato (com apenas dois filmes anteriores) chamado Justin Lin, e com um elenco de atores jovens (Paul Walker saiu porque o estúdio achou ele muito velho para continuar na franquia).

Um problema que tenho com a franquia é que todos os filmes me lembram um produto de entretenimento muito similar já feito antes, o primeiro filme era um remake de Caçadores de Emoção com carros, + Velozes + Furiosos parecia em episódio qualquer de Miami Vice, com carros, e Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio é um remake de Karate Kid, só que com carros.

Tanto que quando o verdadeiro remake de Karate Kid foi lançado, eu lembrei mais de Desafio em Tóquio do que o próprio original.


Na trama, um estudante adolescente (apesar que o ator tinha uns vinte e pouco anos) chamado Sean Boswell (Lucas Black) participa de uma corrida ilegal contra um rival, ele perde e é pego pela policia, ele é mandado então para o pai divorciado que mora em Tóquio, e lá ele descobre um novo jeito de corrida, onde usam a técnica do Drift, ele também se interessa pela namorada do novo rival, e precisa aprender essa técnica para vence-lo, e ficar com a garota (que é uma grande interesseira, mas deixa pra lá).

Drift: técnica imortalizada pela Kombi escolar no Brasil.


É a mesma estrutura de Karate Kid, mocinho perde, mocinho aprende técnica com um mestre, e o combate final é mais uma questão de honra do que de vingança. Só faltou tocar "You're The Best Around" no final do filme.


O filme é bastante falho, os personagens são bem estereotipados e clichês(o herói que precisa aprender, o sidekick negro cheio das gírias, o vilão mimado, o mestre do herói, a mocinha, entre outros), a maioria das mulheres só estão lá para aparecerem bonitas e não tem muita importância na trama, os atores juvenis não são muito bons.

Mas o filme acerta em outras questões em que o anterior errou, o uso do CG foi bem limitado, utilizando mais cenas práticas com verdadeiros motoristas profissionais, o que eles fazem com o drift nessas cenas é de cair a boca, fazendo desse um filme de ação bem mais efetivo que + Velozes + Furiosos. O choque cultural de um americano tendo que viver no Japão foi bem executado, como o diretor é oriental, ele não exagerou em mostrar Tóquio como a cidade é, sem parecer um estereotipo americano de como é por lá (algo que errariam no quinto filme ao mostrar o Rio de Janeiro).

Um problema pessoal que tenho é que o mocinho do filme está cercado de Japas maneiras e ele escolhe a Maria Gasolina latina gostosa e genérica, até o personagem Han comenta isso.

 Todas essas Japas maneiras
E vou escolher a Maria Gasolina

E falando nesse personagem, achei ruim ele ter morrido perto do final, ele era de longe o melhor personagem do filme inteiro, o único com personalidade.


Apesar desse ser o mais odiado pelos fãs (por não ter nem Vin Diesel nem Paul Walker), Desafio em Tóquio é um filme decente, não tem nada demais e você provavelmente já viu um bilhão de filmes parecidos, mas ele é divertido e é inofensivo, além do mais, a corrida final está no mesmo nível da corrida final do primeiro filme, muito bem filmada e bem eletrizante.

E a cameo no final foi bem legal.

"Vim falar da iniciativa Corredores"

Esse filme também começou a tendencia de fazer as músicas mais irritantes do mundo se tornarem grandes sucessos, no caso, Tokio Drift de Teriwaky boyz (sim, boys com Z porque é mais descolado).


Nota: 6,5/10


Essa decisão arriscada da Universal de mudar tudo se mostrou falha, pois Desafio em Tóquio foi o filme menos lucrativo da série, não chegou a ser um fracasso, mas também não atendeu a expectativa financeira do estúdio.

Então no quarto filme, lançado três anos depois, o estúdio resolveu reunir todos os atores principais do primeiro, Vin Diesel, Paul Walker, Michelle Rodriguez e Jordana Brewster.


Na trama, Brian O'Conner (dessa vez um agente do FBI) se junta novamente com Dominic Toretto para acabar com um inimigo em comum, um traficante de drogas responsável pela morte de uma amiga em comum.

O primeiro ato do filme é muito bom, com uma cena inicial de ação animal, usando de forma balanceada CG com manobras reais, é legal ver os personagens do primeiro filme se reunindo novamente após tantos anos, com mudanças de características, O'Conner por exemplo, agora é um agente maduro e sério e não mais o rapaz meio bobão dos dois primeiros filmes e Toretto se torna mais violento e inconsequente após a morte da parceira.


O problema que o segundo e terceiro ato são bem fracos em comparação, o roteiro é uma mistura dos dois primeiros filmes, por mais interessante que seja ver esses personagens reunidos, a trama de capturar um traficante de drogas se infiltrando nos contatos dele já era genérica em + Velozes + Furiosos, isso não mudaria aqui. As cenas de ação no final não empolgam, se no inicio o uso do CG foi balanceado, aqui ele é abusado, não é tão ruim quando o segundo filme e seus gráficos de PS2 na tela,digamos que evoluímos para um PS3 agora, é um pouco melhor, mas ainda é bem falso.

A cultura do Tuning e corridas de rua já não era mais tão popular em 2009 quanto ela foi em 2001, o que fez o filme se tornar um pouco cansativo, sei que na cronologia da série, esse filme se passa na época onde essa cultura ainda era popular, mas é repetitivo ver a mesma construção de cena pela vigésima vez (passa uma gostosa, ela dá a largada, os carros partem, alguém usa nitro, close na troca de marcha, close no rosto do personagem, etc).


Em suma, Velozes e Furiosos 4 começa tão bem que o resto do filme é fraco em comparação, talvez se guardassem uma cena daquela magnitude para o final, o filme teria uma estrutura muito mais consistente.

Nota: 6/10



Mesmo o filme tendo sido um grande sucesso, o diretor soube que era preciso de uma mudança de tom para a franquia continuar viva e lucrativa, e é com essa ideia que o próximo filme nasceu.

O que posso presumir até esse ponto sobre o sucesso desses filmes:

1. O mais óbvio: o povo ama carros, especialmente aqueles que nunca irão dirigir, então é um bom escapismo ver esses carros poderosos e caros em ação.

2. É interessante ver esses personagens passando por várias fases enquanto os filmes avançam, e até a estrutura dos filmes vai mudando conforme a época, todos são produtos de seu tempo e é legal ver como os filmes de ação evoluíram desde 2001, passando em 2003, 2006 e 2009.

3. Os atores: apesar de nenhum deles seres atores/atrizes excepcionais, eles causam uma impressão , Vin Diesel, Paul Walker, Michelle Rodriguez e Jordana Brewster começaram mais ou menos na mesma época, e não tem nada de errado em fazer atuações simplórias, é um filme de ação, eles fizeram o suficiente para serem memoráveis.

Decidi continuar o restante dos filmes na parte 2, pois os filmes mudam bastante daqui pra frente, e porque as razões do sucesso vão ficar bem mais complexas.


sábado, 25 de abril de 2015

Resenhas Aleatórias:

Começando aqui a milésima nova linha de artigos, desta vez eu quis fazer várias resenhas de coisas que assisti, joguei, escutei, li ou presenciei, mas sem nenhuma ligação uma com a outra, só varias resenhas rápidas e totalmente aleatórias.

Vingadores: Era de Ultron (2015)



Criticar Vingadores: Era de Ultron não é uma tarefa muito fácil, pois o filme certamente é tudo que eu esperava dele: Divertido, engraçado e épico, mas ao mesmo tempo, apresenta os mesmos problemas de outros filmes do estúdio.

Na trama, Tony Stark (Robert Downey Jr.) e Bruce Banner (Mark Ruffalo) tentam criar uma inteligencia artificial capaz de manter a paz pelo mundo, mas essa IA (chamada Ultron) se rebela contra seus criadores e chega a conclusão que o mundo só terá paz se os humanos morrerem (o que é pura verdade se pensarmos), então o maior grupo de heróis da terra, Os Vingadores, se juntam mais uma vez para derrotar esta nova ameaça.

O primeiro Vingadores foi algo único na época, nunca na história do cinema vimos vários personagens de filmes diferentes se unirem em um só, num universo compartilhado feito pelo estúdio Marvel, essa característica era comum nos quadrinhos, mas no cinema era algo totalmente novo, e acredito que esse fator de novidade, aliado a competência do diretor Joss Whedon em conseguir misturar todos esses personagens de forma certa, dando tempo suficiente para cada um e injetando muita personalidade e humor, resultaram numa experiencia única nos cinemas em 2012.

Então esse filme tem uma grande bagagem do passado pra carregar, o primeiro filme teve aprovação quase que mundial, conseguiria este estar no mesmo nível que o primeiro?

Fico feliz em dizer que sim, Era de Ultron (como disse na introdução) é divertido, engraçado e muito épico, mas o sentimento de novidade não está mais lá, você sabe exatamente o que vai receber, e tenho medo que os filmes futuros da Marvel se acostumem com essa ideia, e acabem repetindo a mesma formula até a exaustão.

A cena inicial é espetacular, um plano-sequencia de ação mostrando todos integrantes agindo em grupo, o humor tipico de Whedon está constantemente no filme inteiro(então ele não é nem um pouco Dark como os trailers prometiam), alguns personagens receberam mais personalidade, como a Viúva Negra (a sempre linda Scarlett Johansonn) e o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner, que está muito mais ativo e importante nesse filme), alguns personagens novos como os gêmeos Maximoff são introduzidos, Mercúrio (Aaron Taylor-Johnson) e Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen) não fazem muito barulho, sendo mais secundários e nunca recebendo muita atenção (ainda mais pela quantidade de heróis que já está nesse filme), e o Visão (Paul Bettany) também aparece no filme, o modo como eles introduziram esse personagem foi bem interessante, e ele certamente rouba a cena quando está na tela. A ação do filme é ótima como sempre, tendo várias cenas de porradaria épicas e muito bem coreografadas.

O vilão é complicado de explicar, a dublagem de James Spader para Ultron é muito boa e mostra muita personalidade, mas acho que ele teve pouco tempo na tela, fazendo esse vilão bem fraco em comparação ao Loki no primeiro filme (que estava presente durante o filme todo), além do mais, Loki teve tempo para ser introduzido e caracterizado no filme do Thor, enquanto Ultron nasce nesse filme e não tem muito tempo.

O problema é que enquanto o primeiro filme era a conclusão de uma fase, esse é uma transição, esse filme serve de ponte para os futuros projetos da Marvel, como o Capitão America: Guerra Civil, Thor: Ragnarok e obviamente, Vingadores 3.

Apesar de parecer mais um episódio de transição (um aventura da semana), Vingadores 2 ainda é um ótimo filme, divertidíssimo e definitivamente merece ser assistido no cinema.

Nota: 8/10

Rede de Intrigas (1976)



O motivo de minha demora para escrever artigos no último mês é porque comecei a faculdade de jornalismo, e estive bastante ocupado ultimamente com pouco tempo para escrever. Em uma aula, o professor deu algumas dicas de bons filmes sobre o assunto jornalismo, como Cidadão Kane e Todos os Homens do Presidente, mas esqueceu de mencionar o clássico Rede de Intrigas de Sidney Lumet, que é um dos filmes mais importantes sobre sensacionalismo já feitos.

A trama do filme começa quando o jornalista Howard Beale (Peter Finch, que ganhou um Oscar póstumo por esse papel) anuncia em rede nacional que irá cometer suicídio, seus colegas obviamente ficam chocados com a ideia, mas por conta disso, a audiência do canal começa a aumentar, para acompanhar a degradação psicológica de Beale, enquanto os donos do canal exploram essa faceta dele para garantir os altos pontos de audiência. Paralelamente, um amigo e colega de Beale (William Holden) se envolve com uma mulher (Faye Dunaway) que é uma das pessoas que estão explorando Beale.

Rede de Intrigas é uma ótima sátira de como a TV segue os gostos do publico mesmo que esses gostos sejam terríveis, é engraçado como o povo começa a assistir simplesmente por achar ele maluco, e começam a venera-lo quando notam que ele fala a verdade. Peter Finch está um monstro no papel, ele infelizmente faleceu no mesmo ano do lançamento do filme, mas ganhou o primeiro Oscar póstumo da história, tão marcante foi sua atuação. Os discursos são uns dos melhores que já vi num roteiro, principalmente o discurso sobre a verdadeira dualidade inexistente sobre capitalismo e comunismo (lembrando que esse filme foi feito durante a guerra fria, e ele não toma lados), como o personagem do ator Ned Beatty diz: O mundo é um negócio.

Eu poderia escrever um artigo inteiro inspirado nessa cena, ele é tão verdadeiro hoje quanto ele foi em 1976

Meu único problema com o filme é o romance entre o personagem de William Holden com a de Faye Dunaway, os atores dão boas atuações (são atores lendários, afinal), mas o plot deles é desinteressante quando você tem uma critica inteligente e ácida sobre a cultura televisiva em paralelo, se eu fosse rever o filme, eu certamente pularia essas cenas

Apesar desse pequeno problema, Rede de Intrigas ainda é um clássico do gênero, o filme se mantém atual e definitivamente deve ser visto para quem tem interesse no assunto jornalistico.

Nota: 9,5/10


Um Dia de Fúria (1993)


Alguém lembra quando o nome de Joel Schumacher na direção era garantia de um bom filme? Pois é, Batman & Robin deixou uma marca negra na história do cinema, tanto que muitos esqueceram os ótimos trabalhos que o diretor fez antes daquela catástrofe, e um desses ótimos trabalhos é o filme Um Dia de Fúria de 1993.

Na trama, um homem sem nome (Michael Douglas) se revolta contra a sociedade e começa a aterrorizar as ruas de Los Angeles, ao mesmo tempo, um policial em seu ultimo dia antes da aposentadoria (Robert Duvall) investiga a trilha de caos causada pelo revolto.

Esse script na época, foi recusado por vários estúdios, medrosos com a possível repercussão que poderia causar, foi Michael Douglas quem lutou pela filmagem do material, e foi o nome dele (importante na época) que praticamente vendeu o filme.

Eu não culpo os estúdios, esse filme é sim perigoso se entendido de forma errada, muitos podem se inspirar pela revolta e causar muitos problemas, mas esse tipo de história é preciso de vez em quando, com uma visão mais critica e reflexiva sobre a sociedade.

O filme se mantém bem atual, fazendo um comentário social muito interessante, e criticando vários aspectos do capitalismo,como o fato do personagem de Douglas lutar por uma vida estável e ser sempre jogado pra baixo pelo sistema, enquanto outros por pura sorte podem acabar ficando ricos através de pouco trabalho.

Uma critica que tenho que fazer é que alguns personagens são bem clichês e estereotipados, você tem o babaca tipico, os imigrantes latinos geralmente são bandidos, o policial bonzinho em seu ultimo dia de trabalho, o único personagem verdadeiramente complexo é o de Douglas, o que é uma oportunidade perdida de mostrar outros lados dessa história.

No inicio, Douglas aparentemente só ataca pessoas de cor e minorias (imigrantes nos E.U.A), fazendo o filme parecer um tanto racista, mas após algumas cenas, fica entendido que o filme não diz que o problema do pais é a superpopulação multiétnica, mas sim o sistema inteiro que acaba criando vários problemas.

Isso fica claro após uma cena onde um cidadão negro protesta na frente de um grande prédio de trabalho, com uma placa escrito "eu não sou economicamente viável", a policia chega e o prende, e dentro da viatura, o homem olha para Douglas pela janela e diz: "não me esqueça". Douglas acena com a cabeça e reflete sobre isso. Há outro momento onde ele se encontra com um neonazista, que diz simpatizar com a revolta dele, mas o personagem sem nome sente nojo do mal-entendido que causou.

Só que após tudo isso, o personagem começa a enlouquecer de vez, machucando pessoas inocentes e até sua própria família, em paralelo, o policial procura por Douglas na cidade, e vê que ambos tem muito em comum, o policial é extremamente passivo com seus colegas de trabalho e com sua esposa, assim como o revolto foi por muitos anos até explodir em fúria, e o próprio policial começa a ficar mais ativo, finalmente discordando de seus colegas e de sua esposa e ganhando assim uma voz própria.

O final do filme é um tanto óbvio, pois não havia outra forma de acabar, o policial confronta Douglas, num combate mais emocional e de entendimento, o policial se identifica com o personagem sem nome, mas ele sabia que não havia como voltar para a mesma sociedade que ele tentou quebrar, e no final de tudo, a única coisa que o personagem sem nome podia fazer, era refletir sobre:

"Não me esqueça"

Afinal, é tudo que podemos fazer nessa questão.

Nota: 8/10


Cidadão Kane (1941)



Todo amante de cinema se encontra com Cidadão Kane uma hora ou outra. Ora, ele é considerado por muitos críticos "O Melhor Filme de Todos os Tempos", então é obvio que você DEVE assistir, mas a pergunta que fica após assistir é: ele é realmente o melhor filme de todos?

Sim e não.

Sim, porque não havia nada como ele na época em que foi lançado, e ele foi tão revolucionário que até hoje filmes usam técnicas inventadas nele, ele ainda é estupidamente bem feito, com cenas e diálogos de darem orgasmos pra quem ama a sétima arte, uma maquiagem incrível e que dá um show em comparação com maquiagens HOJE, e uma cinematografia de fazer os olhos dos críticos lacrimejarem de emoção.

Não, porque a mensagem do filme não é tão original e pode não agradar todo mundo.

É difícil explicar isso com simplicidade, então eu vou mais a fundo agora.

Cidadão Kane é um filme dirigido por Orson Welles (um gênio em quase todos campos que atuou), conta a história de um magnata da comunicação chamado Charles Foster Kane, que em sua morte sussurra a palavra "Rosebud", um jornalista investiga a vida inteira de Kane para saber qual o significado dessa palavra, e acompanhamos a vida de Kane através de relatos de amigos dele, vendo sua ascensão e sua queda.

Algo que o filme fez foi inventar um plano que capturasse vários elementos em um frame só, por exemplo, temos varias cenas que mostram vários personagens fazendo coisas diferentes, pra o expectador observar tudo de uma vez, como uma cena no inicio, onde mostra os pais de Kane, o banqueiro que os veio visitar, e Kane criança pela janela brincando na neve.

Não parece muito, mas esse tipo de filmagem era algo inacreditável na época, você mostra tudo que precisa em apenas uma cena, e fica entendido que: os pais de Kane são pobres, o banqueiro está ali em negócios importantes, o casebre é miserável, Kane parece não se preocupar com nada, afinal, ele ainda é uma criança.

Antes desse filme, era preciso explicar esse tipo de coisa com diálogos ou tinha que escrever numa tela como nos filmes mudos, Welles nesse filme confiou na inteligência do público e mostrou tudo que eles precisavam saber visualmente, os detalhes ficam subentendidos, e adivinha?

Todos os filmes hoje em dia fazem isso, e devem isso à Cidadão Kane.

Outro fator são as metáforas visuais, por exemplo, em uma cena após o casamente de Kane e sua esposa, eles jantam juntos, e a cena corta para um trem passando rapidamente, enquanto você nota que ambos estão ficando mais velhos e mais distantes à cada passagem de trem na tela, essa é uma forma genial de mostrar os anos passando e o amor deles acabando conforme o tempo passa.


Outra cena é o corredor dos espelhos, onde Kane já velho e decadente, anda por sua mansão absurdamente gigantesca (chamada Xanadu), ele passa pelos espelhos virados um contra o outro, e aparecem vários reflexos dele.


Isso tem vários significados, Kane ficou decepcionado com o mundo e criou um mundo próprio pra si, ele se isolou por anos, pra notar que toda aquela grandeza que fez, era totalmente vazia, ele não tinha mais amigos, apenas serventes, uma mansão gigante, um universo à parte, e totalmente inóspito.

A única pessoa que realmente estava ali, era ele mesmo, o único habitante de Xanadu, o grande mestre da comunicação era apenas mais um cidadão com sentimentos e medos que todos partilhamos.

O final é de quebrar o coração, quando você descobre o que era Rosebud.

Sobre o conteúdo, o filme ainda é muito emocional e forte, mas a mensagem já não era tão original nem na época, a história do homem que tinha tudo, mas na verdade não tinha nada. Assim como Ícaro que voou próximo demais do sol e caiu nas águas do esquecimento, era algo que já era contado na mitologia grega.

Ou o poema de Ozymandias, uma estatua gigantesca de um rei poderoso, um deus na terra, quebrada e esquecida no deserto.

É uma história que deve ser contada, certamente, afinal, isso é um padrão na vida humana, alguém fazer um sucesso estrondoso e ficar decadente após um tempo é algo totalmente comum.

Mas arte é algo subjetivo, se a mensagem de Kane não é original, muitos podem achar que ele conta apenas mais uma história de ascensão e queda, foi importante pra mim, mas talvez não seja importante para você, meu filme favorito é De Volta para o Futuro, que não tem nenhuma mensagem filosófica ou artística, ele simplesmente é o filme que tenho mais carinho, talvez não seja o mesmo com outras pessoas.

Tem muita gente que odeia Forrest Gump, eu não consigo entender como isso é possível , mas opinião é opinião, todos tem direito de ter uma diferente.

Então, para analisarmos a qualidade de um filme num ranking de melhores filmes, deveríamos analisar a qualidade técnica e a importância que ele teve na história.

Nesse caso, se analisarmos tecnicamente, Cidadão Kane é sim o melhor filme de todos os tempos, se o cinema foi criado no fim do século XIX, Cidadão Kane reinventou o cinema na metade do século XX.

Nota: 10 Rosebuds/10 Xanadus


Parasite Eve (PS1)




Sabe algo que eu amo fazer? jogar jogos velhos. Por que? é porque eu adoro me sentir numa outra época, e no caso do PS1, me faz lembrar da minha infância e me deixa bem nostálgico.

Estou jogando diversos jogos de PS1 que deixei passar quando era moleque, e comecei com um clássico (até diria subestimado) do meu gênero favorito nos games chamado Survival Horror, e o Ps1 foi a era de ouro dos Survival Horror.

Uma palavra que usaria para descrever Parasite Eve a primeira vista é: estranho.

Imagine que Final Fantasy tivesse um filho com Resident Evil, você teria um belo bebê chamado Parasite Eve. Isso porque o jogo foi feito pela Square, a mesma companhia que fez Final Fantasy, utilizando várias características semelhantes com a franquia.

                                                           Esse tipo de bebê

A primeira a se notar é o combate que lembra bastante um RPG tático, mas ao invés do estilo xadrez clássico desse estilo de jogo, PE decidiu fazer algo diferente na mecânica, quando carrega seu ataque, cria-se um globo que é equivalente ao alcance da arma, se o inimigo estiver dentro do globo, ele vai sofrer um ataque maior, e enquanto seu ataque carrega você pode esquivar dos ataques dos seus inimigos, diferente dos clássicos RPGs de turno.


Parece estranho nas primeiras vezes, mas esse tipo de combate se torna bastante viciante depois que você o domina, e eu realmente queria que mais RPGs seguissem esse estilo do combate, pois pode ser bem divertido mas ainda é preciso uma certa estratégia para vencer.

A história do jogo é uma maluquice japonesa de primeira, na trama a policial novata Aya Brea vai a uma ópera, durante a ópera pessoas começam a sofrer combustões espontâneas exceto ela e uma atriz
no palco chamada Melissa, Aya confronta Melissa, que aparentemente é responsável pelas combustões, Melissa sofre uma mutação (fica com dedos gigantescos e começa a voar) e diz que seu nome agora é Eve,então ela foge pelo esgoto.


Ok, você deve estar muito confuso lendo isso, e têm duas razões pra isso: Uma é que a história e louca mesmo, outra é que eu sou péssimo em escrever sinopses.

Aya sai da ópera como única sobrevivente, e conhecemos seu parceiro, um Badass Mothefucker chamado Daniel que já chega esmurrando um repórter. Aya e Daniel descobrem depois que Melissa tem mitocôndrias geneticamente modificadas, que a fazem comandar e fazer mutações em praticamente todo o mundo (animais, pessoas), ela ficou maluca e decidiu criar um novo mundo feito a sua preferencia, o que geralmente envolve transformar pobres animais em mutantes mortais (o que gera possivelmente as melhores cenas de computação gráfica no PS1 até aquela época, em sequências grotescas inspiradas em O Enigma de Outro Mundo).

                                                Square era o mestre de CG no PS1

Também é descoberto que Aya tem ligação com Eve no passado e também tem poderes "mitôcondrios", fazendo dela a única que pode derrotar Eve.

Agora Aya e Daniel devem salvar Nova York e o mundo das maluquices de Eve, que provavelmente vai transformar todo mundo em gelatina com seus poderes.

Eu admiro a Square por colocar um monte de papo cientifico no jogo, a palavra mitocôndria é repetida pelo menos umas mil vezes no jogo, o que dá uma boa desculpa para os monstros malucos, que são mutações biológicas criadas pelas células superiores de Eve, e também é uma boa desculpa para as "magias'' da Aya (como cura, fogo e outros clássicos de RPG).

                                     Daniel está aqui para colocar algemas na ciência

Mas certamente é um trama que cai muito para o lado filme B, o que honestamente é o charme do jogo, ele é ridículo, e é isso que o faz tão divertido e memorável, também é um jogo muito ambicioso para a época, apresentando gráficos que eram incríveis para a época, seguindo o estilo Resident Evil de cenários pré-renderizados, mas ao invés de mansões ou cidades inventadas, aqui você anda por Nova York, em Manhattan pra ser mais especifico, você vai ao Central Park, em Chinatown e na luta final obrigatória na estatua da liberdade. A imersão desse jogo é tão foda que eu me senti mais em Nova York aqui (onde tudo é bem limitado) do que em GTA IV (que é uma recriação inteira de Nova York).

Outro fator é a ótima trilha sonora, feita por Yono Shimomura, mais conhecido pela trilha de Kingdom Hearts, a trilha alterna o tema tipico de filmes de pandemia e entre operas.


Parasite Eve é um clássico que deveria ser tão apreciado quanto Resident Evil e Silent Hill, mas que vejo poucos lembrando dele quando se fazem listas dos melhores jogos de Survival Horror.

É um jogo que definitivamente entrou na minha lista de favoritos dessa época.

Nota: 10/10

Halestorm - Into The Wild Life (2015)



Eu achei 2012 um ano tão medíocre em música que um dos meus álbuns favoritos lançados naquele ano era um bem improvável em qualquer lista de melhores, The Strange Case of... da banda Halestorm era rápido, divertido e estúpido (mas num bom sentido), e era um escapismo idiota que eu realmente precisava na época.

Isso porque, apesar do som bem rápido e de ser um bom exemplo de Hard Rock/Pop Rock moderno, as letras eram tão ridículas que eu não sabia se a banda era boa mesma ou era um grande Guilty Pleasure meu, afinal uma música com um som romântico chamada "Private Parts" me fazia rir como um idiota.


E não me entendam errado, tem músicas bem ruins em The Strange Case of... que parecem algo de uma banda post grunge dos anos 2000, mas no geral eu tinha achado um álbum legal. Acho que muito de meu gosto vem da cantora Lzze Hale (citada no artigo anterior), que é bastante energética, tem um ótimo poder vocal, além de eu achar ela bem maneira.


Então fiquei sabendo que esse ano lançou um álbum novo, que prometia amadurecer mais o som da banda, fazendo um álbum mais variado, ouvi a versão Deluxe e aqui vai minha analise.

Scream é uma boa introdução, mostrando um novo som, com alguns elementos eletrônicos, mas sem trair a sonoridade de rock.

I Am The Fire é um pouco mais tímida, mas tem um bom refrão e o vocal de Lzze é bem competente.

Sick Individual começa com um solo de bateria animal, e com um riff chupinhado de Black Sabbath, a música soa mais como o álbum posterior, é divertida e com uma letra com bastante atitude.

Amen é o grande single do álbum, a letra é bem comum, o som é o que se espera de um single, um refrão legal e bem chiclete, não é tão energética quanto Love Bites (So Do I), mas faz um bom trabalho.


Dear Daughter é bem lenta, é nada demais, mas a letra é boa, falando muito de uma relação pai - filha.

New Modern Love é minha favorita, ela é mais lenta também, mas eu adoro a construção dela, o refrão é maneiro, o som é bem agradável, com uma sonoridade bem mais complexa que a banda está acostumada a fazer.


O álbum não muda muito dessa estrutura, Mayhem , Gonna Get Me Some, Apocalyptic, I Like it Heavy e Jump the Gun são todas bem chiclete e divertidas, é exatamente o que se espera de um disco de Hard Rock. Bad Girls World, The Reckoning, What Sober Couldn't Say são mais leves e um tanto chatinhas, mas são decentes num todo, achei Unapologetic pop demais, qualquer outra artista de pop rock poderia ter feito igual e passar despercebida, fazendo dessa a única música do álbum que realmente desgostei.

Into The Wild Life mostra um pouco mais de maturidade da banda, mas Hard Rock é um estilo mais voltado para diversão, então essa maturidade não é nada surpreendente, as letras certamente estão bem melhores e acredito que as composições desse trabalho foram mais consistentes que seu antecessor, porém, as boas e energéticas faixas de The Strange Case of ...  são mais memoráveis que as deste álbum. No geral, é um bom trabalho, que poderia ser melhor.

Nota: 7/10



segunda-feira, 2 de março de 2015

Silent Hill 2: A Obra Prima do Survival Horror


Se alguém quiser entender o porque de eu gostar tanto de videogames, esse artigo vai explicar o meu fascínio por esse tipo de narrativa que é bem novo em comparação a outros tipos narrativos.

Muitas pessoas da nova geração só abriram os olhos para videogames como forma de arte com The Last of Us, Bioshock, The Walking Dead da Telltale e outros jogos. O jogo que me fez levar videogames a sério e como uma forma de arte interessante foi Silent Hill 2, lançado em 2001 para PS2, Xbox e depois para PC.

Esse artigo vai ser bem extenso, pois vou mostrar meus níveis de Fanboy totalmente, isso não significa que o jogo não tenha algumas falhas (até O Poderoso Chefão tem algumas, pouquíssimas, mas tem), mas no geral ele ainda é um jogo incrível.

A maioria dessas imagens foram tiradas por mim, pois tem vários momentos específicos que queria
mostrar, a versão que eu joguei dessa vez foi a de PC, as cutscenes eu peguei de videos no YouTube.

Eu poderia fazer apenas um resumo do que gosto no jogo, mas Silent Hill 2 foi tão importante para mim que eu tive que fazer algo bem extenso, falando de ponto por ponto sobre ele.

Silent Hill 2 toma um rumo diferente do primeiro, enquanto Silent Hill tem a história de um culto religioso maluco responsável pelo inferno de Silent Hill, o segundo ignora essa visão e segue um caminho completamente diferente, explorando o psicológico de seus personagens.

Inspirado muito em filmes surrealistas e psicológicos, como as obras de David Lynch, Andrei Tarkovsky e Alejandro Jodorowsky.

Outra influência que me esqueci de mencionar no artigo de  inspirações é o livro Crime e Castigo de Fiódor Dostoiévsky.

Pois é, Silent Hill 2 é um jogo ambicioso, quase esnobe.

É um jogo muito bem feito para a época, foi lançado bem no inicio da vida do PS2, e contava com gráficos incríveis e cutscenes inacreditáveis para a época, tanto que são bonitas até hoje.

É também um dos primeiros jogos realmente adulto da época, a maioria era apenas violência gratuita para chamar a atenção, mas SH2 fala de assuntos pesados, que eu não vou citar aqui, mas que estarão no artigo na hora certa para mim revelar.

Mas antes, vejam a incrível abertura do jogo, com Theme of Laura tocando (melhor música da história do universo).


A sinopse é: James Sunderland chega na cidade de Silent Hill após receber uma carta escrita por sua esposa que faleceu a três anos por uma doença terminal(chamada Mary), dizendo que ela estava na cidade esperando por ele em um lugar especial onde eles passaram as férias uma vez.

James, apesar de saber que a esposa supostamente morreu, vai a cidade assim mesmo para descobrir quem escreveu a carta e porque (pois era exatamente a mesma caligrafia dela), e ele também tem a esperança cega que talvez sua esposa ainda esteja viva.

A primeira cena do jogo é James olhando para o espelho, os olhos dele estão meio escondidos pelas sombras.



James sai do banheiro, anda até a vista do Toluca Lake, e a voz de Mary começa a ler a carta que ele recebeu.

  "Em meus sonhos mais inquietos
Eu vejo essa cidade
Silent Hill
  Você prometeu que me levaria lá novamente
Mas você nunca fez isso
Bem, eu estou sozinha lá agora
Em nosso lugar especial
Esperando por você ..."

James começa a falar sozinho, primeiramente questionando o quão estúpido é a ideia de ela ainda estar viva, mas mesmo assim ele vai seguir com essa esperança.



Uma coisa que já vi pessoas reclamando é sobre a dublagem do jogo, dizem que todos os personagens parecem autistas, e isso tem uma explicação, os personagens do jogo passaram por eventos traumatizantes e acham difícil se relacionar ou falar como pessoas comuns.

Outra é porque a Konami contratou dubladores americanos que viviam no Japão para fazer a dublagem, então a comunicação entre os designers japoneses e os dubladores americanos era bem complicada. Imagina só a dificuldade de achar dubladores americanos vivendo no Japão, eu acho que eles fizeram o melhor que eles podiam fazer com o que eles tinham.

E o fato da dublagem ser esquisita só aumenta o sentimento de estranheza do jogo, o que é ótimo.

O que não significa que eu não tenha achado que algumas cenas foram não intencionalmente engraçadas pela bizarrice, mas isso não diminui o significado geral do jogo.

Mesmo que você ache ruim ou não, é inegável que a dublagem de SH2 tem um charme especial, eu diria que é quase etéreo, algo que se perdeu na dublagem do HD Collection, onde fizeram uma nova dublagem, e apesar de ter bons e famosos dubladores, como Troy Baker, fazer uma nova dublagem foi um grande desrespeito com os dubladores originais.

Além do mais, as feições de James e até um pouco da personalidade foram inspiradas em seu dublador Guy Cihi.


Por mais que eu goste de Troy Baker, Guy Cihi é James Sunderland.

E não só ele, pois foi usado Motion Capture para as expressões dos personagens, então a emoção posta nesses rostos é trabalho dos dubladores originais. Guy Cihi chegou a contemplar suicídio após um divórcio, então ele está emocionalmente ligado ao personagem, porque ele também sentiu que perdeu a esposa.

Mas voltando agora:

No inventário de James tem a carta e uma foto de Mary tirada nas férias em Silent Hill.


James diz que vai procurar por ela em Rosewater Park, um ponto turístico de Silent Hill onde os dois passaram bons momentos juntos, e onde a foto acima foi tirada.

O caminho pela estrada está fechado, então James vai por uma trilha ao lado.


James anda pela floresta até chegar em um cemitério, onde ele encontra uma mulher olhando para uma lápide, ela se assusta com a chegada de James, você nota que ela parece desajeitada e extremamente tímida (Não que James seja muito melhor), ela parece estar constantemente com medo, e essa cena são duas pessoas muito estranhas conversando de forma embaraçosa, mostrando que ambos tem problemas emocionais.


James pergunta direções para a cidade, e Angela (que é o nome dela, apesar dela não ter dito o nome na cena) diz que há um caminho único logo a frente, mas diz que ele talvez não devesse ir, pois a algo estranho e perigoso na cidade.

James diz que ele não se importa, pois está a procura de alguém muito importante,  a Angela diz que está na cidade procurando a mãe, ela diz que também tentou achar seu pai e irmão, mas não achou eles.

Um fato interessante sobre o visual de Angela é que ela é uma adolescente que parece muito mais velha do que sua idade. E isso é algo que trarei de volta depois.

Aqui em diante você anda um longo caminho até chegar na cidade, onde é ouvido apenas o silêncio do cenário e os passos de James, e isso foi uma decisão genial, pois você chega a sentir a névoa em sua pele, e esse caminho longo foi feito com a ideia de que, você nunca mais vai voltar, você(o jogador) pertence a Silent Hill agora, assim como James.

Você passa uns quinze minutos, apenas caminhando até chegar a cidade, construindo uma atmosfera incrível.

A cidade está completamente deserta, ele anda um pouco e acha rastros de sangue na rua, ele vê uma figura estranha andando, escondida pela névoa densa, ele decide ir atrás da figura.

Figura estranha na névoa

Ao seguir a figura, James ouve o barulho de um rádio em estática chiando, ele entra num túnel onde o rádio está e o pega, e ao virar do lado se depara com uma criatura bizarra, que era a figura que ele estava perseguindo.


Vamos analisar o design desse monstro, ele se chama Lying Figure, e ele parece uma pessoa com uma camisa de força, mas a camisa é a própria pele dele, ele representa frustração,desejo reprimido, se sentir preso a própria pele.


James ao invés de fazer o que toda pessoa normal faria e correr, ele pega um pedaço de pau com um prego conveniente que estava do lado, e mata o monstro.

Isso não tem muita lógica na vida real, mas Silent Hill 2 ainda é um videogame, e segue a lógica de um videogame: Você vê um monstro, você têm uma arma, você mata o monstro.

James sai do túnel e ouve o rádio novamente, desta vez ele ouve a voz de Mary com um chiado interrompendo a mensagem.

Alias, toda vez que um monstro se aproxima, o rádio começa a chiar.

Você explora a cidade por enquanto, até chegar num bar, onde há um mapa no balcão, e uma janela com vários jornais colados com uma mensagem escrita no que parece ser sangue:

Havia um buraco aqui, ele se foi agora

Isso não é importante na trama, mas cria uma atmosfera estranha, pois você fica se perguntando, o que diabos isso significa?

No mapa estão marcados alguns lugares importantes na cidade, que são as locações dos itens que você precisa pegar.

No local marcado, você encontra um cadáver com a cabeça totalmente desfigurada, segurando a chave para os apartamentos de Silent Hill.


Notem o seguinte, o tamanho e as roupas do cadáver são exatamente os mesmos de James.

Ele chega até os apartamentos, tudo está escuro, ele vai até o segundo andar e em um dos quartos ele acha uma lanterna.


Observem o vestido do manequim, vejam como ele é familiar, se não lembrarem, vejam a foto de Mary novamente.

Ao retirar a lanterna do manequim, o jogador leva um tamanho susto quando um monstro se levanta atrás do manequim imediatamente após você tirar a lanterna.

Esse monstro se chama Mannequin.


Os monstros de Silent Hill 2 tem um significado sexual escondido, e é assim que James vê algumas mulheres, eu explicarei isso depois.


No terceiro andar, você encontra grades bloqueando o corredor,do outro lado das barras no chão há uma chave, ao tentar pegar a chave, uma criança corre e chuta a chave para longe, James chama a criança, mas ela desaparece.

Ele então volta ao segundo andar, e ouve um barulho vindo de um dos corredores. Ao chegar lá, ele se depara com outras grades bloqueando o caminho, porém, isso está do outro lado:


Isso é um exemplo primoroso de terror, você vê essa coisa esquisita do outro lado das grades, e ela não faz nada, ela só fica te olhando, e você sabe que essa não vai ser a última vez que você vai vê-lo, seu rádio só fica chiando na presença dele.

Ao entrar no quarto ao lado das grades, você encontra outro cadáver, com as mesma roupas que você.


E você estava certo ao prever que veria o monstro novamente, pois ao entrar em um quarto no terceiro andar, você vê essa linda cena.


Então, teoricamente, nosso querido monstro de antes (conhecido como Pyramid Head), estava estuprando os dois manequins.


Pois é, lembrem se que Silent Hill 2 foi lançado em 2001, 13 anos antes do seu amado e super maduro The Last of Us, criançada.

Essa cena foi parcialmente inspirada naquela cena em Veludo Azul onde o personagem principal se esconde no armário enquanto o Dennis Hopper trincado de açúcar começa a estuprar uma moça.

Em um quarto no primeiro andar, você encontra um cadáver numa geladeira (desta vez não tem semelhança com James) e você ouve barulhos de alguém vomitando no banheiro.



Esse é Eddie, e a primeira coisa que ele diz é: "Não fui eu".
O que te faz pensar o contrário, Eddie diz que também veio a cidade por alguma razão, ele não diz qual, mas ele foi atraído a cidade, assim como James e Angela.

E falando em Angela, você a encontra no segundo prédio de apartamentos em um quarto do primeiro andar. Ela está num quarto com um espelho gigante, ela segura uma faca com um pouco de sangue na ponta, e seu primeiro pensamento é que ela esteja contemplando suicídio.


Tanto que James diz: "Seja lá o que você está planejando, há sempre outro caminho".

E Angela (dessa vez ela introduz seu nome), diz coisas estranhas, mas interessantes como:

''Você é igual a mim, é mais fácil simplesmente fugir"

Angela também diz que não consegue achar sua mãe, e quando James vai pegar a faca dela, ela fica momentaneamente aterrorizada, apontando a faca para ele, depois quando ela nota o que ela está fazendo, ela pede desculpas e vai embora.

O que significa que Angela tem medo de toque físico, e notem que a voz dela parece muito frágil nesse momento.

E a música mais linda e mais triste do jogo toca durante essa cena.


Você agora tem a faca no inventário, mas curiosamente, você não pode usar como uma arma, pode apenas examinar a faca.

E você tem um bom tempo para poder se olhar no espelho, de novo.


James encontra Pyramid Head novamente, dessa vez molestando um Lying Figure, a porta atrás de você magicamente se tranca e você fica preso com o Senhor Estupro, dessa vez você tem que lutar com ele.


Não tem como ganhar essa luta, você só atira nele até que ele se cansa e vai embora pela escadaria inundada, ele abre a última porta e a água se vai.

James sai dos apartamentos, e segue em frente, até encontrar uma criança sentada num muro.


Essa é a criança que chutou a chave de você antes, ela parece não gostar de James, e diz: "Você nunca amou Mary" e corre. James obviamente fica surpreso ao saber que a criança conhece Mary, e cria ainda mais esperança que ela ainda esteja viva.

Ele finalmente chega em Rosewater Park.


E vê uma figura humana na névoa, uma mulher, ele pensa ser Mary, mas tem uma surpresa.



Essa é Maria, ela é totalmente idêntica à Mary, só que loira e sexy (assim como em Estrada Perdida, de David Lynch), James explica que está a procura de sua esposa, e Maria pergunta se esse é o único lugar que ela poderia estar, James então lembra de outro lugar onde ele e Mary estiveram juntos, o Lakeview Hotel, o hotel onde eles se hospedaram durante as férias.

Maria agora faz companhia a você, e vocês dois andam pela estrada que leva até o hotel, mas ao chegar no meio da estrada, encontram ela destruída e impossível de atravessar, há também um cadáver no chão (mesmas roupas de James) com um mapa ao lado.


Nesse mapa estão marcados um Boliche, você então vai até lá, Maria decide ficar fora porque ela diz odiar boliche(isso parece idiota, mas tem uma explicação), ao entrar, você ouve as vozes de Eddie e da criança.


Nessa conversa, fica entendido que Eddie cometeu algum crime e a policia está atrás dele, também descobrimos que o nome da menina é Laura.

E onde diabos Eddie achou uma pizza está além do meu conhecimento.

Quando você chega onde Eddie e Laura estão, ela foge.

Então, quando você sai do Boliche, Maria chega cansada e diz que viu uma menina correndo e foi atrás dela. vocês dois vão procurar por ela, pois Laura conhece Mary.

Os dois chegam num beco sem saída, e vêem que Laura passou por uma brecha muito estreita que só alguém do tamanho dela poderia passar, vocês então entram pela porta dos fundos de uma boate, que convenientemente é onde Maria trabalha (ela é uma Stripper, ou dançarina se preferir).


Ao sair da boate (chamada Heaven's Night), vocês vêem Laura entrando num hospital, vocês seguem ela.

Brookhaven Hospital

O hospital (um lugar quase obrigatório nos jogos da série) é um dos lugares mais memoráveis e assustadores do jogo, muito devido aos novos monstros introduzidos, as famosas enfermeiras(Nurses).


As enfermeiras são monstros interessantes, pois você deve notar que elas são, hum, bem, um pouco sexy, apesar de elas terem uma bolha de carne no lugar do rosto com algumas faixas, e as cabeça delas estralam toda vez que elas se movem. Isso tem uma explicação, que só direi depois.

No vestiário do hospital, você encontra uma escopeta no armário, e olha só o que tem na portinha:

A saia de Mary

Maria começa a tossir num quarto, e decide ficar por ali, deitada numa cama de hospital.


Maria diz ser apenas uma ressaca, mas o modo que ela tosse e o tipo de remédios que ela usa lembram James da sua própria esposa, quando ela estava doente.

James vai até o telhado, só pra ser cumprimentado por Pyramid Head, que o joga pra fora do telhado, James por muita sorte acaba caindo no terceiro andar do hospital.


James finalmente encontra Laura no primeiro andar do hospital, ele pergunta como ela conheceu Mary, e Laura responde que conheceu Mary um ano atrás no hospital, e as duas viraram amigas. James tem um ataque momentâneo, chamando a de mentirosa, mas logo se arrepende e pede desculpas. Ele convence ela a acompanhar ele e Maria, e diz que é muito perigoso uma criança ficar sozinha por ali, e que ela deveria estar com muito medo.

E Laura responde: "Porque eu deveria?"

No caminho, Laura diz que tem que pegar algo, uma carta escrita por Mary, e os dois vão até o local da carta, mas Laura fica pra trás, enquanto James sendo o grande burro que ele é entra no local para pegar a carta, Laura sendo a bela criança FDP que ela é, tranca James no quarto só pela zoeira, ela te deixa lá e vai embora.


Dentro do quarto James de depara com um monstro bem peculiar.


Essa beleza se chama Fresh Lips, notem que ele é basicamente uma cama com uma massa de carne dentro, e esses lindos lábios no lugar das genitais não é nenhuma coincidência.

Sim, é exatamente o que você pensa que é.

Sacou? lábios e tal.

Fresh Lips tem péssimo costume de tentar de sufocar, e esse pequeno detalhe vai ser importante depois.

Após matar o Vaginamon, você é transportado para a versão infernal do hospital, o interessante é que essa é a única vez no jogo onde a icônica sirene de Silent Hill toca.


Você volta até o quarto de Maria, mas ele está vazio e tem uns remédios na mesinha ao lado, James se pergunta se Maria também está doente (como sua esposa).


James vai até o porão do hospital, e Maria abre a porta atrás dele, James pergunta se é Mary, mas fica visivelmente decepcionado quando vê Maria, e ela fica muito irritada com ele, dizendo que ele deveria proteger ela e que ele só se preocupa com a esposa morta dele. Maria se acalma e diz que os dois deveriam continuar procurando por Laura, pois ela sente o dever de proteger ela.


Na procura, os dois entram num corredor subterrâneo do hospital, até que você ouve o barulho de uma grande faca sendo arrastada atrás de você, então James e Maria correm, pois Pyramid Head está lhes caçando.


James chega num elevador no final do corredor, mas Maria fica para trás, enquanto as portas do elevador se fecham, James tenta abri-las, mas Pyramid Head já está atrás de Maria, e ele a empala com uma estaca.


E James sofre um sentimento que ele conhece muito bem, a culpa.


Ele falha em salvar Maria, assim como ele não pode salvar sua esposa.

Ele se levanta, e entra num quarto que antes estivera trancado, ele acha um mapa na mesa, marcando os lugares que ele precisa ir, para encontrar a chave para o Museu de Silent Hill, que fica próximo ao Toluca Lake, ele vê Laura pela janela andando sem nenhuma preocupação.

James sai do hospital, e decide continuar com o plano de ir para o Hotel, à procura de Mary, ele vai usar algum bote perto do Museu para atravessar o lago e chegar ao hotel (já que a rua está completamente destruída).

Agora você tem um tempo para explorar a cidade novamente, nota-se que a cidade durante a dimensão infernal é completamente escura.


Se você entrar no bar novamente, vai ver uma mensagem nova na parede:



"Se você realmente quer ver Mary
Você deveria apenas morrer
Mas o lugar para onde você vai
É um lugar bem diferente de onde Mary estará
James"

Você sabe que James fez algo errado, e quem escreveu essa mensagem diz que ele irá para o inferno por ter feito esse algo.

James também vê alguns monstros chamados Mandarin nos chãos de grade.


Os mandarins são monstros muito raros no jogo, eles sempre estão abaixo de você, eles têm lábios nas mãos, e dentro dos lábios saem estacas que tentam te empalar. Eles representam angústia, a angústia de sempre estar abaixo de algo, sempre se segurando para não cair na escuridão eterna.

" A porta que acorda na escuridão
Abrindo em pesadelos"

Essa é um descrição muito boa do que Silent Hill é.

Você finalmente pega a chave, e faz seu caminho até o Museu.

Outdoor do Lakeview Hotel

Você chega lá no Museu, e vê esse quadro numa parede:


Você deve estar confuso agora, James viu a imagem de Pyramid Head nesse mesmo lugar durante as férias com Mary, e agora essa mesma imagem foi materializada e está perseguindo ele.

Você encontra uma parede quebrada, com uma escadaria indo para baixo.


Até chegar ao fundo da escadaria, leva uns quatro minutos, eu até pensei que ele era infinita por um instante, uma metáfora esperta de que você está indo lentamente para o inferno, pois o que está por vir é a parte mais claustrofóbica, escura, assustadora e sufocante do jogo inteiro.

Se você achava que o hospital era a parte mais tensa do jogo, a prisão subterrânea de Silent Hill vai ser sua perdição.

Em um dos quartos, você vê esses quadros:


Descobrimos aqui que no primeiro quadro, o visual de Pyramid Head é o mesmo que os carrascos da prisão usavam nas execuções, vemos no segundo quadro o que parece ser Lying Figures empalados, e no terceiro é a prisão onde estamos, o que é estranho, pois na foto mostra a prisão em um lugar aberto, e estamos na mesma prisão, só que num lugar subterrâneo.

Em outro quarto, James encontra um buraco no chão, um que ele não consegue ver onde termina, e o que ele faz? ele pula no buraco porque essa é a lógica de videogame.


E encontra outro buraco depois, só que dessa vez com um visual surrealista.

Fazendo um nó no seu cérebro

Ele pula e acorda na cafeteria da prisão, encontrando Eddie e descobrindo qual é a dele.

James encontra Eddie segurando uma arma, e ele diz:

"Matar uma pessoa não é nada demais, é só colocar uma arma na cabeça delas e Pow!"

Há um cadáver na mesa ao lado, com os miolos espalhados pela mesa, e não aparenta ser o cadáver de um monstro.

James pergunta porque Eddie fez aquilo, e Eddie diz que ele estava "zombando dele com os olhos". James fica chocado e diz que ele não pode matar alguém apenas pelo jeito que ela o olhou, e Eddie responde: "Por que não? até agora eu sempre deixei as pessoas passarem por cima de mim, é como aquele cachorro idiota, ele pediu por isso também".

James ainda chocado, fica sem palavras, então Eddie diz que é só uma brincadeira e que o corpo já estava ali quando ele chegou, mas nós sabemos que é mentira.


Agora já é seguro revelar alguns segredos, a cidade chama inconscientemente pessoas que cometeram algo errado, que sofreram muito e não conseguem se livrar disso, e materializa as fobias e os demônios internos das pessoas na cidade, os monstros que analisei até aqui são frutos da consciência de James.

Eddie é um cara gordo e um tanto infantil, então fica óbvio que ele sofreu Bullying pela vida inteira, e isso mexeu bastante com a cabeça dele, ele acabou se tornando psicótico a ponto de matar alguém apenas pela leve suspeita que esse alguém esteja zombando dele. A história é que Eddie era atormentado por um jogador de futebol americano, e um dia ele resolveu se vingar, ele foi até a casa do jogador e matou o cachorro dele, o jogador veio ver o que estava acontecendo e Eddie atirou na perna do jogador e fugiu. Aquelas pessoas que estão atrás dele (mencionado quando ele estava com Laura no Boliche) são policiais. Na fuga, Eddie foi atraído por Silent Hil, pois ele inconscientemente sente o desejo de ser punido por seus crimes.

James encontra uma placa numa mesa, com a imagem do deus asteca Tlahuizcalpantecuhtli (óbvio que eu dei Ctrl c - Ctrl-v nessa palavra), escrito The Gluttonous Pig (O Porco Guloso), essa placa representa Eddie.


Um fato interessante é que há um quadro na cafeteria com uma imagem da cafeteria.


Pobre coitado que teve o azar de se encontrar com o Eddie

Ao andar pela prisão, você encontra as placas The Seductress (A Sedutora) e The Opressor (O Opressor).


A primeira placa tem a imagem da deusa asteca Mayahuel, é ela pode ter ligação com Angela ou Maria. A segunda placa tem a imagem de Tlazolteotl, deusa asteca do pecado e da perversão sexual, que também concede perdão a esses atos. Ela representa James, e eu explicarei isso na hora certa.

Você precisa trazer essas placas a uma arena onde há três forcas no meio.

Três forcas para três condenados

Você coloca as placas no lugar, e notem que têm dois Pyramid Head (que seriam os carrascos) na imagem.


James consegue sair da prisão, apenas para ir mais fundo ainda, agora num labirinto, e você vê essa linda imagem de vários corpos antes de descer.

O tipo de imagens que só se vê em pesadelos

O labirinto é o lugar mais sufocante do jogo, pois você fica muito confuso com o cenário (afinal, é um labirinto), os corredores são muito estreitos, há monstros por todo lado, a música é aterrorizante. O labirinto é uma das melhores recriações de como você se sente num pesadelo que já joguei.   

Em um canto do labirinto, nos encontramos novamente com nosso amigão Pyramid Head, dessa vez com uma estaca na mão.


Se você conseguir fugir dele, pode acabar encontrando o quarto do Pyramid Head.


Nota-se que ele não precisa muito para viver feliz, só um quarto com alguns corpos pendurados. Pyramid Head Humildão.

Dá para pegar a faca gigante dele agora, mas ela não é nada prática, pois James só consegue arrasta-la de tão pesada.

Um fato curioso, o modelo de personagem do Pyramid Head sem a pirâmide é exatamente do mesmo tamanho que James(Simbolismo, leia isso como se tivesse ouvindo um sussurro).


Após resolver um puzzle bem complicado, você entra num quarto e tem mais uma surpresa inacreditável:

Maria aparece viva numa cela de prisão, James fica espantado, perguntando como ela sobreviveu ao ataque, mas Maria parece não lembrar de absolutamente nada, então ela começa a falar:

"James, querido, aconteceu algo com você? depois que nos separamos naquele longo corredor? Você está me confundindo com outro alguém?
Você sempre foi tão esquecido, se lembra aquela vez no hotel? 

James começa a ficar confuso, pois parece que Mary está falando, até o tom de voz é o mesmo de Mary.

"Você disse que pegou tudo, mas se esqueceu daquele vídeo que filmamos, eu me pergunto se ainda esta lá"

James então pergunta:

"Como você sabe de tudo isso, você não é Maria?

"Eu não sua Mary" responde Maria, e o tom de voz muda de novo, dessa vez lembrando o tom de Maria.

"Não importa quem eu sou, eu estou aqui por você James, Viu? eu sou real"
"Você quer me tocar?"

E James bem virjão responde: "eu não sei"



Provando que a promessa de sexo move montanhas, James vai a procura de outro lugar para entrar na cela com Maria, atravessando o labirinto e chegando num corredor com vários jornais no chão.

Há um jornal no chão com manchas de sangue, você não consegue ler tudo pois varias partes do texto estão escondidas pelo sangue, mas consegue entender que é um artigo sobre o homicídio de um homem.

Alguns fãs conseguiram decifrar o que estava escrito no jornal, e o artigo é sobre o homicídio de um homem chamado Thomas Orosco, que foi morto com varias facadas no pescoço, ele tinha um histórico de alcoolismo e violência, e o crime parecia ser passional.

Há uma porta ao lado, com vários jornais colados nela, você houve Angela chorando e gritando "Pai, por favor não!!". Você entra no quarto e encontra Angela num canto sentada no chão, e um monstro extremamente bizarro no meio, nota-se que as paredes são feitas de carne e pele, e há vários buracos com alguma coisa batendo nos buracos constantemente.


Esse monstro se chama Abstract Daddy (Pai Ideal) e ele me assusta mais que o próprio Pyramid Head.


Ele é basicamente uma cama andante, uma massa de carne colada numa maldita cama, com mãos e pernas, e uma boca que se parece suspeitosamente com um pênis.


Oh, isso é definitivamente um pênis!


Muito mais assustador que Pyramid Head, ele também tem o hábito de tentar de enforcar.


Você mata o estupropirocomon e descobre o passado horrível de Angela, se você não sacou ainda, esse monstro é como Angela vê o pai dela.

Ela entra num ódio mortal, chuta o monstro e joga uma tv nele pra finalizar, James pede pra ela se acalmar, mas ela fica irritada com ele também e começa a falar:

"O que você quer? Oh, eu sei, você está sendo legal comigo, eu sei qual é a sua, é sempre a mesma coisa, você só está atras de uma coisa!!"

James entende o que ela está mencionando (sexo, se os burros não sacaram) e diz que não tem é isso, apesar dele só estar atrás de Maria pela promessa de sexo.

"Você não precisa mentir, diga logo de uma vez, você poderia me forçar, me bater como ele sempre fazia, você só se importa consigo mesmo, seu porco nojento!"

Angela se ajoelha, chorando e começa a vomitar, James tenta ajuda-la a se levantar, mas ela grita para não tocar nela, ela se levanta sozinha, olha para James e diz:

"Você disse que sua estava morta, certo?" James responde que sim e diz que foi uma doença "Mentiroso!! eu sei sobre você, você não queria ela mais por perto, você provavelmente achou outra pessoa"

Angela era molestada e estuprada pelo próprio pai e pelo irmão mais velho quando criança, por isso ela é tão traumatizada, por isso ela fala de modo estranho e parece bem mais velha do que sua idade, por isso ela tem pavor de toque. Pois as pessoas que deveriam protege-la e ama-la eram os maiores inimigos que já teve, e este é um assunto seríssimo que Silent Hill 2 fala.

Angela após anos de abuso, se rebelou e assassinou o pai, com aquela faca que estava usando antes quando a encontramos no apartamento, ela fugiu e foi atraída para Silent Hill.
  
O jogo falou de bullying, doenças terminais, sexo, estupro, pedofilia, incesto e memórias reprimidas até agora, e ainda vem gente dizer que The Last of Us foi o "primeiro jogo realmente adulto".

Eu gosto de The Last of Us, mas acho que ele é extremamente superestimado antes que alguém me pergunte.

James continua sua procura por Maria,mas antes tem que resolver um puzzle bem interessante, onde você tem uma sala com seis corpos, e outra sala com seis forcas, você precisa ler um poema que diz quais dos corpos vão ser enforcados, mas um deles é inocente, você precisa puxar a corda do único inocente no poema.


Você chega até a cela onde Maria está.


E encontra Maria morta de novo.

Oh my god, you killed Maria, you bastards!!

Já é seguro revelar que Maria é apenas um fruto da imaginação de James, ela é o que James queria que Mary fosse, e a cidade materializou esse desejo. Aparentemente, somente James pode vê-la, por isso ela não quis entrar no Boliche com ele, pois Eddie e Laura estavam lá dentro, e eles não veriam Maria porque ela não existe.

James continua andando, continua em sua procura por Mary, obsessivamente acredita que ela ainda está viva, que apenas a minima possibilidade dela ainda viver é a única coisa que o mantem seguindo em frente, a única motivação da vida dele nesse ponto.

James entra num cemitério subterrâneo, e vê três covas, nas três lápides estão os nomes de respectivamente: James Sunderland, Angela Orosco e Eddie Dombrowski.

Três covas para três condenados

Há um buraco na cova de James, e ele pula nela, caindo em um corredor, no final do corredor tudo está ensanguentado e com uma porta no final.


Dentro do lugar, James se encontra num frigorifico com gás e vários cadáveres no chão, com buracos de tiro pelo corpo, e Eddie também está lá, segurando sua arma. 

James pergunta o que diabos Eddie está fazendo, e ele deixa claro que matou todos esses corpos na sala, mencionando os apelidos zombadores que ele recebeu e então diz:

"Talvez eu seja nada além de um gordo e nojento pedaço de merda, mas quer saber o quê? não importa se você é inteligente, burro, feio, bonito... É tudo igual assim que você esteja morto! E um cadáver não pode rir... De agora em diante, se alguém me zombar, eu mato"

James pergunta se Eddie ficou insano (como se não estivesse claro que sim), e Eddie se rebela e diz que vai matar James também, você luta contra ele, após ele ganhar muito dano, ele vai para o próximo quarto.



Os corpos no chão também tem as mesma roupas e tamanho de James.

No outro lado do frigorifico, Eddie está escondido, e ele começa a contar sobre o passado dele e sobre o que o fez fugir, o que eu já revelei antes no artigo. Ele também diz:

"Essa cidade também chamou você, você e eu somos iguais, não somos como as outras pessoas"



Após uma luta muito tensa e bem dificil, você mata Eddie e James fica transtornado por ter matado um ser humano, e uma faísca de dúvida surge em sua cabeça enquanto a Mary.

Seu nome agora é defunto, Eddie


Um fato curioso é que após essa batalha, se você examinar a carta de Mary no seu inventário, verá que agora ela está em branco.

Ele sai do frigorifico e se encontra no porto, ele sai num bote e segue uma luz pelo Toluca Lake.

Siga a luz, James

Essa parte é genial, pois é apenas você seguindo cegamente essa luz com a esperança de estar indo para o lugar certo, assim como James segue cegamente a ideia que Mary ainda esteja viva.

Você finalmente chega no Lakeview Hotel, após toda essa jornada, essa vai ser a revelação final.

Dentro do Lakeview (que foi muito inspirado no hotel do filme O Iluminado), você encontra Laura na cozinha do hotel, ele está atrás de um piano, estranhamente, essa é única vez que ela é amigável com você, ela diz ter conhecido Mary no hospital e que as duas viraram amigas, e ela dá uma carta para James escrita por Mary, Laura diz para James não contar para Rachael sobre isso, Rachael era a enfermeira de Mary.

Na carta está escrito:

"Minha Querida Laura, estou deixando essa carta com Rachael para dar para você depois que eu ir embora, eu estou longe agora, em um lugar quieto e lindo.
Por favor, me perdoe por não dizer adeus antes de eu sair
Esteja bem, Laura
Não seja tão difícil com as irmãs
E Laura, sobre James, eu sei que você odeia ele porque pensa que ele não é legal comigo, mas por favor, dê uma chance a ele.
É verdade que ele pode ser um pouco grosseiro as vezes, e ele não ri muito, mas por dentro ele é realmente uma pessoa doce
Laura, eu te amo como se fosse minha própria filha
Se as coisas tivessem sido diferentes, eu gostaria de poder te adotar
Feliz oitavo aniversário
Sua amiga para sempre, Mary"

Laura diz ter feito aniversário uma semana antes, e James fica confuso por pensar que fazem três anos que ela morreu, ele pergunta para Laura se o lugar quieto e lindo que Mary mencionou era esse hotel?  Laura diz que Mary vivia falando sobre Silent Hill e mostrando fotos das férias que ela e você passaram lá, então é por isso que ela está no hotel também, e diz ter outra carta de Mary, mas ela não encontra nos bolsos, e sai correndo da cozinha para procurar.



A linda música Laura Plays the Piano toca durante essa cena:



Você acha a fita cassete que Maria mencionou na cela de prisão, e após uma longa jornada pelo hotel, você finalmente chega no quarto onde você e Mary estavam hospedados.


Essa é a hora da verdade, o momento pelo qual o jogo inteiro construiu para acontecer, você não consegue segurar a expectativa, será que Mary está realmente dentro do quarto? então você cria coragem e aperta o botão para entrar.

E o quarto está absolutamente vazio:


Nada, nem música, apenas o silêncio do quarto abandonado, você checa o quarto para ver se ela não está escondida em algum lugar, você desiste após um tempo, e decide colocar a fita cassete num aparelho VHS no chão, para ver pelo menos o que vocês dois filmaram.

O vídeo começa com Mary nesse mesmo quarto, dizendo que gostaria muito de voltar em Silent Hill algum dia, e ela começa a tossir, mostrando os primeiros indícios da doença. A fita corta para Mary numa cama de hospital, já em estado avançado da doença, James aparece ao lado da cama, ele se levanta e parece dar um beijo na testa dela.

Então James pega um travesseiro, coloca no rosto de dela e pressiona, sufocando-a lentamente, ela luta com o minimo de forças que ela ainda tem, mas logo sucumbe, os movimentos cessam, os gritos param, e Mary morre.



James sente o horror novamente, a culpa, o ódio próprio e a vergonha passam a infernizar ele, e ele sabe agora, que ele merece ser punido pela coisa terrível que ele cometeu.


Lembram se dos monstros? se não, voltem e vejam de novo, pois agora as explicações vão vir.

Mary pegou uma doença muito rara e incurável que deformava sua pele, o médico disse que ela poderia viver no máximo por três anos, James obviamente ficou mega depressivo, e Mary começou a ter um ódio por si própria, dizendo que ela estava virando um monstro, com a pele sendo destruída e morrendo lentamente.

Mary em estado avançado da doença

Após algum tempo, James se sentia sexualmente frustado, e a morte eminente de Mary o deixava com sentimentos estranhos, pois ele realmente amava ela antes da doença, mas enquanto a morte batia lentamente a porta para ela, James começou a reprimir alguns desejos.

James se sentia preso dentro da própria pele, preso pelo fardo da doença de Mary, assim como os Lying Figures.

Pela frustração sexual, ele desejava algumas mulheres, apenas pelo lado sexual, como os mannequins só tem pernas e as partes sexuais.

James quando visitava Mary no hospital, secretamente desejava algumas enfermeiras (como Rachael), por isso as enfermeiras do jogo são sexys, mas ele constantemente lembrava da esposa, com faixas no rosto para esconder a doença, e as enfermeiras tem faixas no rosto, para lembra-lo do seu fardo.

James se sentia como os Mandarins, sempre se segurando em algo para não cair na tentação, angustiado.

Fresh Lips é como James via Mary, sabendo que nunca poderia encostar nela novamente.

James não conseguia mais lidar com essa pressão, e pensou que era melhor Mary morrer do que continuar agonizando, ele então a matou, mas não obteve nenhum alivio com isso, ao invés disso, James sentiu a culpa e o desejo de querer ser punido, pois ele sabia que merecia justiça.

Durante as férias em Silent Hill, James deve ter visitado o museu e visto a imagem dos carrascos da cidade, usando uma pirâmide na cabeça, isso ficou gravado em sua memória, e após a morte de Mary, ele precisava de um carrasco, alguém que o punisse pelo ato terrível que ele fez.

E Pyramid Head nasceu com essa ideia, e Maria também nasceu desse desejo, alguém que fosse o que Mary era mas atendendo os desejos de James,  alguém que ele quisesse proteger, apenas para Pyramid Head a matar de novo e de novo, o fazendo sofrer, o fazendo lembrar da culpa, o fazendo relembrar da morte de Mary.

Em muitos aspectos, Pyramid Head é James, ele é o subconsciente dele agindo, é o remorso que o aflige, carregando um faca pesada, um fardo cortante e difícil de carregar.

Muitos inimigos tentam te enforcar, porque você matou Mary sufocada, e isso seria uma justiça poética pelo crime que cometeu, e todos aqueles corpos usando as mesmas roupas que você é o desejo que James têm de morrer.

Laura chega no quarto, perguntando se ele achou Mary ou a carta, ele decide revelar que ela morreu, e que ele a matou, Laura obviamente cria ódio de James e vai embora triste, mas ele escuta a voz de Mary no rádio novamente, dizendo para encontrar ela.



A música True toca nesse momento:


James levanta e decide continuar em frente, apesar de a verdadeira Mary estar morta, James quer enfrentar o que a cidade ainda tem a oferecer, e talvez conseguir alguma redenção.

A carta no seu inventário desaparece de vez.

Nota-se que agora todo o Hotel está com uma aparência destruída e totalmente úmido, como se tivesse sido afundado, na biblioteca do hotel você encontra um gravador com uma gravação de uma conversa entre o médico e James, ele diz que a doença é incurável e ela teria no máximo três anos de vida ainda.


Essa cama flutuando no ar não é um glitch, é apenas bizarrice mesmo

James associou essa memória a verdade, quando na realidade, Mary foi morta por ele há uma semana atrás (lembra da carta de Mary para Laura?), ele aparentemente ficou tão traumatizado pelo que fez, que perdeu a memória, até a cidade decidir atrair e punir ele.

Você encontra Angela uma última vez, numa escadaria pegando fogo.

Quando ela te vê, Angela está claramente iludida e pensa que James é a mãe dela, ela fala com a suposta "mãe" com um aparente alivio, e até diz que "finalmente vai poder descansar", James começa a se afastar e Angela se aproxima dizendo "Mãe, por que está indo embora?"

É apenas quando ela toca seu rosto que a ilusão dela passa, e ela se toca que é James. Ela pede desculpas e dessa vez agradece você ter salvo ela daquele monstro, mas diz que ele não deveria, porque a mãe dela disse que ela merecia aquilo (o abuso).

James diz que ela está errada, mas Angela continua com a mesma ideia, então ela fala:

"Ou talvez, você ache que pode me salvar? você me amaria? tomaria conta de mim? curaria toda a minha dor?

James se afasta, pois sabe que não, ele não conseguiu isso nem com a própria esposa.

"Foi o que eu pensei" diz Angela.

Ela pede para ele devolver a faca, mas ele recusa, ela pergunta se ele vai usar nele mesmo, e James diz que nunca se mataria.

Ela começa a subir as escadas, e James diz que está quente como o inferno naquela escadaria, então Angela diz: "Você sente também? para mim, é sempre assim".




Notem que há dois corpos grudados na parede, simbolizando o pai e o irmão dela.


O fogo sobe e a esconde, James vira e volta pela porta onde entrou.

Quando você encontra vários savepoints juntos grudados na parede, fica claro que o final do jogo está muito próximo, e como se não fosse óbvio, é a última vez que você pode salvar o jogo.


James entra pelo portão ao lado, e encontra Maria de cabeça para baixo e DOIS Pyramid Head segurando estacas ao lado dela, Maria é novamente empalada, James se ajoelha, e começa a falar:

"Eu estava fraco, por isso eu precisava de você, precisava de alguém para me punir pelo meus pecados, isso acabou agora, eu sei a verdade, é hora de acabar com isso"

 

James decide criar coragem e enfrentar seus próprios demônios agora, após uma batalha tensa contra os dois Pyramid Head, eles pegam as estacas e cometem suicídio.


Após isso, você anda num longo corredor, onde James ouve uma conversa que teve com Mary no hospital, ele havia trazido flores para ela, mas Mary fica irritada com ele, dizendo que ela parece um monstro e não merece flores, James sai frustrado, e Mary se arrepende, começa a chorar e pedir para ele voltar, mas James já estava longe e não pode ouvir.

James se prepara para o momento final, sobe várias escadas até chegar no topo do hotel, e encontra Mary olhando pela janela, a cama dela está lá também, e a chuva cai no teto.


O jogo tem múltiplos finais, e tudo depende do seu comportamento no jogo

James se aproxima e pergunta se é Mary quem está ali, dependendo de seu comportamento no jogo, Mary pode dizer que na verdade é Maria, ou ela mesma. caso você tenha examinado a foto de Mary diversas vezes no jogo, ou a carta, Mary dirá que é Maria quem está lá, e se você cuidou de Maria muito bem, Mary estará sentada na cama durante essa cena, e ela não te perdoará pelos seus crimes.

O final que eu escolhi para esse artigo é o considerado canônico pelos criadores do jogo, ele se chama In Water, esse final ocorre se você examinar a faca varias vezes, aquela que Angela te deu, e nesse final você luta contra Maria, pois ele renuncia o desejo, ele aceita o que ele fez.



Maria vira um monstro parecido com Fresh Lips, numa cama com Maria dentro, representando a doença de Mary nos seus dias finais e os sentimentos de James nessa época.


Ela também gosta de te enforcar.


Após uma batalha bem longa e emocional, Maria cai no chão e você tem que finalizar ela.


Eu costumo usar a faca gigante do Pyramid Head pra fazer isso.

Após isso é o Grand Finale, James aparece num quarto com Mary deitada numa cama doente, ele pede perdão à ela, ela diz que queria morrer, queria parar a dor, e ele diz que foi por isso que ele fez, que ele não conseguia ver ela sofrendo.

Ele faz uma pequena pausa, e entra em termos consigo mesmo quando diz:

"Não, essa não é toda a verdade, você disse que não queria morrer, a verdade é que parte de mim te odiava por ter tirado minha vida"

"Você me matou e sofreu por isso, é o suficiente" diz Mary e começa a tossir violentamente. Ela começa a perder forças, segura a mão de James e morre.

Ele se levanta, segura o corpo dela nos braços e a leva de volta.


"Agora eu entendo o motivo de ter vindo nessa cidade" você ouve James falando, ouve o barulho de um carro acelerando.

"Eu me pergunto, do que eu estava com medo? Sem você Mary, eu não tenho nada" o carro começa a acelerar muito rápido, de repente tudo fica em silêncio, e as últimas palavras de James são ouvidas.

"Agora podemos ficar juntos"

Vemos o ponto de vista de alguém debaixo da água do lago, olhando para a luz fora naquela imensidão sem ar e silenciosa, enquanto as memórias e a vida de James se perdem no tempo como lágrimas em um lago gigantesco(sacou a referência?), a voz de Mary começa a narrar a carta, aquela que Laura perdeu, a carta começa como a que James tinha, mas após as reticências, a carta continua:



"Em meus sonhos mais inquietos
Eu vejo essa cidade
Silent Hill
  Você prometeu que me levaria lá novamente
Mas você nunca fez isso
Bem, eu estou sozinha lá agora
Em nosso lugar especial
Esperando por você ..."

"Esperando por você me visitar
Mas você nunca vem
Então eu esperei, envolta em meu casulo de dor e solidão
Eu sei que fiz algo terrível com você, algo que você nunca me perdoará
Eu queria poder mudar isso, mas eu não posso
Eu me sinto tão patética e feia deitada aqui
Esperando por você.
Todo dia eu olho as rachaduras no teto e só consigo pensar o quão
injusto é tudo isso
O doutor veio hoje
Ele disse que eu poderia ir para casa
para ficar um tempinho
Não é que eu esteja melhorando
É que talvez essa seja a última vez...

Eu acho que você sabe o que isso significa...

Mesmo assim, estou feliz por estar indo para casa
Eu senti muito a sua falta
Mas eu estou com medo, James
Medo que você não queira que eu vá para casa
Sempre que você vêm me ver
Eu posso dizer o quão é difícil para você
Eu não sei se você me odeia, ou me culpa...
Ou talvez eu apenas te deixe enojado

Desculpe por isso

Quando eu fiquei sabendo que iria morrer
Eu não queria aceitar
Eu fiquei tão irritada o tempo todo
E fui péssima com todo mundo que me amava
Especialmente com você, James
Por isso eu entendo
Caso você me odeie
Mas eu quero que você saiba disso, James

Eu sempre te amei

Mesmo que nossa vida juntos tenha que terminar assim
Eu ainda não trocaria por nada nesse mundo.
Nós tivemos momentos maravilhosos juntos
Bem, essa carta se estendeu muito, então eu digo adeus

Eu disse para a enfermeira te dar isso depois que eu for embora
Isso significa que se você estiver lendo isso, eu já estarei morta
Eu não posso te pedir para lembrar de mim
Mas não posso suportar que me esqueça
Esses últimos anos desde que eu fiquei doente...
Sinto muito pelo que fiz com você, fiz com nós

Você me deu tanto e eu não pude te dar nada em troca
Por isso quero que você viva para si mesmo agora.
Faça o que é melhor para você, James

James

Você me fez feliz"


Essa cena, quando a vi pela primeira vez em 2010, quando tinha 14 anos, me fez perceber que videogames podem te fazer sentir emocionado, eu me segurei para não chorar nessa cena. a atuação da dubladora aqui é incrível e muito emocional, tanto que ela chorou de verdade no final da carta, eu não consigo acreditar que alguém não goste dessa dublagem após essa cena.

Para mim, a resposta de "videogames podem ser considerados arte?" foi respondida aqui.

É óbvio que sim, se algo têm o objetivo de entreter ou fazer você refletir, é arte, e Silent Hill 2 me fez refletir, é uma história que ficará para sempre comigo, e para todos que presenciaram, experimentam, viveram, e jogaram o jogo.

Como você evolui de uma pizza amarela comendo pontos amarelos num labirinto com fantasmas para um final emocionante e reflexivo, numa história de culpa, tristeza, amor e redenção? da mesma forma que você evolui de uma pintura na caverna para uma Monalisa, da mesma forma que você evolui uma pedra com riscos para um livro incrível, da mesma forma que você evolui de uma atração de circo de uma tela que se move, para algum filme que irá mudar a vida de muitos.

Arte evolui de algo simples para algo incrível, ela está acima de preconceitos, porque ela muda, considerar apenas sete mídias como arte é ficar preso no tempo, um tempo que se me lembro bem, nunca para.

Então você ai que acredita que videogames não podem ser considerados arte, pare de ser antinatural.
Pois a natureza de tudo é evoluir, mudar, ficar preso a velhas ideias é contra as leis da natureza.

Esse jogo tem quinze anos já, e fico feliz que jogos como The Last of Us e Bioshock tenham trazido essa discussão de volta.

É por isso que eu amo videogames, não é uma perda de tempo, é uma ótima experiência que ficará marcada na vida do jogador.

Da mesma forma que livros, música, filmes e outros.

Agora, só pra citar, os outros finais são do jogo são:

Leave: Mary te perdoa dos seus crimes, e você vai embora da cidade com Laura, para cuidar e criar ela, acontece se você examinar repetidas vezes a foto de Mary.



Maria: Mary não te perdoa, você mata ela e sai da cidade com Maria, ela começa a tossir, sutilmente mostrando que Maria sofrerá o mesmo destino de Mary, acontece se você proteger Mary e ficar muito tempo próximo dela.


Rebirth: Só acontece após ter zerado o jogo uma vez, James reúne vários objetos sobrenaturais para reviver Mary numa igreja no meio do lago (única referência ao Culto dos outros jogos da série).



Finais de piada: o jogo tem finais que são piadas apenas para quem zerou o jogo diversas vezes.

Dog Ending: James descobre que tudo é controlado por um cachorro que manda na cidade através de uma maquina.



U.F.O: James descobre que a cidade é controlada por alienígenas, e encontra Harry Mason, o personagem principal do primeiro jogo.



Se alguém quiser ver as cenas legendadas em português, têm uma compilação abaixo:


Silent Hill 2 provavelmente vai ser meu jogo favorito até a morte, eu joguei jogos melhores depois, mas esse foi o primeiro a me marcar, e é o que eu escolhi para ser eternamente o meu favorito.