quarta-feira, 1 de março de 2017

O quê faz Desventuras em Série ser tão bom?



Olá, pessoal!

Essa postagem talvez seja terrível demais para ser lida, pois a vida dos órfãos Baudelaire é indiscutivelmente (a palavra aqui significando que não há margens para discussão) bem difícil, sugiro que aqueles que queiram manter-se felizes pelo resto do dia procurem blogs mais agradáveis, talvez algum com fotos de filhotes fofos, ou aqueles de poesia com mensagens bonitas e inspiradoras.

Mas se você por qualquer razão resolveu continuar aqui, deve-se questionar o porquê de querer ver tamanhas desgraças, suponho (a palavra aqui significando que não tenho certeza sobre sua personalidade mas irei arriscar) que talvez você se identifique com as desventuras dos órfãos, ou pelo menos com sua forma de ver o mundo.

Mas deixando isso de lado, eu sei muito bem que não sou nenhum Lemony Snicket, e seria deveras ridículo tentar replicar seu estilo por todo o artigo. Voltarei ao normal e irei analisar os quatro primeiros livros, o filme de 2004 e a série recente da Netflix.

Nessa análise, eu explicarei o apelo de Desventuras em Série, porque é tão bom? como suas histórias afetam nossa forma de ver a vida?

Meu primeiro contato com a história foi o filme de 2004 estrelado por Jim Carrey, e era provavelmente um dos meus filmes favoritos da infância, isso não significa que ele não seja problemático, ele é e muito.



A maioria dos fãs dos livros odeiam essa adaptação por ter compactado três livros inteiros em um filme com menos de duas horas, e por ter "emburrecido" muito do humor sarcástico dos livros.

Pessoalmente, eu ainda gosto do filme, admitidamente mais por nostalgia, porque apesar dessas reclamações serem verdade, o clima gótico dos livros ainda transparece muito bem na adaptação, e foi meu primeiro contato com humor negro (acredito que de muitos, tanto os que conhecem o livro quanto os que viram o filme).

Personagens morrem em Desventuras em Série, e muitas vezes é engraçado, o próprio pessimismo exagerado presente nos livros é feito como piada.  Ainda mais para crianças, tão acostumadas a histórias coloridas e felizes, ler ou assistir Desventuras era algo único, e desde jovem eu adorava essa parte sombria que me foi mostrada, porque ninguém mais parecia ter coragem de mostrar.

O filme começa de forma genial, como se fosse uma animação dos anos 60, só para na metade cortar e vir a voz do narrador falando: "Lamento informar que este não é o filme que assistiremos...".



Quando vi aqueles primeiros minutos, pensei que havia alugado o filme errado ou que alguém tinha colocado outro dvd dentro da caixa (era época de locadora), e o mais engraçado é que recentemente (mas ainda antes da série) mostrei o filme para minha irmã e ela perguntou se eu havia colocado o filme errado.

Se Jim Carrey fez um bom trabalho como Conde Olaf é discutível, eu pessoalmente gostei bastante, e Carrey já provou que além de comédias ele é muito bom em dramas como Show de Truman e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, mas é bem visível que ele simplesmente fez um "Ace Ventura do mal" no filme, o humor físico e exagerado comum dele não é exatamente fiel ao Olaf do livro.

As três crianças foram ótimas, principalmente Emily Browning como Violet, tanto que na série contrataram uma atriz bem parecida com ela.



Um aspecto do qual o filme é superior a série é a trilha sonora (indicada ao Oscar) de Thomas Newman (de Beleza Americana), não que a trilha da série seja ruim, mas a do filme captura o clima de mistério muito melhor que o produto da Netflix.



Eu especialmente adoro o final, onde os órfãos voltam para a casa queimada e recebem uma carta dos pais mortos, mas comentarei apenas no final do artigo, pois essa é exatamente a cena que define Desventuras em Série para mim.

Apesar da má recepção dos fãs e do público (foi um fracasso de bilheteria), o filme ainda foi indicado a quatro prêmios Oscar (todos técnicos) e ganhou por melhor maquiagem, e de certa forma se tornou cult depois de um tempo, afinal fez parte da infância de muitos.

Descobri anos depois que o filme era baseado numa longa série de livros (13 ao total), mas nunca consegui encontra-los em lugar nenhum, a biblioteca da escola não tinha e depois de um tempo eu me esqueci da existência deles, foi apenas nesse ano com a estreia da série da Netflix que resolvi procurar na biblioteca pública da minha cidade, e felizmente achei toda a coleção lá.



Já começo dizendo que eu amo a escrita de Lemony Snicket, é puro sarcasmo e humor negro, foi uma das poucas vezes onde eu realmente ri com um livro, tem incontáveis passagens geniais que eu poderia colocar aqui, e olha que li apenas os primeiros quatro livros.

Alias, antes que se perguntem, Lemony Snicket é apenas um pseudônimo, pois o próprio é um personagem do livro que narra as histórias dos órfãos e tem ligação com eles, o verdadeiro nome do autor é Daniel Handler.

Assim como Harry Potter, me parece uma obra perfeita para fazer as crianças se interessarem por literatura, pois é tudo bem dinâmico e fácil de entender, é claro que tem partes consideravelmente pesadas (como havia dito, pessoas morrem de forma cômica), mas ainda é em sua essência um livro infanto-juvenil.

Pessoalmente, meu favorito dos quatro é "O Lago das Sanguessugas", eu acho as piadas sobre gramática e as fobias da Tia Josephine bem legais, além do cenário (a casa suspensa) e as situações são as mais interessantes, esse também era meu segmento favorito no filme. 

Posso dizer que a série é um exemplo de como fazer uma adaptação, muitos diálogos e passagens do livro são transportadas palavra por palavra na série, e não contente só com isso, também são adicionadas varias informações sobre as futuras adaptações e mais momentos cômicos.

Até mesmo a abertura é bem irônica, dizendo que é melhor não assistir, algo que é bem possível de imaginar vindo do próprio Daniel Handler, isso porque ele teve uma voz bem mais ativa nessa produção, tudo até mesmo as minúsculas mudanças foram aprovadas por ele.


Todos os atores fizeram um ótimo trabalho, os três órfãos seguem exatamente a descrição dos livros, por exemplo, é dito que Klaus é praticamente cego sem os óculos e que Violet só prende o cabelo para pensar em fazer alguma invenção.

No filme, Klaus só usa os óculos quando lê e Violet passa metade do filme com o cabelo amarrado por alguma razão.

Achei que Neil Patrick Harris fez muito mais justiça ao personagem, pois o Conde Olaf dos livros certamente é imbecil e repugnante, mas ao mesmo tempo é divertido ver seus planos diabólicos para pegar a fortuna dos órfãos. Harris sabe quando ser idiota e quando ser assustador, pois apesar de Olaf ser um pateta, ele ainda é perigoso e está totalmente disposto a matar para atingir seus objetivos.



Patrick Warburton também está ótimo como Lemony Snicket, dessa vez com uma presença bem mais forte do que no filme, sua voz e estilo de comédia combinam perfeitamente com o personagem original.

Alguns personagens que roubaram o show foram os capangas do Conde Olaf, tendo tempo e personalidades até mesmo superiores ao livro, destaque para as irmãs gêmeas que estão em alguns dos momentos mais engraçados da série.



Outro fator é que teve um plot twist bem interessante próximo ao final, apesar de que os fãs dos livros provavelmente já sacaram o que aconteceria, muitos ainda foram pegos de surpresa com aquela revelação, foi certamente bem surpreendente e triste.

É difícil apontar alguns fatores negativos nessa adaptação (ainda mais por ser fã), a série é exatamente tudo que ela deveria ser, e até o momento certamente é minha favorita do ano, o único problema que notei foram alguns efeitos especiais ruins, mas até mesmo isso tem um certo charme e combina com seu estilo cartunesco.

Também por já assistir o filme mais de 20 vezes, eu já sabia o que aconteceria nos seis primeiros episódios, o único que foi uma surpresa para mim foram os últimos dois, que adaptam o livro "A Serraria Baixo Astral", do qual o filme deixou de lado. Mas isso é minha culpa e não da série.

Eu recomendo 100% a série para todos que leram os livros e viram o filme, ou se você gosta desse tipo de história sombria com humor negro e estilo gótico.

E agora, por que Desventuras em Série é tão bom?

Antes de começar, devo dizer que esse tema está se tornando um clichê neste blog, e sim, é mais uma repetição do discurso do Rocky Balboa, mas o que eu posso fazer se essa é mais pura verdade e nunca fui refutado até agora?

A razão de Desventuras em Série ser tão bom é que desde cedo mostra que o mundo não é um lugar bonito e justo, nem sempre os bons vencem, alias, na maioria das vezes, eles perdem. Os órfãos sofrem e a situação deles sempre piora, mas eles continuam lutando contra as adversidades, se mantendo unidos contra todo inevitável encontro com Conde Olaf, e eles nunca desistem.


Existem poucos minutos de felicidade na vida deles, mas isso já o suficiente para eles ainda manterem as esperanças. É exatamente o que é mostrado no final do filme, onde eles recebem uma carta dos falecidos pais dizendo uma mensagem bem semelhante.



"... e o que parece uma série de desventuras pode ser de fato apenas o inicio de uma jornada..." 

A imagem dos três gêmeos dormindo juntos atrás do carro é o que define Desventuras em Série para mim, não importa o que venha pela frente desde que eles tenham um ou outro.

Por isso o filme sempre vai ter um lugar na minha memória, e até mesmo a série fez algo similar com um número musical no final reforçando que não há um final feliz aqui, mas pelo menos eles estão unidos.

"... você pode sonhar que a justiça e paz ganharam o dia, mas não é assim que história continua..."

Alias, para acabar, desejo um bom carnaval para todos, pelo menos até essa distração acabar e você lembrar que o resto do seu ano será miserável como todos os outros.

Com isso dito, Paz!




sábado, 11 de fevereiro de 2017

Meus Filmes Favoritos: "Filhos da Esperança" e seu futuro profético


Uma obra prima absoluta

O ano de 2006 foi importantíssimo para mim, eu tinha 10 anos e fui separado de todos os meus amigos da 3ª série (eu mudei para outro horário, enquanto eles continuaram no mesmo), o que me deixou bem solitário, mas em contrapartida esses momentos sozinhos foram preenchidos por filmes, livros e games.


Eu gostava de cinema, mas não ao ponto de me considerar um amante de cinema (como eu poderia? eu só tinha 10 anos), com essa atenção mais voltada às artes, eu assisti alguns filmes que moldaram meu gosto cinematográfico (e provavelmente meu caráter) como 007: Cassino Royale (uma escolha estranha eu sei, mas ainda um ótimo filme do seu jeito), O Grande Truque e principalmente Filhos da Esperança.


É claro que minha mente infantil dificilmente entendia esses filmes completamente, mas eu adorava assisti-los mesmo assim, pois eles pareciam mais adultos e inteligentes do que estava acostumado. Eu gostava de Filhos da Esperança porque ele parecia real, as imagens não lembravam ficção ou fantasia, mas um noticiário.


Mesmo criança, isso parecia bem evidente.


Assistindo hoje, minha admiração por esse filme só cresce, mas assim como Corpo Fechado, me parece ser um filme lançado na época errada, o futuro de Filhos da Esperança é mais real agora do que nunca.




O diretor mexicano Alfonso Cuarón até então havia dirigido o aclamado "E Sua Mãe Também" e com isso foi chamado para dirigir um "pequeno" filme chamado "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban", o que é bem irônico, considerando o alto teor adulto/sexual de seu filme antecessor.


O Prisioneiro de Azkaban é a adaptação favorita de muitos fãs da saga, e isso se deve muito ao diretor, que é indiscutivelmente o melhor que já passou pelos filmes do personagem.

Com o enorme sucesso do terceiro filme do bruxo, Cuarón teve uma boa grana para dirigir seu próximo filme, baseado no livro da falecida autora P.D. James.

Mas antes de começar, devo dizer que apesar de não gostar de falar sobre política neste blog, é praticamente impossível não comentar nada a respeito quando se trata desse filme.



Filhos da Esperança fala sobre um futuro recente (2027) onde todas as mulheres se tornam estéreis (contrário ao livro onde são os homens), e com isso a humanidade está próxima da extinção, houveram várias guerras e boa parte do mundo está em completo caos, com exceção da Grã-Bretanha, apesar de ainda sofrer diversos ataques.

Nesse mundo se encontra Theo (Clive Owen em sua melhor atuação), um ex-ativista desiludido que aceita transportar uma mulher que ficou misteriosamente grávida até um lugar seguro.

A mulher grávida em questão está com um grupo rebelde comandado pela ex-mulher de Theo chamada Julian (Julianne Moore) e seu sócio Luke (Chiwetel Ejiofor), inicialmente Theo está bem relutante em fazer um acordo, mas acontece algo que o faz mudar de ideia.

Uma coisa que gosto no filme é que não existe realmente um lado certo, o governo não é completamente mal e os rebeldes não são completamente bons, todos os personagens tem morais questionáveis, pode se dizer que o único vilão é a situação em que todos se encontram.



Nesse futuro o governo britânico aderiu rigorosas lei anti-imigração, fechando suas fronteiras e deixando apenas quem já estava ali, isso de certa forma até funciona , pois a Inglaterra é um dos únicos lugares onde ainda tem certa ordem, mas ao mesmo tempo isso cria condições desumanas para todo o resto.

Com isso se formam os grupos rebeldes que querem abrir as fronteiras, mas eles estão bem longe de serem heróis, e muitos dos revolucionários estão completamente dispostos a sacrificar vidas inocentes para fazer o que eles acham correto.

Eu gosto dessa ideia, o filme não toma lados porque seria fácil demais demonizar um lado e abraçar o outro, você entende ambos os posicionamentos.

O futuro de Filhos da Esperança não é mega tecnológico, para falar a verdade, ele é como se o mundo tivesse congelado em 2006 e continuasse até 2027, essa falta de esperança está integrada na vida de todos os personagens e de todo o seu cenário.



Acredito que o que escrevi até agora seja o suficiente para convencer quem não assistiu o filme a assistir, pois de agora em diante eu comentarei vários spoilers (basicamente um resumo inteiro do filme) inclusive o final.

Spoilers pesados até o final do artigo a seguir.

O filme já começa chocante, onde o personagem principal chega a uma cafeteria, assiste o noticiário sobre a morte da pessoa mais jovem do mundo, e ao sair o lugar explode, você vê uma mulher segurando o próprio braço arrancado e o titulo do filme aparece, o som da explosão dura uns dois minutos.




Essa é uma forma fenomenal de começar, pois você já sabe que tipo de mundo é o de Filhos da Esperança, ainda mais ao ver que Theo está bem indiferente após isso acontecer, pra ele é mais um dia normal na Londres futurista.

Depois disso ele visita seu amigo Jasper (Michael Caine), um personagem bem descontraído e divertido, o que cria um contraste com Theo, que parece bem desmotivado, você vê que existem formas diferentes de ver o mundo, Jasper ainda é consideravelmente feliz, talvez por ter se isolado da sociedade com sua esposa numa casa na floresta.



Theo é sequestrado por um grupo rebelde (chamado de Os Peixes) do qual fizera parte no passado, comandado por sua ex-esposa Julian (Julianne Moore), ele é convocado para conseguir passaportes para alguns imigrantes com um amigo dele no governo.





Essa cena onde ele fala com o amigo no governo é bem interessante, pois ele está no Ministério de Arte e Cultura, chamado "A Arca das Artes" como a civilização está em colapso, eles reuniram várias obras de arte pelo mundo em um local só.

Existem várias referências a obras de arte no local e muitas delas têm paralelos com a história do filme, por exemplo, no fundo do cenário há uma recriação da capa do álbum "Animals" do Pink Floyd, o disco em questão é uma homenagem ao livro "A Revolução dos Bichos" de George Orwell, conhecido por fazer histórias de governos autoritários, exatamente como o do filme.





Atrás de Theo está a pintura "Guernica" de Picasso, que retrata um ataque durante a Guerra Civil Espanhola, da forma bem abstrata que Picasso é conhecido por fazer (cubismo).





Theo consegue os passaportes e se encontra com Julian e duas imigrantes, uma senhora pagando de rebelde chamada Miriam (Pam Ferris) e uma jovem negra chamada Kee (Clare-Hope Ashitey).



Aparentemente tudo parece estar indo bem, até que eles são atacados por uma multidão, essa é uma sequência eletrizante e genial filmada sem cortes, muito antes de esse tipo de cena ser comum.



Julian leva um tiro no pescoço, o que é bem inesperado, pois Julianne Moore é uma atriz bem famosa e seu nome até está no poster do filme, ela morre em menos de 30 minutos de duração.

Depois desse momento, tem uma cena bem pequena que eu gosto muito, onde Theo se afasta do corpo pela floresta e começa a chorar, você vê que ele não quer que os outros o vejam daquele jeito e que ele é extremamente fechado, até mesmo após a morte de sua ex-mulher, também prova que Clive Owen pode ser um ótimo ator com o diretor certo.



Theo e as imigrantes se juntam na base dos rebeldes, ele descobre que Kee está milagrosamente grávida, numa cena de referências bíblicas, a revelação é feita dentro de um celeiro.




Durante a noite ele também descobre que foi Luke quem planejou a morte de Julian, para poder tomar a liderança da oposição, pois ela queria uma solução pacífica e ele quer uma guerra.

Eu gosto disso pois é bem comum na história da humanidade alguns lideres serem traídos por parecerem "fracos"  e serem substituídos por alguns babacas que provavelmente vão ferrar com tudo.

Então Theo foge dos rebeldes com Miriam e Kee para encontrar um barco chamado Amanhã, onde é dito ser seguro e com cientistas para estudar a gravidez dela.



Eles chegam até a casa de Jasper e passam um bom tempo lá, onde você conhece melhor os personagens, você vê que apesar de ser a última esperança da humanidade, Kee é uma adolescente bem comum, até um tanto idiota (como todo adolescente), e que Theo uma vez fora um forte ativista, mas que perdeu a fé ao ver que os rebeldes não eram tão diferentes do governo, também é revelado que ele e Julian tiveram um filho (chamado Dylan), mas houve uma epidemia que levou a criança.

Eventualmente eles são descobertos pelos rebeldes e conseguem fugir a tempo, mas infelizmente Jasper é assassinado numa cena de quebrar o coração, ainda mais ao você ver que ele manteve o otimismo até o fim, chegando a fazer uma piada enquanto morre.



Antes de morrer, Jasper diz que Theo deve falar com um amigo militar dele, que o levará até uma cidade portuária onde ele pode encontrar o Amanhã. No meio do caminho, ele e as imigrantes param numa creche abandonada e refletem sobre o mundo sem crianças, ao ver que os animais e a natureza estão tomando conta do mundo novamente.

Miriam diz que "Com o som das crianças brincando desaparecendo, o desespero se instalou".

Eles encontram o militar, que os coloca em um ônibus de deportação, nessa cena você vê a forma brutal como o governo trata essas pessoas, com direito a imigrantes em jaulas e algumas execuções em público.

Kee começa a ter contusões durante uma revista no ônibus, Miriam intervem para protege-la e é presa pelos militares.





Agora Theo e Kee andam por uma cidade devastada pela guerra e encontram uma cigana chamada Marischka, que os leva a um apartamento fechado, lá Theo faz o parto em Kee e o bebê finalmente nasce.



Essa provavelmente é a melhor cena de parto que já vi num filme, é tudo bem realista, é bem comum em filmes o bebê vir completamente limpo, mas aqui você vê o sangue e a dor que Kee está passando, é uma cena pesada mas linda ao mesmo tempo.

Após o nascimento do bebê (uma menina), o militar e Marichka vão até o quarto, o militar viu que eles estavam sendo procurados e decide entrega-los a justiça, mesmo após ver o bebê, mas Theo aproveita uma brecha para poder fugir.

Enquanto eles fogem do militar, está acontecendo uma batalha na cidade, e novamente temos um plano-sequência ainda melhor que o primeiro, desta vez seguindo os personagens enquanto a cidade é destruída na guerra entre os rebeldes e o governo.



 Uma curiosidade bem interessante é que essa cena levou 14 dias para ser filmada, pois toda vez que algo dava errado eles tinham que reconstruir todo o cenário, ela finalmente conseguiu ser rodada sem nenhum corte no último dia, e o diretor quase arruinou a cena porque gritou o famoso "corta", mas por uma sorte divina o grito dele coincidiu com uma das explosões e não pode ser ouvida.

Outra referência é a mulher segurando o filho morto na rua, essa cena foi inspirada na fotografia "Kosovo Pieta" de Georges Merillon, a foto em si (que é real) é assustadoramente semelhante a escultura "Pietà" de Michelangelo, que é mencionada anteriormente na cena da Arca das Artes.








O que se segue depois é uma da cenas mais significativas do cinema moderno, os soldados e os rebeldes veem o bebê e por alguns minutos cessam fogo, apenas observando fascinados a primeira criança em anos.



Até que eventualmente começam a se matar novamente, Theo e Kee fogem e finalmente chegam ao porto, onde pegam um bote e começam a remar em direção ao mar, mas infelizmente Theo aparenta ter levado um tiro durante a guerra e começa a sangrar fortemente.





Theo diz para Kee manter o bebê sempre por perto, ela diz que a dará o nome de Dylan (o mesmo nome do filho falecido dele, por ser um nome unissex), ele então fecha os olhos e morre.

Kee se encontra sozinha e desesperada por um tempo, mas no fundo da neblina o Amanhã surge.







O filme termina magistralmente com o som de crianças brincando.



Eu amo Filhos da Esperança (se já não parecesse óbvio), é um filme que assisto todos os anos da minha vida e a cada ano eu gosto ainda mais. É meu filme de ficção cientifica favorito, pois ele é milhares de coisas ao mesmo tempo, é um ótimo drama, uma ótima ficção, um ótimo filme de ação, eu o considero perfeito.

Tenham em consciência que eu vi a primeira vez quando tinha 10 anos, não era algo que eu entendia, mas eu conseguia ver sua beleza , e a cada ano era como redescobrir um filme novo, ora, tem coisas que só notei dessa vez, mesmo tendo assistido incontáveis vezes.

Não é um filme extremamente conhecido, mas é possível ver que ele inspirou muitas obras depois, uma bem clara é o famoso jogo de PS3 "The Last of Us", as semelhanças são muitas, o personagem Joel é bem parecido com Theo, tanto em personalidade quanto aparência.


A história inteira na verdade, onde ele (Joel) precisa levar uma jovem (Ellie) que pode ser a salvação desse mundo apocalíptico, sua parceira Tess (que também é bem semelhante à atriz Julianne Moore) morre bem cedo, e ele é caçado tanto pelo governo quanto os rebeldes (os Vaga-Lumes), a única diferença é que The Last of Us tem zumbis como razão do colapso da sociedade, enquanto Filhos da Esperança é a esterilidade.



Hoje em dia ele é mais importante do que nunca, a comparação com as fronteiras se fechando é bem óbvia e prefiro não discuti-la, só direi que ironicamente o diretor desse filme é mexicano, mas veja as cenas de guerra do filme e compare com as cenas reais da guerra na Síria, é assustadoramente atual.

Por isso muitos dizem que Filhos da Esperança é um filme profético, lembre-se que o vírus da Zika fazem os bebês nascerem com microcefalia, o que é bem similar com a doença de esterilidade do filme.

O pior é que nem precisemos esperar até 2027, parece que o futuro do filme veio 10 anos antes.









segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Meus filmes favoritos: Por que "Corpo Fechado" é uma analogia perfeita para um cinema dominado por filmes de super-heróis?



Eu gosto de filmes de super-herói, hoje em dia é quase impossivel ser completamente contra o gênero, só em 2016 foram lançadas 6 adaptações de quadrinhos (Guerra Civil, Doutor Estranho, Batman v Superman, Esquadrão Suicida, Deadpool e X-Men Apocalipse), e mesmo que você não goste dos atuais da Marvel e DC, você provavelmente deve ter gostado da Trilogia Batman de Christopher Nolan, que eram indiscutivelmente bons filmes.

Mas é inegável que o gênero para muitas pessoas está se tornando cansativo, até eu que admito gostar acho meio chato quando todos os trailers de uma sessão são apenas de filmes de super-heróis, ou
quando ocupam as salas e horários que poderiam ser reservadas para outros filmes.


De qualquer forma, quero levá-los ao inicio dos anos 2000, quando esse gênero estava bem distante de seu ápice, onde os melhores filmes de heróis até então eram os dois Batman de Tim Burton, Blade - O Caçador de Vampiros e o recém lançado X-Men: O Filme.

Na mesma época, pessoas estavam super ansiosas para assistir o novo filme do diretor M. Night Shyamalan (definitivamente eram outros tempos), após o estrondoso sucesso de "O Sexto Sentido", todos queriam ver qual seria o próximo suspense com um plot twist de explodir cabeças que o diretor estava reservando.


Toda a campanha de marketing apontava que esse seria um suspense sobrenatural, até o titulo do filme "Corpo Fechado" (Unbreakable no original, que significa Inquebrável) era instigante, pense bem, parece o titulo de algo que Hitchcock faria.

Imagino a surpresa do público quando descobriram que Corpo Fechado se trata de super-heróis, e um filme de heróis nada empolgante, mas parado, dramático e que jogava com os conceitos do gênero que são tão comuns hoje em dia, mas que não eram tanto na época.


Até mesmo o twist final parecia forçado apenas para capitalizar a memória de seu filme antecessor, é fácil ver porque Corpo Fechado foi uma decepção quando lançado.

Levou algum tempo para ele ser reavaliado, eu diria que foi o momento quando Shyamalan começou a fazer péssimos filmes, que as pessoas voltaram para ver onde foi que ele começou a errar, e Corpo Fechado parecia um alvo fácil, mas acredito que no momento que essas pessoas o assistiram novamente, devem ter notado que o filme era muito melhor do que pensavam originalmente.

Tanto que Corpo Fechado talvez seja o melhor filme do diretor, e certamente é um dos melhores filmes de super-herói de todos os tempos.


A trama é bem interessante, fala sobre um homem comum chamado David Dunn (Bruce Willis) que é o único sobrevivente de um acidente fatal de trem, o mais estranho é que Dunn não teve um arranhão sequer, o que cria suspeitas ao redor dele.

Esse caso chama a atenção de um deficiente físico aficionado por quadrinhos chamado Elijah Price (Samuel L. Jackson), que acredita que Dunn tem super poderes, e começa a se infiltrar na vida dele e de sua família, enquanto o próprio Dunn passa a se questionar o mesmo.

Com essa sinopse, parece algo bem comum do gênero, mas nenhum outro filme representou isso tão bem e de forma tão realista, já tivemos outros filmes que tentaram o mesmo, como Kick-Ass e Super (ambos de 2010), mas esses acabaram seguindo o caminho da comédia escrachada, enquanto Corpo Fechado é mais sério e dramático.


Aconselho que quem estiver interessado no filme pelo pouco que contei vá procurar assistir, pois agora entrarei em spoilers e comentarei até sobre o final.

Mesmo o personagem principal tendo super poderes, ele nunca deixa de parecer um homem comum, com problemas familiares com o filho e a esposa (a primeira cena é ele tentando trair ela com outra mulher, sem sucesso), ele nunca se sente melhor por ter esses poderes, é quase como um fardo, ele só decide se tornar um herói porque é a coisa certa a fazer, mas ele nunca pediu por isso

Corpo Fechado não é glamourizado, o uniforme de Dunn é apenas uma capa de chuva, ele não usa máscara, mas apenas um capuz, e ele não luta contra vilões monstruosos de outra dimensão, ou terroristas fantasiados como o Batman do Nolan.


Alias, Dunn apenas luta uma vez durante o filme todo, e é contra um serial killer. Em qualquer outro filme de super-herói, uma luta apenas seria bem anti-climático (como no Quarteto Fantástico de 2015), mas o filme todo é construído para atingir esse ápice, então essa luta curta acaba sendo muito mais emocional do que qualquer outra que vi no gênero, a trilha sonora espetacular de James Newton-Howard certamente ajuda muito.


Elijah Price, o aficionado por quadrinhos, é obcecado pelos mitos de super-heróis, ainda mais pelo fato dele ter uma doença que faz seus ossos serem mega frágeis, e ver alguém que é literalmente indestrutível (como o titulo em inglês) o faz ter esperanças novamente.

Spoilers sobre o final a seguir:

E isso me leva ao final, que quando vi pela primeira vez achei forçado, mas que com o tempo comecei a admirar, é revelado que foi Elijah quem sabotou o trem e causou a tragédia, e que ele cometeu diversos outros acidentes apenas para encontrar um "super-homem", alguém que fosse inquebrável.

Parece meio improvável, mas é preciso pensar que Elijah via o mundo como uma história em quadrinhos, e a forma de encontrar um herói foi se tornar um vilão, e se você olhar as mitologias de alguns personagens famosos, o vilão principal é sempre a antítese do herói.

O Batman se veste de morcego e luta por justiça, o Coringa se veste de palhaço e comete crimes, eles se complementam porque em um mundo normal o Coringa é apenas um doente mental, mas em um mundo onde um homem-morcego faz parte da realidade, isso abre margens para outros malucos se fantasiarem e saírem a solta.

É o mesmo aqui, tudo que Dunn precisa para ser um super-herói completo é um vilão, e Elijah é a antítese dele, Dunn é indestrutível, Elijah se quebra por qualquer coisa por conta de sua doença, tanto que as outras crianças durante sua infância o chamavam de "Senhor Vidro", o que ele viu como o nome perfeito para um vilão.

Elijah é o Lex Luthor, o Coringa e tantos outros, ele é a peça que falta para transformar aquela realidade numa história em quadrinhos.

"Agora que sabemos quem você é, eu sei quem sou
Eu não sou um erro, tudo faz sentido
Em um quadrinho, você sabe como dizer quem vai ser o arqui-inimigo?
Ele é exatamente o oposto do herói
E na maioria do tempo, eles são amigos como eu e você..."

Esse tipo de desconstrução é perfeita para os dias de hoje, em um cinema dominado por filmes de super-heróis, Corpo Fechado ainda é o mais realista e mais dramático, e sua essência nunca foi replicada por outros filmes do gênero.

Até diria que esse filme é tudo que "Homem de Aço" prometeu ser pelos trailers, e é o que Ang Lee tentou fazer com quando dirigiu o primeiro Hulk, mas nenhum conseguiu tão bem quando Shyamalan.


Não sou apenas eu que sinto isso, Corpo Fechado é considerado um dos filmes mais subestimados dos anos 2000, até o famoso diretor Quentin Tarantino listou esse como um de seus filmes favoritos de 1992 até 2009 (numa entrevista na época de Bastardos Inglórios) e o chamou de "Uma das obras primas de nossos tempos".


Corpo Fechado é meu filme de super-herói favorito, pelo menos sobre o assunto, é claro que um filme como O Cavaleiro das Trevas ainda é melhor em vários aspectos, mas o título de mais emocional ainda pertence a esse.

Se fosse lançado hoje, seria considerado uma perfeita analogia ao cinema de super-heróis, uma quebra dos clichês tão comuns do gênero, mas como foi lançado em 2000, quando não era tão comum, a mensagem acabou passando um tanto despercebida.

Eu até diria que Corpo Fechado finalmente encontrou sua época nos dias de hoje.





  

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

As Melhores Músicas de 2016


Sabe, uma da melhores coisa de ter um blog pessoal é não se sentir obrigado em dar introduções longas para os próprios artigos, só direi que a estrutura é a mesma de 2015, comentarei as músicas mais populares para as mais alternativas e no final meu Top 3 do ano.

Então vamos a lista:

Lazarus - David Bowie

Esse clipe foi lançado 3 dias antes do falecimento de David Bowie, e mostra ele deitado numa cama de hospital, com as primeiros versos: "Olhe aqui, eu estou no paraíso, Eu tenho cicatrizes que não podem ser vistas, Eu tenho dramas que não podem ser roubados, Todo mundo me conhece agora"

Lazarus é exatamente sobre aceitar a morte, escrita e cantada por um homem que sabia que não ia durar mais um mês vivo, só esse fato faz a música ser 10 vezes mais poderosa do que já era, desde Hurt de Johnny Cash não vimos algo parecido, Bowie escreveu seu próprio réquiem e seu legado jamais será esquecido.


Starboy - The Weeknd

The Weeknd, como já disse nos melhores de 2015, é um artista do qual não sei exatamente o que pensar, algumas letras desse último álbum são bem imbecis e nunca comprei essa "persona sexy" que ele tenta vender, mas com isso dito, Starboy foi provavelmente minha música pop favorita desse ano.

Isso porque a maioria da música pop foi bem fraca, as músicas eram muito repetitivas e não tiveram o senso de diversão que o gênero deve ter, é claro que a participação do Daft Punk no som ajuda e muito o artista canadense.

De certa forma, Starboy é sobre ter tudo que você quer e ainda se sentir infeliz, o que me parece bem mais profundo que a maioria da música pop de 2016.


Genghis Khan - Miike Snow

Não tenho muito o que falar, é uma música divertida, conheci Miike Snow por conta de um ótimo cover de "I Sat by the Ocean" do Queens of The Stone Age e decidi procurar pela carreira dele, me deparei com essa música, que gostei bastante.


Drive It Like You Stole It - Sing Street

Sing Street foi meu filme favorito de 2016, então eu tenho que colocar essa divertida homenagem ao new wave dos anos 80 (o baixo e o saxofone são uma referência a Maneater do Hall & Oates) em algum lugar nesse artigo.

Nem só pela homenagem, essa música sobrevive perfeitamente sem o filme.


Finest Girl (Bin Laden Song) - The Lonely Island

É uma música-piada, feita para o filme Popstar (uma boa comédia que passou despercebida), eu pensei em não colocar por causa disso, mas é tão grudenta e hilária que preciso mostrar isso para mais pessoas.


Cheap Thrills - Sia

É completamente ok, apesar das letras não combinarem com o tipo da Sia, aparentemente essa música seria cantada pela Rihanna, o que faria mais sentido com o tema de sair pra festas e se divertir, o que quero dizer é me parece estranho alguém que é conhecida por nem mostrar o rosto cantar sobre isso, mas entendo que apesar de ser mega popular, Sia sempre teve essa persona alternativa, o que reflete o inicio da carreira dela, muito antes de entrar na música pop.



Heathens - Twenty One Pilots

Esquadrão Suicida foi um filme "problemático" para dizer o mínimo, mas seu tema foi bem memorável, um tanto sombrio mas ainda pop o suficiente para tocar nas rádios, só discordo de ter sido indicada como "melhor canção de rock do ano".

É uma boa música, mas bem menos, por favor.



Dracula Teeth e Pattern - The Last Shadow Puppets

O primeiro álbum dessa banda formada por Miles Kane e Alex Turner (Arctic Monkeys) foi lançado em 2008, e após longos 8 anos tivemos um segundo, nenhuma música é espetacular como Standing Next to Me (uma das minhas músicas favoritas da vida) de seu antecessor, mas duas faixas que chamaram minha atenção foram Dracula Teeth e Pattern, com um instrumental bem nostálgico e as típicas letras da dupla.




Vampires - The Midnight

Como um grande fã dos anos 80, eu costumo acompanhar o gênero de New Retro Wave, é difícil escolher porque esse gênero é como um iceberg, na ponta há poucos artistas mais famosos como Kavinsky e Perturbator, mas no fundo há centenas de músicos desconhecidos que surgem a cada dia.

Com isso dito, uma da músicas que mais me chamou atenção no gênero em 2016 foi Vampires de The Midnight, porque eu adoro um belo solo de saxofone, e essa música inteira é um solo de saxofone.


Love Me In Whatever Way - James Blake

Todas as músicas de James Blake soam como Retrograde (seu principal hit), essa não é uma exceção, mas eu ainda ouvi isso bastante, pois é bem triste, exatamente como o ano em que foi lançada.

Por um segundo, pensei em colocar Daydreaming do Radiohead no lugar dessa, mas fui ouvir novamente e quase dormi (o que me pergunto se é intencional devido ao titulo da música).


 "I can't give up, Not now, Not then..."

Dark Necessities - Red Hot Chilli Peppers

O último álbum da banda foi bem decepcionante, tanto que até me esqueci que essa música era de 2016, Dark Necessities é a única faixa que merece uma menção, apesar de em qualquer outro álbum da banda ela seria apenas filler.


Phantom Bride - Deftones

Finalmente uma música que eu genuinamente gostei, Phantom Bride tem um riff fantasmagórico (olha o título) e um solo maneiro cortesia de Jerry Cantrell (guitarrista do Alice In Chains), alguns reclamam dos vocais de Chino Moreno, que eu admito parecer mais um sussurrar do que realmente cantar, mas de que qualquer forma combinam com o estilo da banda.


Agora meu Top 3 pessoal.

3. Square Hammer - Ghost

Pois é, ano passado eu decidi que gostava de Ghost, e acredito de que certa forma essa é a melhor música POP do ano, quer dizer, tecnicamente é metal (apesar de haver controvérsias), mas Square Hammer tem algo que muitas músicas, inclusive as populares, parecem ter perdido em 2016.

Um senso de diversão.

As letras são qualquer coisa, mas o riff, o refrão, o solo e até o vídeo só tem o objetivo de entreter, nada mais, nada menos, e eu gosto dessa honestidade. 


2. Spit out The Bone - Metallica

O último álbum do Metallica foi uma boa surpresa, não é nada espetacular como os primeiros discos da banda, mas ainda bom, e o quanto mais distante do estilo de St. Anger melhor. Com isso dito, nenhuma música realmente me pegou, exceto pela última, que foi a coisa mais rápida e pesada desde And Justice for All (que foi lançado a 30 anos atrás).

O riff é ótimo, a bateria parece uma metralhadora (aparentemente o Lars aprendeu a tocar novamente)  apesar do solo do Kirk Hammett soar exatamente como todos os outros.


1. Hearts/Wires - Deftones

Sabe, antes de comentar essa, preciso dar um contexto.

Lembro de ter comentado que 2015 tinha sido o melhor ano da minha vida até então, e 2016 parecia ser bem promissor, afinal, se fosse metade do que o ano passado tinha sido, já seria bom.

Infelizmente, não foi o caso, a maioria de minhas esperanças foram pelo ralo durante o ano, tanto as pessoais quanto as profissionais, por um momento até considerei em desistir da faculdade de Jornalismo, excluir esse blog, e desesperadamente tentar qualquer outra coisa, pois tudo estava dando bem errado e eu já estava cansado de se mover para lugar nenhum.

Eu só me recuperei em novembro onde descobri algo que mudou minha perspectiva e me deu esperanças para o futuro novamente, tanto que irei continuar a faculdade e bem, o blog ainda está aqui e acredito que um dia ele será bem útil.

Mas durante aqueles longos meses de desesperança, eu costumava ouvir uma música, inicialmente não chamou muito minha atenção, até prestar atenção nas letras e sua estrutura sombria.

Não é uma letra feliz, e nem apresenta motivações para sair dessa (o primeiro verso diz "Nada pode me salvar agora, é nisso que acredito..."), mas só o fato dessa música refletir o que eu estava sentindo já foi o suficiente pra se sentir bem melhor.


Essa foi minha lista de melhores músicas de 2016, e fico feliz em dizer que esses dois últimos meses foram bem melhores que os dez primeiros, espero que 2017 seja melhor, pelo menos pra minha e suas vidas pessoais, porque para todo o resto eu tenho certeza que não vai ser.

Desculpem, mas tudo aponta pra isso.